Melodia interior: cante a sua!

musicaHá uma lenda (verdadeira como todas as lendas) sobre uma aldeia africana que conta algo muito interessante.

Dizem que quando nasce uma criança nesta aldeia todas as pessoas se reúnem para celebrar. Todos juntos fazem um circulo em torno do recém-nascido e entoam uma canção única e exclusiva, uma melodia composta com o auxílio de todos e que para sempre será a música daquela criança. É a música dela, somente dela, e sempre será cantada em aniversários, casamento, recuperação da saúde em caso de enfermidade.Sempre em momentos importantes. E finalmente será cantada pela última vez quando a pessoa morrer.

Quando uma pessoa da aldeia, por algum motivo, faz algo horrível, como trair alguém por exemplo, ou roubar, o ritual do nascimento de repete. Toda a aldeia se reune em torno da pessoa que errou, formando um círculo fechado do qual é impossível escapar. E vão fechando o círculo… e começam, devagarinho, a entoar a canção especial daquela pessoa, a melodia única que a diferencia de todos os demais. E cantam por um longo tempo…

T145-1ASabe por que a aldeia entoa a canção? Para relembrar à pessoa que se desviou e fez algo terrível a sua essência. Cantam para relembrar à ela sua importância, seu imenso valor, sua preciosidade enquanto pessoa. E com isso fazer com que ela volte, que se reitegre à comunidade. Cantam para mostrar que não é um erro que define alguém, mas sim seu valor como pessoa. E que quando há amor sempre é possível voltar.

 

Duas coisas me chamam a atenção nesta lenda: primeiro o presente que é ter alguém que conheça nossa música, a nossa melodia interior. Sabe aquela pessoa (ou pessoas) que nos conhece, que nos acolhe, que sabe quem somos e que nos diferencia dentre a multidão? A pessoa (ou pessoas) que nos ama de verdade, independente do momento, dos erros, das falhas…Aquele alguém que conhece nossa melodia…

A outra coisa que me comove na lenda é que em alguns momentos da vida nós mesmos podemos nos esquecer de nossa melodia interior, de nossa essência, de nossa preciosidade.Erros, coisas que fazemos e que não gostaríamos de ter feito… coisas que fizeram à nós e que nos feriram e nos fizeram desacreditar, sofrimentos que passamos e que foram esmaecendo o brilho da nossa melodia interior. Mas então… ah! Aqueles que reconhecem nossa melodia, aqueles que falei no começo, que nos acolhem, se reúnem em torno de nós e nos envolvem em um círculo de proteção. E cantam pra nós a nossa música. E nos recordam o quão especiais somos…

Desejo a você, neste mês de maio que começa, duas coisas: que sempre exista em sua vida aquela pessoa (ou pessoas) que conhece a sua melodia, que sabe de fato quem você é. E que cante pra você quando, por algum motivo, você precisar.

E desejo finalmente que jamais a sua melodia interior seja esquecida. Que você jamais esqueça quem é de verdade, independente do que aconteça, do que lhe façam, do que lhe digam. Deixe sempre sua melodia tocar…

Feliz mês novo pra você!!!!

Importante:

Devido aos muitos pedidos decidi prorrogar o prazo de envio dos trabalhos participantes do Concurso Literário 2012 até o dia 08/05/02012. Até agora recebemos quase 40% a mais de textos do que no concurso anterior! Delícia!

Então, se você deixou para a última hora, e ficou triste porque perdeu o prazo, vem!!! Ainda dá tempo! Até domingo, dia 08/05/2012, tá?

Por que que a gente morre?

Há uma cançao chamada 8 anos, que a cantora Paula Toller compôs para seu filho Gabriel que diz, em um certo trecho:

"Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?
Do qué é feita a nuvem?
Do qué é feita a neve?
Como é que se escreve
Reveillón?"

Perguntas que as crianças fazem, mas que esta mulher de 39 anos também faz, uma delas ao menos... Por que que a gente morre? E depois que morre, pra onde a gente vai? O que acontece com a gente?

