O primeiro buquê - Elaine Gaspareto- Dicas para blogs e inspirações para a vida

O primeiro buquê

Publicado em 02/03/2021

A memória é uma coisa curiosa e fascinante, né?

Passam os anos e de repente você percebe que aquela memória específica, às vezes um flash de memória, está lá intacta.

Um cheiro, uma imagem, uma cor, uma canção... coisas assim, bem aleatórias e em momentos muitas vezes inesperados trazem de volta memórias antigas,  coisas que a gente viveu e que ficaram guardadinhas na gavetinha da memória. Ou do coração...


Fiquei pensando nisso esses dias, nas coisas que a gente vive e que lembra de repente à partir de um gatilho qualquer.

Tá confuso? Vou explicar.

buquê de rosas vermelhas Giuliana Flores


Uma amiga da minha afilhada ganhou um buquê de rosas vermelhas no dia que completou 15 anos.

A menina nunca havia ganho flores antes e ficou fascinada, tanto pelas rosas em si quanto pelo fato de que foram dadas por um menino que ela gosta.

Você tem ideia do quanto isso é delicioso e único?

Eu vi os stories da menina e fiquei pensando... lembrei na hora da primeira vez que ganhei flores na vida.


Foi em 1993, alguns meses antes de completar o primeiro aniversário de namoro com o menino mais lindo do mundo, aquele que viria a ser meu companheiro de vida por mais de 24 anos... Até que ele se foi.

Mas estava falando das flores...


Era um buquê lindo em tons de rosa e salmão mais ou menos parecido com esse:


Ele mandou entregar na fábrica de calçados onde eu trabalhava, era meu aniversário, um dia 15 de setembro.

Todo mundo da fábrica viu, todo mundo achou lindo. Eu, tímida. Nunca nem falava que era meu aniversário.. .

E, ao final do dia de trabalho lá fui eu, buquê enorme nos braços, subindo a rua São Paulo até chegar em casa. Mais de 40 minutos de caminhada firme. As flores num saquinho com água pra não murcharem. 

Você calcula como pesa um buquê de flores depois de 20 minutos caminhando após um dia de trabalho?

Pesa, viu.

Mas quem disse que eu pensei nisso?


Só via as pessoas olhando a menina que, todo santo dia fazia aquele mesmo percurso, anos a fio.

Mas naquele 15 de setembro ela vinha com flores nos braços. Flores nos olhos. Feliz.

Lembro nitidamente de chegar em casa e arrumar o buquê em um caso grande e velho de plástico verde. Durou dias.

Quando finalmente murchou em guardei algumas flores entre as páginas de um livro.

Mantive o livro e as flores secas entre as páginas por anos.

A memória da menina subindo a rua com as flores nos braços mantenho pra sempre...


Ganhei outras flores nos anos que vieram. Flores em vasos, outros buquês. 

Dei flores também, comprei pra mim mesma e para pessoas que amo, de perto e de muito longe. 

Até porque dar flores de presente é algo muito fácil e simples (até mesmo nessa época de pandemia) já que há floricultura em todo lugar nesse país.

Há floricultura em cidades pequenas como a minha, floricultura em metrópoles, floricultura em Fortaleza, floricultura em São Paulo, de norte a sul... 


E flores servem para todo momento da vida, né?

Quando meu marido (o menino mais lindo do mundo) faleceu a sobrinha dele levou rosas brancas ao enterro e deu uma para cada pessoa da família para ser colocada sobre o caixão...  

Foi a última vez que segurei uma rosa. Nunca mais comprei flores. 


Mas sabe?

Vou comprar. No próximo dia 9 de março é aniversário do meu marido. Ele faria 47 anos.

Vou enfeitar nossa casinha com um buquê de flores em tons de rosa e salmão.

E depois, quando murcharem, vou guardar uma das flores, a mais bonita, dentro de um livro do qual eu goste.

Vou criar essa memória nova... para junta-la à antiga e quem sabe, sentir de novo ao menos um fiozinho da felicidade daquela menina subindo a rua São Paulo com o buquê nos braços.

Um buquê de flores em tons de rosa e salmão...




10 comentários

  1. Que lindo,Eliane! E fazes bem em comprar um buque de flores lindas pra enfeitar tua casa...Ele ,de onde está, adorará! beijos, chica

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  2. AAAAAAAAAAA
    É com posts assim que eu né emociono, nunca fiquei tão presa a um post, como fiquei hoje, uau.
    Que bom que ficaram as lembranças, e que lembranças né? Aaai eu amo todas ❤️❤️


    Beijo da Thai
    https://blogdathaiara.blogspot.com

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  3. Um amor desses ilumina todos os caminhos e perfuma tudo. Ultimamente minha fé fraqueja, mas uma história de amor como essa restaura. Que memória preciosa, como todas as que você partilhou. Obrigada por compartilhar. Estou emocionada, como sempre fico quando você fala de seu amor.

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  4. Que memória mais linda e encantadora! Que bom que vc a tenha!

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  5. Elaine, seu amado esposo, onde quer que esteja, irá ficar feliz sentindo que a menina Elaine, aos poucos, vai voltando à vida. Emocionei com esse lindo post. Volte a escrever sempre, querida. Escreves tão bem...
    Beijos

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  6. Quanta ternura neste post Elaine...sem palavras.
    Crie sua nova memória com esta nova rosa, crie novas memórias de tudo, seu amor é eterno em seu coração.

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  7. Eu não sei nem o que dizer! Foi lindo! Eu fiquei tão atento que me deixou feliz pro resto do dia! <3

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  8. Que lindo!
    As flores nos contam histórias.
    Enfeite sempre sua casa de flores, elas nos dão alegrias, sim alegrias de relembrar bons momentos em nossa vida.
    Seu querido ficará mais feliz, lhe vendo florida.
    Beijos
    blogjoturquezzamundial

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  9. Elaine, fazia um tempão que não vinha aqui no seu blog, que bom ver que vc continua com ele. Seu trabalho é maravilhoso e ajuda muita gente. E que Deus te abençoe sempre. E sobre o post, adorei e me fez lembrar que das flores mais bonitas que eu ganhei, que foram usadas como buque no meu casamento, foi uma cerimônia bem simples e eu tinha decido entrar com o mesmo buquê que ia jogar depois, então comprei um simples também, uma amiga descobriu isso antes e me apareceu com rosas vermelhas lindas para eu entrar na igreja, eu amei o gesto e me lembro com carinho sempre.

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