Preconceitos: os meus, os seus, os nossos... - * Blog Elaine Gaspareto *

Preconceitos: os meus, os seus, os nossos...

Publicado em 14/07/2018

Tempo de leitura:

Se você acompanha meu blog há mais tempo talvez saiba que eu tenho uma sobrinha, filha do meu irmão, que nasceu de modo inesperado. Falei do caso aqui: Hoje é dia de Beatriz
Quando ela nasceu os pais estavam separados há algum tempo. E um tempo depois a mãe dela, minha ex-cunhada, conheceu e foi viver com uma mulher. Viveram juntas por uns 3 anos, eu acho, e a Bia sempre conviveu, desde pequenininha, com o fato da mãe namorar uma mulher, e o papai morar em outra casa, eram vizinhos inclusive. Vida que segue.

A menininha hoje tem 5 anos, é uma criança inteligente, falante, esperta e muito bonitinha, uma mini-gente com uma afetuosidade imensa, que é agarrada ao papai e que tem personalidade. Uma criança como todas as outras, portanto.
Ela está na escola e uma van escolar leva e busca. Pois bem.

Dia desses ela, a Bia, saiu da escola e ia passar a tarde na casa da minha irmã, pra brincar com meu sobrinho.
A van escolar a deixou com minha irmã, que de cara estranhou a menina estar quieta, não querer comer, ficar amuada.
Num determinado momento a pequena resolve conversar e pergunta:
"Tia Lisa, eu sou fedida?"
Minha irmã, mãe de 3 filhos, 2 dos quais são negros, sacou na hora que ali tinha coisa. Imaginou que alguém a teria agredido por ser negra.
"Não, Bia, claro que não. Por que você falou isso?"
"É que a fulana, na minha van, falou que eu sou fedida porque minha mãe é sapatão. E que ela não quer sentar perto de filha de sapatão."

Minha irmã consolou a criança e ligou pra mãe dela. O resto da estória eu não sei, a mãe disse que ia troca-la de van, ia fazer algo mas é claro que isso é só a ponta do iceberg...
A menina que agrediu minha sobrinha é filha de testemunhas de Jeová, mas poderia ser de qualquer religião mais radical, ou de religião nenhuma...
O problema, bem sabemos, é muito mais amplo do que simplesmente preconceito advindo de convicções religiosas radicais...
Preconceito... todos temos. quer sejamos religiosos, ateus, agnósticos, o que for...


Eu, você, o vizinho, a pessoa boa, a pessoa irritante, o padre, o pastor, o médico, o catador de papel, a professora, a faxineira....
Todos temos, a diferença é como lidamos com os preconceitos enraizados em nós.
Não me diga que você não tem preconceito algum, não me convença.
Reolhe pra si, eu faço isso o tempo todo e acredite, encontro em mim preconceitos que a vida toda confundi com convicções, confundi com opiniões, confundi com personalidade. Talvez isso aconteça contigo também...

A gente não gosta de se identificar como preconceituoso. É feio, é vergonhoso, é ruim.
Mas é isso aí, todos nós temos preconceitos e eles afetam a nossa forma de viver. Em graus diferentes, claro, mas basta olhar com mais atenção pra si e a gente encontra ele lá, o tal do preconceito...

Preconceito
de cor: ("ela é moreninha graças a Deus, o pai é que é negro retinto"; "corta/prende/amarra esse cabelo, tá muito esquisito";)
de etnia: ("agora a cidade tá cheia de chines, esse povo sabe fazer negócio, vão dominar as loja tudo"; "é um piauí bom de trabalho na roça")
de orientação sexual: ("eu sei que ele é viado, mas precisa andar daquele jeito?"; "no meu time jamais a torcida vai aceitar jogador bicha";"não quero meus filhos fazendo amizade com filho de sapatão/gay/mãe solteira"
de orientação religiosa: ("crente, deus-me-livre, eita povo chato" ; "essa gente que não crê no Senhor, vão arder na chama do inferno" "ela é macumbeira, não mexe com ela"; "pastor é tudo ladrão"; "padre é tudo pedófilo")
de orientação político-partidária ("coxinha"; "petralha"; "alienado, não gosta de política por isso o país tá assim"; "comunismo é coisa de sociopata")
de gênero: ("mulher amadurece mais rápido, né?" ; "mulher não deve dizer/pensar/sentir/fazer isso"; "homem não chora"; "isso não é cor pra menino usar, é coisa de menininha"; "mulher no volante...")
de peso: ("gordo fazendo gordice"; "gordice"; "magra demais, parece que tá com alguma doença séria"; "não temos peças do seu tamanho"; "essa cadeira não comporta pessoas como você"; "se emagrecer vai ficar ainda mais linda, tem um rosto tão bonito")
de estilo de vida: ("ela é muito egoísta, nem filho quis ter, que horror"; "4 filhos?????" ;"tatuagem pequena até vai, mas desse tamanho?";  "encheu a casa de gato/cachorro/"; "não casou, só vive junto, e já é a terceira vez"; "com essas roupas, depois reclama se a gente chama de puta"; "tem amigo maconheiro, boa coisa não é",

E por aí vai...


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10 comentários:

  1. Perfeito Elaine! Todos nós temos que aprender a não tomar conta das particularidades da vida do outro que não interfere na nossa.
    Abraço!