Fiquei pensando muito nisso esses dias, muito mais do que penso habitualmente. Desde que soube da morte da Glorinha Lion, do blog Café com bolo e Glorinha.

Glorinha estava doente, gravemente doente, com um melanoma inoperável. Excelente escritora, dona de um dom enorme com as palavras, eu a conheci mais de perto quando me concedeu um bate-papo sobre seu livro Na esquina do tempo, nº 50 (confira a entrevista aqui). Uma leitora portuguesa me deu a notícia; nem sei dizer como fiquei triste…

Fiquei triste pela vida perdida, pela perda, pela forma como o câncer se manisfestou e a levou tão rápido… sem chances de lutar. Sei que as pessoas morrem, mas ainda me choca uma pessoa-blogueira morrer. Alguém tão próximo e ao mesmo tempo um estranho… Enquanto escrevo olho o blog dela… há tanto dela ali… nas palavras, nas cores escolhidas, nos detalhes… Será que ficará ali pra sempre? Seria bom…tipo um memorial da grande escritora que ela era, da blogueira cheia de ideias, dada à interação, franca e direta sempre. Fiquei triste, tive por ela meu dia de luto…

E me ocorre de novo a pergunta: por que que a gente morre? Será mesmo que a gente morre? E se a morte não é o fim, então o que acontece depois dela? Nosso "eu" humano se recusa a aceitar que podemos ter o mesmo destino dos outros animais… Nos agarramos ferozmente à convicção da centelha divina que nos torna(ria) eternos… Uns creem, outros acreditam que a morte é como um filme que termina: acabou o filme, acabou a vida, apague as luzes… Outros creem em segunda chance, renascer aqui outra vez…

Perguntas pessoais, e cada pessoa, dependendo de sua vivência, experiência e fé (ou não-fé, como era o caso da Glorinha) terá uma resposta diferente. Eu sei… durante muito tempo eu achei que tinha a resposta. Hoje não tenho mais a resposta, só me restou a pergunta…

E como toda pergunta decisiva só eu posso achar a resposta que me satisfaça. Nem que seja no fim de tudo, quando enfim as minhas luzes também se apagarem…

O momento em que fui mais feliz

60-GHá um ditado, que certamente você conhece, que diz: "Não há felicidade plena, o que existe são momentos felizes". De certa forma isso é verdade.

Creio que ninguém nessa vida é 100% feliz o tempo todo. Todos temos momentos ruins, momentos de dor, tristeza e solidão profundas. Momentos de desabar, de sentir o chão faltar. E todos temos momentos de puro encantamento, momentos felizes, alegres, plenos.

Fiquei pensando nisso esses dias… em meio às tormentas dos dias maus me peguei pensando nos momentos em que fui mais feliz.

Lembrei de tantas coisas, tantas coisas que ficaram no passado… muitas vezes um passado distante, noutras vezes um passado que foi ontem… Lembrei do dia quando, aos 8 anos, cheguei em casa dizendo pra minha mãe que havia passado de ano, da 1ª para a 2ª série, como a primeira aluna da classe. Lembro do abraço dela me levantando do chão, lembro dela feliz.

Lembrei do dia em que minha irmã nasceu. Minha irmã caçula, pequenininha e delicada, chegando em casa com minha mãe, de taxi. Nunca havia visto um taxi na vida. Nem um bebê tão pequeno. Eu tinha 6 anos e lembro exatamente. Lembro de ter sido feliz naquele dia; eu tinha já um irmão, mas ter uma irmãzinha era muita felicidade!

Lembrei, por esses dias, de cada pequena conquista: das redações lidas diante da classe toda, tantos elogios… lembrei de todos os momentos vividos dentro da igreja, do quanto fui feliz lá, quando ainda tinha inocência suficiente. Lembrei de quando dei um basta em um noivado ruim, do quanto fui feliz ao conseguir dizer que não queria mais.

