A saudade de ter saudade - Elaine Gaspareto- Dicas para blogs e inspirações para a vida

A saudade de ter saudade

Publicado em 08/04/2018

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Por conta da mudança na rotina de vida desde que meu marido foi diagnosticado com Esclerose múltipla e posteriormente demitido do trabalho e finalmente aposentado, passamos a viver 24 horas por dia juntos.
Eu, que já trabalhava em casa e sozinha nos últimos anos, de repente me vi com marido em casa o tempo todo, todos os dias, sem exceção.
Foi (in)tenso. E há momentos, 5 anos depois, que ainda são...

Engana-se quem pensa que, quando há amor e companheirismo, estar o tempo todo junto é maravilhoso.
Essa ilusão a gente tem quando é muito jovem e só namora, e sente aquela dorzinha quando o namorado vai embora depois de uma noite, ou dia, de namoro perfeito.
A gente pensa que seria maravilhoso passar todas as 24 horas de todos os dias, de todas as semanas, ao lado do nosso amado...
Mas, na prática (como quase sempre acontece) a teoria é outra rsrsrs

Tem dias que eu quero muito ficar sozinha. Sinto um leve sufocamento aqui na minha pequena casinha de 47 metros quadrados rsrsrs
Sinto saudade da rotina que tínhamos antes, ele saindo pra trabalhar, ou quando ambos saíamos bem cedo e nos víamos de noite.
Sinto saudade do tempo que a rotina era apertada e nosso tempo juntos era escasso, e sempre ocupado com tanta coisa por fazer.
Eu esperava ansiosa uma folga dele, um final de semana, um feriado.
Sinto saudade de ter saudade...

Hoje os dias são todos iguais, e já me peguei confusa sem saber que dia da semana era.
Aconteceu hoje, acordei crendo que fosse segunda-feira, plena manhã de domingo...
Fiquei pensando nisso, em como foi preciso, e ainda é, todo dia um pouquinho, ajustar a vida à nova realidade que a vida trouxe.
Foi preciso isso, reolhar tudo, e não só uma vez, mas todo dia, e achar meios de não ficar doida, ou agoniada, ou não deixa-lo doido e agoniado...

No começo ele acordava no mesmo horário de sempre, bem cedo, e não dormia mais. Isso me punha louca porque eu tinha uma rotina de trabalho diferente, varava madrugadas trabalhando e acordar 5 e meia da manhã era tenso.
Mas ajustamos.
E ajustamos horário de cozinhar, de limpar, de sair pra ir na cidade, ir ao posto médico (outra coisa tensa, ter que sair todo dia, eu amo ficar em casa, sou capaz de passar 1 semana tranquilamente sem por o pé no portão de casa), de dormir e de acordar.
Ele parou de sofrer tanto pela falta do trabalho, aceitou que a vida mudou, e eu fiz e faço o que posso pra aceitar também.
Tenho tentando olhar de novo para cada situação e achar nela um lado positivo (eu, Pollyanna), achar um jeito de viver a nova vida que temos.
Sim, ganhamos uma nova vida... em todos os sentidos!

Tem dado certo.
Nossa vida é boa, é mais que boa.
Olhar a situação e extrair dela o melhor possível não é simples, e nem sempre a gente consegue, mas sabe?
Quase sempre dá certo.
Mesmo quando a pessoa acorda de manhã, em pleno domingo, achando é segunda-feira, dia de ir na cidade resolver a vida...

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9 comentários:

  1. Realmente as coisas mudam... Aqui também com problemas de doença sempre cuidada e tratando... E a aposentadoria que chegou... Todos os dias juntos sempre. Muda tudo mesmo. mas no fim, cada um no seu quadrado , mesmo juntos é legal. Saber adaptar-se sempre na vida é preciso! bjs, chica

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    1. Chica, isso de todos os dias junto é complicado, mas vc tocou num ponto: conservar o mínimo de privacidade.
      Aqui tenho 2 regras: se estou cozinhando nem passa pela cozinha (até porque nem cabe rsrsr) e no escritório, se estou trabalhando só a Menininha pode ficar, senão me perco.
      Eu me escondo aqui de vez em quando pra não ficar muito doida rsrsrsrs
      beijossss

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  2. Olá Elaine, o título do seu depoimento é lindo e diz tudo. Mas como sempre vc tira as melhores ilações e vê o lado bom de situações mais desconfortáveis. Ter esse dom e essa gratidão não é para todos. Beijos, boa semana para vc e marido.

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    1. Val, nem sempre consigo não, garota!
      Tanto que faz anos queria falar disso aqui mas ainda não tinha achado o lado bom da coisa pra poder falar com equilíbrio rsrsr
      É uma luta de todo dia, mas felizmente a gente já tá muito bem adaptado, só de vez em quando eu pergunto: "marido, não vai na casa da sua mãe hoje?" rsrsrsrs

      beijosssss

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  3. Poxa, Elaine ,cinco anos já ? Parece que foi ontem que você contou como foi descoberto,como foi o início do tratamento, todas as aflições que vocês passaram Entendo perfeitamente E como são difíceis as transformações, as mudanças de rotina Tenho aprendido que nem sempre a vida é o que a gente quer e sim uma realidade a qual a gente tenta se encaixar
    Que bom que vocês têm conseguido se encaixar na de vocês
    Isso é sabedoria
    Ótima semana para ti
    Obrigada pela reflexão

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    1. Sim, menina, mais de 5 anos já.
      E sabe? No dia a dia parece que sempre foi assim, só de vez em quando a gente lembra que um dia foi diferente rsrsrs
      bjsss

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  4. Aceitar as mudanças que a vida nos impõe realmente não é fácil. Mudei minha vida completamente (mudei de estado) há dois anos e meio e adaptação não tem sido fácil. Cheguei a desenvolver uma depressão, mas estou me cuidando. Hoje entendo que a mudança (não só territorial), mas interna eram necessárias. Tento diariamente, assim como você "olhar a situação e extrair dela o melhor possível [...].

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    1. Nelson, aqui também a gente teve um começo complicado, e escrevo isso hoje porque o pior já passou.
      Acredite, aos poucos melhora, e a gente percebe que somos muito mais adaptáveis do que imaginávamos antes...
      Te cuida mesmo, tem horas que é bem desesperador encarar mudança, seja interna, seja externa...

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  5. Elaine, a vida de verdade é assim mesmo,é preciso muita compreensão e respeito em relação a privacidade um do outro ou dá treta. Ou fazemos a regras darem certo ou a vida não vai ser legal, tolerável. Tenho tentado convencer minha mãe a vir morar comigo, nem sei no que pode dar, mas...se for preciso a gente se adapta, ou não.
    Adorei a postagem e o título!
    Abraço!

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