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  2. Elaine, o relato da sua sobrinha me deixou um pouco abalado, é triste ver que nem as crianças se salvam do ódio humano que vem induzindo-as a odiar, e muitas vezes se odiarem. Lembrei de quando era menor, odiava a minha cor e queria ser mais claro, queria ser branco, pois todos os meus amigos brancos eram admirados e eu queria que alguém achasse algo bonito em mim. Triste! Mas nem todas as crianças conseguem salvar a si própria do grande abismo que a sociedade num geral criou e as-jogam, criando adultos e jovens frustrados uns com os outros e consigo mesmo.

    Desejo uma boa recuperação emocional e psicológica para sua sobrinha e um grande empoderamento, espero que a outra criança não cresça como os seus pais. Triste ver isso.

    Beijos do Deivy!
    www.blogdodeivy.com

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  3. KKKK!!! Verdades incontestáveis.Eu me encaixei na orientação político-partidária. Infelizmente não tem jeito. KKKK! Sou coxinha.Já fui petralha e me senti ludibriada.O resto,eu tiro de letra.Não me me meto e fico na minha.Não resta dúvida que ver dois homens beijando na boca ou vice-versa é meio estranho,coisas dos novos tempos.Quem sou eu para julgar alguém? Criança só repete o que ouve em casa e é aí a origem do comentário maldoso. Abraços.

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  4. Elaine:
    DifiDil





    Fificil
    a falta de respeito.
    😘

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    1. Oi Elaine,
      Desculpe estar comentando na resposta da Sônia, mas não consegui abrir campo de comentário. Tem mais um preconceito que você não incluíu aí, o de Idade, tenho sofrido um bocado ultimamente. Por exemplo: "Mas você está ótima para sua idade" (nenhum homem ouve um comentário deste ou uma mulher antes dos 30). "Você deve ter sido linda quando era mais nova" (quer dizer que estou horrorosa?). Tá começando a me incomodar...
      Que vontade de quebrar os dentes da menininha que ofendeu a Bia!!!
      Beijos

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    2. Betty, isso também poderia mesmo ser incluído... não havia pensando nisso...
      Eu nem queria quebrar os dentes da criança, mas se fosse minha filha com certeza ia chamar os pais pra uma conversa e explicar que religião não combina com agressão, ou não deveria combinar...

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  5. Muito triste o que aconteceu com a Bia.
    Eu sempre pensei que não tinha preconceito. Agora fiquei pensando no que li.
    Quando eu era menina, minha avó me disse. "Por mais esquisita que tu aches que uma pessoa é, lembra-te sempre que aos olhos de Deus és igual a ela".Minha avó era uma mulher do povo, bastante pobre que teve 13 filhos. Como ela mesma dizia, não sabia uma letra do tamanho de um comboio, mas me ensinou um monte de coisas que lembro até hoje e algumas já passo para a neta. Ela me dizia, que não era por acaso que tínhamos dois olhos, dois ouvidos, e apenas uma boca. Que era para falar apenas metade do que víamos e ouvíamos. Também me dizia que sempre que apontamos o dedo a alguém os outros quatro apontam para nós, o que quer dizer que somos 4 vezes pior. E que antes de abrir a boca para dizer algo, devo pensar se eu gostaria que alguém me dissesse o que vou dizer, porque uma palavra depois de dita, é como pedra atirada por garoto, nunca se sabe o estrago que pode causar.
    Um abraço e bom domingo.

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    1. Elvira:
      Quanta sabedoria da tua vó, uma benção a frente do seu tempo.
      Sempre digo que as crianças não são preconceituosas e sim os adultos as ensinam e quando adultas vão repetindo padrões.
      Tenha uma ótima semana.
      Sônia
      www.lugaresdicasecuriosidades.com

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  6. Importante a gente se rever constantemente, como minha avó dizia, se não tem nada bom para dizer, não diga nada... e como é difícil ensinar nossos filhos a serem fortes, a lidarem com isso. Os meus já sofreram muita coisa nesse sentido e sabem que o que importa é o respeito, principalmente o próprio, essas opiniões não definem nada, são só isso: opiniões. As pessoas hoje em dia vivem se achando no direito de dar pitaco na vida alheia e não enxergam além do próprio umbigo. Por outro lado, a diversidade vem sendo cada vez mais apresentada, na tv, na web, tanta gente dando exemplo dos bons em respeito à vida, seja como ela for. Que a gente aprenda a viver e amar o que se é, a não se importar com o que os outros pensam e a respeitar cada um do seu jeito. Né?

    beijossssssssss

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  7. As crianças aprendem com os pais e essa menina que ofendeu a sua sobrinha deve ter escutado algo dos pais. Jesus. não fazia acepção de pessoas e tenho certeza que deixamos ele triste quando fazemos isso com alguém. Quando vou a igreja sou julgada pela aparência por estar bem vestida ou por usar maquiagem e isso incomoda os outros. Então, as pessoas sem autoconfiança ou amor próprio julgam os outros sem dó nem piedade até mesmo homossexuais. Decidi, agradar a Deus e fazer a vontade dele ignorando os olhares opressores. Gostei do post e concordo, devemos respeitar as pessoas.

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