Lembrei de tantas felicidades…Lembrei do dia do meu casamento, o quanto estava feliz e tranquila. Lembrei do dia que nos mudamos para esta casa, dia 03 de fevereiro de 2001. Lembrei do dia em que segurei a Ana Laura pela primeira vez em meus braços, do tanto de amor que senti e do quanto fui feliz naquela hora.

Lembrei do dia que criei este blog e lembrei de todos os dias que ele me fez feliz. De todas as pessoas queridas que me fazem feliz. De tudo que aprendi, de tudo o que vivi até aqui…

Tantos momentos felizes…

E agora que contei alguns dos meus, conte alguns dos seus pra mim?

 

E quer saber o mais louco, e mais impressionante disso tudo?

O melhor ainda está por vir!

Tem um mar imenso de momentos felizes esperando por mim. Tem um oceano imenso de momentos felizes esperando por você.

Bora mergulhar?

feliz semana nova

 

 

Importante:

Aos poucos estou conseguindo responder a todos os emails com pedidos de orçamento.E devagar estou conseguindo organizar minha agenda. Se você enviou email pra mim e não teve resposta por favor reenvie pois meu limite no formulário de contato foi excedido e eu, infelizmente, perdi alguns emails.

Aos clientes cujos emails eu já havia respondido e agendado o envio de amostras informo que esta semana estou retomando tudo conforme combinamos. Prometo fazer o possível para cumprir os prazos que pedi. Caso algum email tenha ficado sem resposta por favor reenvie. Muito obrigada pela paciência…

Tenho recebido alguns pedidos referentes ao serviço de "personal-blogueira" (não sabe o que é? Clique no link e conheça!)  Informo que abri mais 5 vagas em 05/04/2012 (neste momento restam 3). Então, caso tenha interesse envie um email para mim e a gente combina.

E pra encerrar:

Dia  30/04/2012 encerra-se o prazo para o envio dos trabalhos participantes do Concurso Literário 2012.

O quê??? Nem sabia do concurso?

Então clique para:

Participe! Pode ser sua chance de ter um trabalho literário seu impresso em um livro de verdade!

As pessoas que você ama sabem que são amadas por você?

bloquinho
Sabe aquele ditado popular: “Fale bem ou fale mal, mas fale de mim”? Então, eu discordo dele.

Eu fico pensando que não é verdade esse ditado do “fale bem ou fale mal…”. Todo mundo gosta de elogios, mas especialmente todo mundo gosta de ser querido. E como saber se ninguém diz?

Às vezes a gente ama muito uma pessoa; seja o marido ou esposa, sejam os filhos ou irmãos, os pais, aquele amigo ou amiga de todas as horas. Amamos muito mas jamais dizemos. Pensamos: “Ah, ele sabe!”.
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Sim, pode ser que a pessoa saiba. Mas a palavra tem vida, tem alma, tem força! Saber é bom, e os gestos e atitudes são mesmo essenciais para alimentar e demonstrar o amor.

Mas a palavra… ah! a palavra!
Nada se compara a um sincero “Eu amo você!”
E palavras de elogio são uma turbinada e tanto na auto estima (junto? separado? comoescreve?) e faz a gente ser ainda melhor! Duvida? Experimente elogiar uma criança: ela tentará ser cada vez melhor!
Pois é isso que no fundo a gente é: criança que gosta de afeto!

Não sei quando e nem a que horas você está lendo isso mas:
As pessoas que você ama sabem que são amadas por você?

Agora não seria uma boa hora para dizer? Ou telefonar. Ou mandar um e-mail…
Boa semana nova para você!

Tantas Lilianes, tantas Eloás, tantas Sílvias

T210-2BEnquanto escrevo este post chega ao fim o julgamento em primeira instância do assassino da Eloá. Ainda não se sabe o que será dito pela juíza que preside o julgamento. E enquanto leio as notícias, lembro de um outro caso, muito pouco conhecido, que aconteceu aqui em São Joaquim da Barra há uns 5 anos atrás.

