O padrinho - Elaine Gaspareto- Dicas para blogs e inspirações para a vida

O padrinho

Publicado em 02/04/2020

A foto que abre esse texto é uma das que mais gostei de "re-achar" por esses dias. Erdilan com nossa primeira afilhada, minha sobrinha Ana Laura, na festa de aniversário de 1 aninho dela.
Ela já completou 20 anos, mas eu lembro desse dia como se tivesse sido ontem. Lembro claramente de tudo, e lembro sobretudo de todos os dias, todos os momentos, todas as situações em que ele amou essa menininha.

Quando ela era recém-nascida ele comprou o carrinho dela. Era um dia chuvoso de janeiro, lá em 2000, e a gente foi levar o bendito carrinho de rodas brancas, passando por um campo enlameado. Levamos carregando, ele não admitia não entregar perfeitinho, lindinho, novinho.
Ele comprou muitos e muitos e muitos pacotes de fralda pra ela, muitas roupinhas, brinquedos. A primeira motoquinha de plástico, a primeira bicicleta, os cremes para o cabelinho cacheado. Os perfuminhos que ela gostava, as sandalhinhas, os inúmeros lanchinhos pra escola...

Era uma época dura, os pais dela separados, minha irmã sozinha com ela e mais um filho na barriga (ela e o irmão tem 1 anos e 1 mês de diferença de idade) mas tudo que ele podia ele dava, absolutamente tudo.
No dia do batizado dela o pai dela não foi. O único homem presente era ele, o padrinho.
Ela jamais o chamou pelo nome, sempre foi Padrinho, sempre.

Pra ele Ana Laura nunca cresceu, continuou pra sempre a menininha que ele pegava no colo.
Ela adulta, dando cabeçadas na vida, e ele ainda queria pega-la no colo, fechava a cara se alguém a criticava na frente dele.
Ela mulher feita e ele via a menininha.
No dia que ele morreu ela veio aqui bem cedinho, com o irmão.
Ambos falaram com ele, ele já não respondia, mas estava lúcido, entendia tudo, absorveu tudo, os olhos fixos nos dois. As lágrimas silenciosas dele, jamais vou conseguir esquecer...
Eles choraram, falaram muito com ele, sobre o quanto o amavam.
Meu sobrinho, quase 18 anos, e foi a primeira vez que vi ele falar aquelas coisas.
Que Erdilan foi muito mais pai pra eles do que o pai deles jamais fora.
Falaram que o amavam, e a gente sabe como nem sempre jovens tão jovens se abrem assim.
Foi triste, foi lindo. Ele, eu sinto, ficou feliz porque ele gostava de ser amado, de se saber amado e querido...

Depois, na hora em que ele partiu, Ana Laura estava aqui.
O choro dela, a agonia, o desespero... nossa menina... ainda vejo a cena...
Quando o pessoal da funerária veio ela teve uma crise, no velório foi igual.
As lágrimas caiam aos borbotões, ela falava com ele, chorava, uma coisa tão triste e ao mesmo tempo tão digna dele.
Ele era muito digno de ser amado assim, e meu coração fica quentinho quando lembro que ele de fato foi amado assim, que ele ouviu da afilhada e do sobrinho o quanto era amado e especial, o quanto eles são gratos.

Temos outro afilhado de batismo, o Gustavo, um menino lindo que já é adolescente, inteligente e promissor, muito amado e muito importante pra nós.
E alguns afilhados de casamento.
E ele era padrinho de crisma do meu cunhado, marido de minha irmã.
Muitos afilhados para o melhor padrinho que poderia haver.

Não era padrinho "oficial" do Luís Otávio, somos eu e meu irmão os padrinhos.
Mas isso nunca significou nada para o Luís.
Ele, a vida toda, desde que aprendeu a falar, sempre chamou Erdilan de padrinho.
E, quando Ana Laura o provocava dizendo que o Erdilan era padrinho só dela ele ficava irado, rebatia, jamais deixou de chamar de padrinho.

No dia seguinte ao enterro ele teve que ir a escola, tinha prova.
Chorou, passou mal, foi na diretoria.
Lá perguntaram o que tinha havido e ele respondeu que estava muito triste porque o padrinho dele tinha morrido.
O padrinho... sempre foi e ainda hoje é assim que ele se refere.

Eu sempre brinquei com meus irmãos e sobrinhos dizendo que além de eu ser a melhor irmã do mundo, essa titia incrível e maravilhosa (and modesta rsrsrrs) ainda dei pra eles o melhor cunhado e o melhor tio do mundo todinho.
Eles concordaram sempre, a sério.
Digo o mesmo aos nossos afilhados.
Tiveram na vida deles o melhor tio, o melhor padrinho.
Um paizinho (que é o que a palavra padrinho significa) que amou essas crianças desde quando soube que elas existiam, ainda na barriga da mãe.
Hoje faz 4 meses.
De vez em quando alguém me pergunta como estou.
Como sobrevivi....
Aí é que está... eu não sobrevivi... aquela Elaine se foi pra sempre...





