O bom filho - Elaine Gaspareto- Dicas para blogs e inspirações para a vida

O bom filho

Publicado em 02/03/2020

Uma das coisas mais importantes que a gente deve levar em consideração quando escolhemos alguém com quem dividir a vida é a admiração que essa pessoa suscita em nós.
Pra mim amor e admiração pelas qualidades do parceiro/parceira são complementares; eu jamais conseguiria amar e dividir a vida com alguém a quem não admirasse, entende?
E dentre tantos motivos que eu tenho para admirar o meu marido está o fato dele sempre ter sido muito melhor filho do que eu jamais consegui ser.

Fomos casados por 24 anos, namoramos por quase 3 e eu jamais o vi ser desrespeitoso com os pais.
Jamais grosseiro, sempre amoroso, sempre evitando levar problemas pra eles, sempre o bom filho, que nunca deu trabalho algum, que deu apenas preocupações normais, sabe?
Jamais ouvi dele uma reclamação que fosse, nenhuma crítica, jamais.
Ao contrário, sempre dizia o quanto era agradecido, o quanto eles foram bons pais, o quanto minha sogra era a mãe perfeita, o quanto meu sogro era bom.
Com os pais (assim como em praticamente tudo na vida) Erdilan era agradecido.

Nos nossos anos de casamento, não importava se ele estava cansado, sobrecarregado na época em que trabalhava com RH de uma grande empresa daqui onde moramos, ou se estava nos dias ruins que a Esclerose múltipla trazia depois que ele estava aposentado... ele sempre, com sol ou chuva, sempre dava um jeito de ir na casa dos pais nos domingos.
Sempre.
Só deixava de ir se realmente estivesse se sentindo muito mal, e mesmo assim tentava compensar em outro dia.
Depois que ele morreu eu achei algumas fotos que não conhecia dele com os pais.
Ele não gostava muito de ser fotografado mas percebo que, com os pais, ele fazia um esforço e se deixava fotografar.
Sempre sorrindo, sempre brincando.
Muitas e muitas vezes, quando a gente saía de carro e passávamos por algum velhinho na rua ele fazia questão de parar o carro para os senhorzinhos passarem. Parava no meio do quarteirão, esperava com paciência.
E sempre dizia, meio que falando pra si mesmo:
"pode passar com calma, não precisa pressa. Eu tenho meus 2 velhinhos também".
Entende isso? De transportar o amor que tinha pelos pais e deixar que esse amor chegasse a estranhos na rua; ele devia pensar que fazia para os pais de outros o que gostaria que fizessem pelos pais dele.

Quando ele foi diagnosticado com EM e depois com câncer a parte mais dolorida pra ele foi contar aos pais, ambos já idosos.
Eu contei.
No caso do câncer foi terrível, eu tenho pesadelos com o momento que contei pra eles.
No velório dele, quando cheguei, eu só queria ver meus sogros. Foi um dos momentos mais dolorosos pra mim.
Eu sabia o quanto ele amava aqueles dois, sabia que ele não ia gostar de vê-los sofrendo tanto.
Essa é uma das últimas fotos deles juntos, na festa das Bodas de ouro dos pais.
Foi em julho de 2019 e eu sempre vou lembrar dessa festa como a última festa que fomos juntos, a última vez que fomos tão felizes, todos nós...

Hoje faz 3 meses.
Me falam sempre que vai amenizar.
Não vai.
Dói do mesmo jeito, como no primeiro dia depois de perde-lo. Dói mais.
3 meses.
Parece que faz anos, tamanha a saudade que sinto.
Parece que acabou de acontecer, tamanho é o lamento em minha alma...





7 comentários

  1. Olá Elaine! Agora só estas recordações boas lhe interessam. Agarre-se a elas com unhas e dentes como aqui em Portugal se costuma dizer. São estas memórias que a devem ajudar a seguir em frente. Beijinhos e muita saúde.

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  2. Essa saudade deve ser imensa mesmo e que bom pouco aq pouco vais trazendo mais das tuas saudades, das fotos que encontras e relembrar virtudes é maravilhoso ! Cuidar dos pais, tratar bem [e demais! Fica bem e tudo de bom pra ti! O que tens feito dos teus dias pro tempo mais rápido passar?

    bjs, chica

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  3. Que pessoa linda era seu marido. Pode ter certeza de que foi muito amada por ele.Queria poder dizer que vai passar,que o tempo ameniza,mas não é verdade. Nós vamos sobrevivendo. Fique com Deus. Abraços

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  4. É, a saudade fica sempre no coração, dando aquele aperto de dor e de amor, do amor que a gente sente e sempre sentirá por nossos entes amados que se foram e quanto mais os dias passam, essa dor aumenta.
    Beijos carinhosos!

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  5. Elaine...não se entregue a tristeza que a saudade pode trazer neste começo da vida sem ele, sei que é difícil, mas ele não gostaria de senti-la assim tristinha da mesma forma que não queria sentir os pais tristes com sua doença.
    Que família bonita, que filho bom ele foi, isso ninguém apaga.
    Sinta-se abraçada.

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  6. Elaine sempre iremos lebrar de quem se foi para onde dia iremos, mas ainda não podemos ir.Que Deus te conforte.Abraçoss.

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  7. Como sempre sinto sua dor. Q vc encontre força pra prosseguir .

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