O quanto nós caminhamos pra chegar até aqui - Elaine Gaspareto- Dicas para blogs e inspirações para a vida

O quanto nós caminhamos pra chegar até aqui

Publicado em 03/08/2018

Tempo de leitura:

 Anos atrás, 5 anos pra ser mais precisa, num dia 3 de agosto como hoje, meu marido (que havia sido diagnosticado com Esclerose múltipla alguns meses antes) foi demitido do trabalho que exerceu por mais de 14 anos. O motivo da demissão foi o diagnóstico pois a empresa não quis comprar a possibilidade de que ele pudesse ser a mesma pessoa que sempre fora durante todos os anos que trabalhou lá, sem jamais faltar nem ficar doente. 14 anos... saiu sem aviso, sem se despedir.

No dia em que foi demitido ele chegou em casa ao final do dia, eu estava trabalhando, ele sentou em frente minha mesa, me olhou já com os olhos cheios de lágrimas e disse "Fui mandado embora".
Lembro de observar, na hora, que os ombros desceram um cadinho, a lágrima caiu, e ele ficou ali, sentado na minha frente. Parecia menor, mais velho...
E envelheceria mais ainda nos meses seguintes.

Naquele dia milhões de coisas passaram pela cabeça dele: portador de doença incurável, progressiva e degenerativa, sem perspectiva de outro emprego, cansado, com medo de passar (ainda mais) aperto, medo de ficar sem dinheiro. Passou meses bem ruins, sempre beirando uma crise depressiva. Não dormia, não comia, não ria. Ele amava aquele trabalho, amava os colegas, amava a empresa. Foi um baque enorme.

Eu? Mesmos medos, muita aflição, muitas noites sem dormir mas já traçando um plano de como sobreviver, de como não deixar, em momento algum, que ele se sentisse desamparado. Morria de medo dele piorar (e aconteceu, teve novos surtos ao longo do ano seguinte), tinha medo da tristeza dele crescer e tomar conta...
Foram tempos de muito trabalho, eu  me joguei, aceitava qualquer trabalho, fazia 16 horas seguidas. Nesse tempo ter o blog como vitrine do meu trabalho foi fundamental. Grata até dizer chega!!!

Pula pra 2018.
Guardamos uma graninha ao longo do tempo. Ele foi aposentado pelos peritos do INSS, o medo de ficar sem renda se foi e a vida estabilizou.
Ao longo desses anos reformamos nossa casa do piso ao teto, como ele gosta de dizer, trocamos telhado, piso, móveis... até a caixa d'água... quitamos a casa.
Esse ano trocamos de carro (fomos forçados, ele só pode dirigir carro automático e nosso Uninho 2006 precisou ir...), e a vida segue um ritmo bem tranquilo.
Os exames dele dão conta de que a EM está sob controle, ele se adaptou à medicação diária e não tem novos surtos desde 2014; caminha 30 minutos por dia com o Luke (não conhece o Luke? Que isso, olha aqui que lindão!), usa bengala, perdeu tanta massa muscular que é assustador, tem crises diárias de fadiga mas a vida, no geral, é boa. Dentro do possível, é boa.
É isso aí.

Só estou contando isso porque, né... a gente precisa registrar as coisas, esse é o objetivo de ter um blog. Ao menos, esse é meu objetivo, um deles...
Olho pra trás, 5 anos no passado, e vejo o quanto temos sido abençoados em todos os nossos projetos.
Tudo deu certo, todo dia algo dá certo, e ainda que as durezas da vida existam, eu digo com toda a convicção do mundo: na balança da vida nosso saldo é extremamente positivo.

E, pra terminar, deixa eu te dizer uma coisa:
De repente, nesse momento, você esteja passando algum perrengue, seja ele financeiro (quem nunca?), de saúde, de relacionamento, de família... sei lá, pode ser qualquer coisa que tem tirado seu sono, tirado o riso dos seus dias, e aí você pensa que nunca mais vai sair dessa, que sempre será dark a noite, que nunca vai melhorar, que a vida será sempre uma sucessão de derrotas e de coisas ruins.
Acredite em mim, vai melhorar.

Mesmo que, na hora, pareça que não tem perspectiva, acredite no que digo, é fruto de muita experiência nessa vida: vai melhorar.
O que quer que seja, vai passar, e a vontade de rir vai voltar. A gente tem uma incrível capacidade de levantar, dar a volta por cima e sobreviver. Ou se adaptar, ser resiliente...
E ainda vai chegar o dia que você vai olhar pra trás e dizer:

"Cara, olha o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...
E como tá bom aqui!!!!"


