Samantha! - para reviver os loucos anos 1980 - * Blog Elaine Gaspareto *

Samantha! - para reviver os loucos anos 1980

Publicado em 10/07/2018

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Dias atrás estreou na Netflix a primeira série original brasileira de comédia do serviço de streaming. E a série é um daqueles acertos totais, do elenco adulto bem escalado ao figurino , cenário e trilha sonora maravilhosos.

Samantha!, assim mesmo, com o ponto de exclamação no final porque a protagonista mudou de nome para tentar voltar ao estrelato (quem nunca?) conta a estória da ex-estrela mirim e líder dos Plimplons que foi, durante anos, a "criança mais amada do Brasil" e lotava shows, apresentava um programa infantil chamado Turminha Plimplom e, prova máxima da fama, tinha até uma boneca pra chamar de sua.

O tempo passou, Samantha cresceu, perdeu a graça e a fama, se casou na cadeia com o ex-jogador de futebol Dodói, teve com ele 2 filhos e agora busca desesperadamente ter de volta a fama que, na verdade, ela nem admite que tenha perdido. Samantha vive em um mundo próprio, parado no tempo, uma bolha oitentista... Apenas a relação com os 2 filhos a tira desse estereotipo e a faz parecer mais "normal"... Se bem que normal é tão relativo, né?

A série começa com Dodói saindo da cadeia e indo parar justamente na casa da protagonista.
E ali ela percebe que "casal vende" e este é o começo de todas as loucuras que ela faz pra voltar a mídia que mais ama: a televisão.
Acontece que a televisão que Samantha! ama e para onde sonha em voltar não existe mais; aquela televisão louca dos anos 1980, com suas cores, seus ídolos tão característicos, suas piadas ácidas e seus absurdos (como uma criança fazendo comercial de cerveja, ou o mascote Cigarrinho) simplesmente não existe mais.
Essa televisão, como decreta Cigarrinho no 1º episódio, morreu.
Novas mídias, novo jeito de ver televisão (Netflix, é você?) e estamos em 2018 com as telas que cabem na palma da mão.

A série tem aquele saudosismo que até quem não viveu os anos 1980 vai curtir.
Minhas impressões estão bem frescas na memória, acabei de assistir a temporada toda, que tem 7 episódios, de uma vez, sentei e fui vendo todos os episódios, sem sentir, sem cansar, sem querer parar.
Além de ser bem leve e fácil de ver Samantha! tem, ao final de cada episódio, um cliffhanger que faz a gente passar para o próximo episódio quase sem pensar...


Como eu disse no começo, a escalação é certeira.
Emanuelle Araújo entrega uma Samantha perfeita, com paixão, com um carisma incrível e com muita verdade. Incorreta, longe de ser uma heroína, deliciosa de ver e apaixonante.
Douglas Silva convence como o ex-jogador e ex-presidiário Dodói, e somente no último episódio temos um vislumbre do motivo que o levou a ficar 12 anos preso. E sim, é uma surpresa daquelas que a gente espera.

Como eu disse (e a gente experimenta toda hora e todo dia) outras mídias surgiram, e a série traz uma personagem maravilhosa, a digital influencer Laila, que tem 5 milhões de seguidores no Instagram, é muito famosa mas ninguém sabe dizer exatamente o motivo (imagina, isso non ecxiste...).
Lorena Comparato é um destaque na pele da digital influencer, afiada e dona de algumas das melhores falas.
Credo, me deu um choquinho ao reconhecer na personagem legendas que lemos toda hora nas redes sociais da vida, falas inteiras que vemos em vídeos do Youtube... quando foi que ficamos assim tão ligados em digitais influencers? (odeio o termo, aliás). Que medo de parecer uma rsrss

Outro destaque, que faz o personagem mais nonsense da série, fica por conta do ator Daniel Furlan, do Choque de cultura.
O ator é maravilhoso e o personagem Marcinho (empresário/agente golpista e malandro da Samantha) tem as falas mais divertidas e amalucadas da série. Uma delícia de ver!

Apesar da série ser muito leve,divertida e bem feita, tem alguns pontos que são mais fracos, como por exemplo os atores mirins. São bem limitados, e em alguns momentos fica a sensação que o texto é enunciado demais, falta naturalidade, falta direção de elenco.
Também tem episódios que achei mais arrastados (o que não deveria acontecer numa temporada tão curta) como por exemplo o episódio do reality show com um famoso cantor romântico que já casou 7 vezes chamado Flávio Jr.
Apesar de ser interessante (a interpretação do ator Paulo Tiefenthaler é caricata, over, deliciosa de ver) o episódio foi o que menos gostei, achei arrastado, como disse.