16 comentários

  1. ficaram as lembranças dos tempos felizes e isso ninguém tira.O tempo acalma a dor.
    Amei os vestidos.
    Abraços

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  2. Olá Elaine. Muito bom ter sido tão amado. Ele se foi, mas as recordações, o amor será eterno. Muita força. Beijos nestes tempos tão, mas tão difíceis que o mundo todo está vivendo.

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  3. Todos esses momentos e fatos estão contidos no significado da palavra afeto.
    Continue amando eles, por ele, por você. Cuide-se como ele cuidada de você, Elaine.

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  4. Sei que é muito difícil para si. É fácil para mim dizer escrever palavras de animo, mas sei que há alturas na nossa vida em que elas resvalam pelo nosso sofrimento e não acalmam a saudade, nem o coração. Tente pensar em que ele se foi de coração cheio do amor que viu em vós. E que lá na dimensão onde se encontra, estará triste por ver o seu desânimo, o seu sofrimento.
    Abraço e cuide-se.

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  5. Um dia de cada vez, Elaine. As recordações são importantes, para acalmar e deixar, como você disse, o coração quente.

    Ele foi e ainda é muito amado e você também, lembre sempre disso.

    A gente do lado de cá pode pouco, mas eu, de minha parte, posso te mandar um abraço cheio de boas energias e te dizer eu te amo.

    Sobreviva e viva, Erdilan gostaria que você continuasse, do seu jeito, a melhorar o mundo.

    beijossssss

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  6. Fazia tempo que eu não aparecia aqui, Elaine, nem sabia dessa barra que você passou e ainda está vivenciando, que é tão recente. A gente tem dificuldade de encontrar pessoas autênticas e boas e quando a gente encontra é difícil dizer adeus, mas eu entendo quando você diz que "aquela Elaine se foi para sempre", pois quando a gente perde uma pessoa especial ela sempre leva um pedaço enorme da gente e a a gente tem que se reinventar, reaprender a viver como se fosse outra pessoa, mesmo sendo a mesma! Espero que você continue firme, ajudando outras pessoas a florirem em suas vidas, assim como você continua florindo, mesmo tendo sido um pouco aparada.
    Amo muito estar aqui!
    Beijão,
    Drica.

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  7. Oi Elaine, não lembro se te escrevi qd. soube da passagem de seu marido, mas acompanho direto seu blog.
    O que te falar?, EU perdi minha mãe fez 08 anos dia 25 passado, EU ainda sofro.
    A poeira abaixa mas a saudade é eterna.
    Não vejo a morte como o Fim, mas como a ida para uma vida sem dor.
    Fique bem pq. ele está muito ligado a vc. ainda, e sofre te sentindo sofrer.
    Fique bem por VOCÊS DOIS!!!

    Bjs e se quiser conversar estarei sempre p/ te ouvir
    Meu contato está no blog


    Audeni

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  8. Texto lindo com relato de memórias eternas de um amor que transcende a eternidade. Cada palavra aqui lida é o amor vivo, palpitante e verdadeiro. Forças nos laços desse amor!
    Beijos!

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  9. Nossa Elaine ele era muito amoroso mesmo!.Tenho uma foto da Sofia no colo dele com o rosto bem colado no rostinho dela.Vejo aquela foto e sinto o que realmente ela expressa.O Edirlan era a ternura em pessoa .Que Deus lhe de forca na medida necessaria.Um grande beijo lhe admiro muito Elaine.Paula

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  10. Chorando muito depois de ler esse post.
    As lembranças. São elas que ficam quando alguém que amamos se vai.

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  11. Elaine,
    eu conheço essa dor... infinita e dolorida... e a gente depois nunca mais é a mesma... Mas um dia vai passar...
    Por enquanto curta seu luto, ele é importante...
    bjos no core

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  12. Oi Elaine ,lendo essas linhas não aguentei...caiu um cisco nos meus olhos...força...

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  13. Elaine, passando para deixar um abraço, espero que esteja bem na medida do possível. Cuide-se. bj

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  14. Oi Elaine, eu lembro dessa menininha, não a conheço pessoalmente, mas lembro dela por um outro post seu, lembro até do título "Sobre amar e sobre deixar ir" aquela história sempre me comoveu.
    Força amiga!!
    Bjs
    Jack

    PS (meu blog tá de mal de mim)

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