Painel Reolhar a Vida

Blogagem Coletiva Reolhar a Vida.
Clique aqui e saiba tudo sobre a proposta, e veja como fazer parte!
Seja muito bem-vindo para participar!







8 comentários via Blogger
comentários via Facebook

8 comentários:

  1. Lembro como se fosse hoje do dia em que você contou sobre a doença do seu marido Elaine.
    Lembro também de quando ele foi demitido.
    E lá se foram 5 anos!
    Torci muio pra que tudo se ajeitasse, e, graças a Deus, à sua força e à maneira como seu marido encara a vida, tudo se ajeitou.
    Fico muito feliz por vocês, em especial por você, uma mulher forte, guerreira, que sempre esteve ao lado dele dando força.
    Sua história de vida inspira!
    Um beijo grande e que muitas felicidades venham pela frente!

    ResponderExcluir
  2. Elaine, te acompanho há muito tempo e também lembro quando contaste o fato e como te sentias. A vida é mesmo assim! Surpresas boas, outras nem tanto. Importa é poder reolhar pra tudo como fizeste e ainda poder ser grata! Muito bom! Fica a linda mensagem! bjs, tudo de bom,chica!

    ResponderExcluir
  3. A vida é uma caixinha de surpresa, como dizia a música do Jonh Denver lá no passado: Some days are diamonds, some days are stone. Que bom que apesar dos momentos difíceis, conseguiram percorrer tudo com otimismo e as tudo vai se ajeitando sempre da melhor maneira possível. Um Reolhar mais que necessário!
    Abraço!

    ResponderExcluir
  4. Eu estou passando por um dos momentos mais difíceis da minha vida e durante muitos anos só olhada para as dificuldades, não conseguia ver as coisas boas que ao mesmo tempo aconteciam. Hoje por mais que esteja difícil consigo enxergar que tudo teve um propósito e que fui muito abençoada e ainda continuo sendo, às vezes precisamos parar de ficar focando nos problemas e olhar para a solução. É muito difícil fazer isso mas é como você disse "vai melhorar" e "olha o quanto eu caminhei para chegar até aqui... e como tá bom aqui!"

    Apenas eu, Day

    ResponderExcluir
  5. Elaine:
    Sempre lembro do Chico Xavier que num momento de extrema alegria recebeu a seguinte mensagem de seu mentor.
    'Chico o bom passa, mas o ruim também'.
    Sendo assim nos convidando a ter equilíbrio na alegria e nos desafios.
    Então ter essa certeza nos trás paz.
    Que tudo fique bem contigo.
    beijocas

    ResponderExcluir
  6. Nossa,parece que foi ontem e lá se foram 5 anos...Lembro da sua angústia,dos seus medos,da sua tristeza.Torci muito por vocês. Que bom que tudo ficou bem.Vocês venceram.E que venham mais coisas boas.
    Agora,só falta aprender a dirigir.
    Abraços

    ResponderExcluir
  7. Eu precisava ler um texto como esse hoje. Muito obrigado!

    ResponderExcluir
  8. Olá Elaine, quando tudo aconteceu foi quando comecei a ler seu blog. E foi a primeira vez que ouvi falar da doença. Vc é uma pessoa grata, já lhe disse isso, dos sentimentos mais sublimes (quanto a mim) que um ser humano pode exprimir. Sua vida não é um caminho de flores mas vc tira o melhor dela, e é feliz. Beijos, boa semana.

    ResponderExcluir

Olá! Muito obrigada por ler meu blog e obrigada também por se dispor a comentar meus posts. Seja muito bem-vindo(a)!

Importante!
Devido à falta de tempo hábil eu não me comprometo a responder perguntas referentes aos tutoriais postados neste blog.
Pedidos de ajuda individual serão respondidos conforme o meu tempo e disponibilidade permitirem.
Por favor, entenda: comentários sem relação alguma com o post não serão liberados e nem respondidos.

Para saber mais sobre a melhor forma de utilizar este blog leia Termos de uso do blog.



Muito obrigada, fique à vontade para interagir.
Mas lembre-se:
Gentileza, educação e boas maneiras servem também para a vida nos blogs…