Muitas referências aos anos 80


É sem dúvida alguma uma série que merece sua atenção.
É leve, é divertida, tem participações especiais como a da Gretchen, por exemplo, da Alice Braga, que é uma das produtoras da série e protagonista de A Rainha do Sul, e da Bianca Comparato (aparece numa única cena, se piscar perdeu), protagonista da outra série Netflix by BR, 3% e vem cheia de referências aos anos 80.
Cata essas que separei:


  1. Mascote politicamente incorreto: O personagem de Ary França é um assistente de palco cuja fantasia é, isso mesmo, uma caixa de cigarros. E não soa tão absurdo assim quando lembramos que Xuxa apresentava seu Xou da Xuxa dividindo o palco com dois auxiliares chamados Dengue e Praga. Isso jamais seria possível hoje, né?
  2. Programas de auditório infantis: Nos anos 1980 floresceram alguns dos maiores sucessos das festinhas infantis: Xuxa, Mara Maravilha, Angélica, Balão Mágico. Samantha e seus dois colegas da Turminha Plimplom, além de cantarem, também tinham um programa próprio onde recebiam várias cartinhas dos fãs. E Samantha diz para Laila, em um dos episódios: um fã meu daquela época vale umas 100 mil curtidas em uma foto sua. Naquele tempo, pra ser fã, era preciso escrever a carta, enviar pelo correio, esperar que um dia eu lesse a sua carta no ar. Hoje, pra ser fã, basta tocar a tela do celular, nem se compara.
  3. Fofão, é você? Mascote da Turma do Balão Mágico, o personagem interpretado pelo humorista Orival Pessini (1944-2016) foi lembrado pela série duas vezes: a primeira, mais direta, vem quando Zé Cigarrinho está sozinho na sala de Samantha e, ao escutar uma voz, pergunta se é o amigo tentando se comunicar. Em outro momento, a série brinca com a lenda de que o boneco do Fofão viria com uma faca dentro -- mas nela a faca vem em uma boneca da própria Samantha.
  4. Bonecas das famosas: Falando nisso, quer coisa mais anos 1980 do que boneca de artista? Foi com a Xuxa que essa moda estourou, abrindo caminho para as bonecas de outras apresentadoras, como Angélica e Eliana. Pois Samantha também teve uma boneca para chamar de sua -- e a considera como um símbolo do que era ser famosa de verdade.
  5. Disco tocado ao contrário: Até hoje há um mito de que os discos de Xuxa, se tocados de trás para frente, trazem uma mensagem satânica. E os filhos de Samantha, Cindy e Brandon, descobrem que o álbum dos Plimplons também trazem uma mensagem sublimina...
  6. Gretchen: Uma das grandes musas brasileiras dos anos 1980, ela faz uma participação pra lá de especial no quarto episódio da série. E, coincidência ou não, a rainha do bumbum foi interpretada justamente por Emanuelle Araújo em "Bingo - O Rei das Manhãs", filme de Daniel Rezende sobre o palhaço Bozo, outro ícone oitentista.
  7. Fábio Jr.: Galã dos anos 1980 na música e na TV, ele serviu de inspiração para um personagem da série que está indo para seu sétimo casamento -- o mesmo número do cantor.
  8. Simony: embora diretor, roteirista e elenco neguem dicunforça é muito clara a inspiração na vida da Simony para compor a estória de Samantha e Dodói.
Fonte: Uol Entretenimento
Para finalizar veja o trailer oficial:



Viu que me empolguei, né?
E não fui só eu não: marido assistiu tudo, de uma vez, um dia antes de mim.
Esse é maior selo de qualidade da série pois ele tem imensa dificuldade de se concentrar, sentar e realmente assistir algo que não seja novela.
Talvez a série tenha um quê de novelesca, mas de um jeito bom.
Vai lá e depois me diz.
Divirta-se!





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5 comentários:

  1. Olá Elaine, vi a propaganda desta nova série, porém não tive tempo de assistir. Amei o seu post repleto de curiosidades. Obrigada. Boa semana!

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    1. Fernanda, se tiver chance, veja. É tão leve, tão fácil de ver, que a gente nem sente...
      bjssss

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  2. Oi Elaine,
    Devido a sua indicação, fui assitir na Netflix, mas cheguei lá e vi que tinham colocado novos episódio de "Anne", que eu adoro, acabei me perdfendo... mas, quero assitir, sim!
    Beijos

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    1. Anne é minha próxima da lista, em geral evito séries curtas porque aí é aquela agonia esperando temporada nova... mas Anne eu assisti e caí na armadilha. Bora pra segunda temporada rsrsr
      bjssss

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  3. Estou olhando com minha filha de 10 anos e estamos adorando.Muito divertida....

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