Havia uma menina que trabalhava em uma fábrica de calçados, mesma profissão que eu exerço. Cidade pequena, poucas fábricas, eu a conhecia de vista. Liliane. Ela tinha um namorado, trabalhador desempregado do corte de cana, sujeito quieto e muito ciumento. Brigavam, reatavam… até que um dia ela decidiu terminar de vez e seguir a vida. Ele passou a insistir pela volta, ela dizia a ele pra seguir o caminho dele e deixar que ela seguisse o dela.

Uma quinta-feira à noite ele bate no portão da casa dela, e de acordo com o irmão e os pais, diz a ele que ali estava pra dar uma última chance dela "criar juízo" e voltar a namorar com ele. Última chance, ele disse. Ela, muito calma, diz que não, que não o ama mais, que quer a felicidade dele mas que pra ela acabou mesmo. Ele vai embora, e ao sair repete: "Tem certeza? É sua última chance"

Na sexta-feira de manhã ela, junto com o irmão (trabalhavam na mesma fábrica) chega pra trabalhar. O dia, está apenas começando, é pouco mais de sete da manhã. A fábrica (conheço o lugar) tem um corredor comprido, e no começo do corredor tem um tanque que as meninas usam pra lavar panos de limpeza. O tanque fica a uns 20 metros do fundo da fábrica, talvez um pouco mais.

No momento a moça está sozinha lavando os panos que usou pra limpar o balcão de acabamento no qual trabalha. O ex-namorado, que passara a madrugada amolando o facão,  pára a bicicleta na calçada, desce, se dirige até ela e ergue o facão de cortar cana que usava pra trabalhar. O primeiro golpe atinge os dedos da mão direita, decepados imediatamente. Ele visa o rosto, ela ergue as mãos, e novamente ele a atinge. Decepa dedos, a mão esquerda e finalmente, em menos de 30 segundos, atinge o pescoço dela. Vários golpes, e o irmão vê o ataque quando já é tarde demais. Ele corre, tenta defender a irmã, é atingido também.

O assassino sai do corredor calmamente, sobe na bicicleta e enquanto o choque domina ele ganha os poucos minutos necessários para fugir. Entra na casa de um amigo, que o ajuda, queima a camisa ensanguentada e ganha roupas novas para fugir. Recebe também a ajuda de um outro amigo, que chama um moto-taxista que o leva até uma fazenda. Lá ele é capturado rapidamente. Está preso, acusado de homicídio, tentativa de homícidio, roubo e porte de drogas.

Quem me contou a estória foi meu patrão, assustado e chocado; ela havia trabalhado para ele tempos atrás, todos gostavam dela. No dia do velório as fábricas liberam os funcionários. Ela tinha 22 anos.

Se você quiser conferir alguns jornais relataram o caso: Jornal Pequeno e O Estado de São Paulo.

Coisas assim acontecem todos os dias. Sei disso. Mas o dia que eu perder a capacidade de chorar e me indignar com coisas assim eu estarei morta. Fico pensando…

Penso em como a lei é toda errada. Ele ficará preso o que? Uns 10 anos? Sairá da cadeia muito antes de envelhecer, aos 30 e poucos anos. Quantas vezes já não vimos isso? Minha mãe tem um vizinho que matou o guarda da empresa que ele invadiu pra roubar. O assassino foi absolvido porque fugiu do flagrante e hoje desfila lindo e saudável de moto(roubada).

Se eu defendo pena de morte? Sim, em muitos casos sim. Estupradores de crianças, assassinos reincidentes, pessoas perigosas que não possuem limite algum.

Mas defendo sobretudo leis sérias, sem brechas, que trancafiem um assassino pra sempre. Do que adianta condenar Lindemberg há 98 anos de prisão (ouvi agora a sentença) se ele sairá em 5 anos porque "tem bom comportamento"? Vide Guilherme de Pádua. E centenas de outros.

Tive uma prima assassinada pelo ex-marido (contei o caso neste post aqui, há muito tempo) e hoje ele casou de novo, está bem de vida e minha prima linda, de olhos verdes e tão parecida comigo é apenas uma lembrança. E uma dor para os pais e para os dois filhinhos que deixou…

Leis mais sérias, veredictos que sejam cumpridos, sem brechas pra salvar assassinos. Este é meu sonho pra hoje… pra que não hajam tantas Lilianes, tantas Eloás, tantas Sílvias…

Não deixe o momento passar!

Lembra dessa cena, do filme O casamento do meu melhor amigo?

O filme é lindo, um dos meus preferidos. E esta cena sempre me fez pensar…
Ela quer falar, quer dizer que o ama, que não quer que ele se case…
Mas… ela não diz, o momento passa e quando o momento passa… foi-se… E quando o momento passa por você ele não volta.

Já pensou nisso? Nos momentos que perdemos, nas coisas que não dissemos, no beijo que não demos, no amor que não demonstramos?
A gente ama, a gente tem afeto e ternura mas não diz, não demonstra. E o momento passa…

O marido sai de casa para trabalhar e a gente, porque está chateada, não beija, não abraça, não diz “Vai com Deus”. Daí acontece uma coisa ruim e ele não volta mais… não é só o momento que passa…

Os filhos crescem, e já não aceitam numa boa o afago. Porque nunca foram afagados quando pequenos. Então afague agora enquanto são pequenos, para que eles cresçam acostumados a abraços e beijinhos.
E mesmo que as pessoas perto de você pareçam incomodadas com o carinho, é fato: todo mundo gosta de afeto real.

Sentiu vontade de presentear e não é data especial? Presenteie. Sentiu vontade de beijar e abraçar e está no meio da rua, ou no supermercado com o marido? Beije. Não deixe passar o momento!
Assim também para desabafar. Esfriar a cabeça é bom, mas coisas engolidas esfriam o coração. Sentiu que é o momento? Fale. Com mansidão, mas fale.

Não deixe o momento passar. Pois ele pode não voltar mais…
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Segundas chances

Há uns 20 dias atrás, numa dessas madrugadas insones, eu me peguei assistindo ao Agora é tarde, programa comandado pelo Danilo Gentilli. Sim, aquele mesmo do CQC.

Claro que, sendo eu uma criatura avessa ao humor altamente questionável do rapaz, ia já mudando de canal quando percebi que ele, alto e bem vestido em um terno, segurava no colo um filhotinho de cachorro que cabia tranquilamente em uma das mãos.Parei, dedo no controle remoto, pra ver o que viria, qual bizarrice aconteceria.

Danilo Gentilli e a filhotinha que ele adotouPois bem, querido leitor,eu me enganei. Durante uns 5 minutos (um tempo enorme em televisão) o apresentador, com a filhotinha aninhada junto a ele,  falou da importância de adotar e jamais comprar um animal de estimação. Deu endereço da ONG que promove adoção, falou sobre como é cruel a indústria dos filhotinhos, e insistiu na adoção. Terminou dizendo que o filhotinho que segurava, uma cachorrinha aliás, já era dele. E que quem quisesse ajudar a escolher um nome pra bichinha poderia enviar para seu twitter. Beijou a filhotinha, entregou pra alguém da produção e reiterou o apelo à adoção de animais abandonados. A filhotinha  adotada estava sob os cuidados do Projeto Cel. Danilo já tem um outro cachorro, recolhido por ele e pela mãe, e que ficou paraplégico depois de muito apanhar na rua.

Não sou fã do apresentador, aliás questiono muito o humor politicamente incorreto dele. E isso me fechou para olhar e ver que ele pode sim ter outro lado, ter algo que eu possa gostar. Ou seja, por preconceito e opinião pré-concebida, eu não vi e não gostei. Depois do episódio do cachorrinho, parei pra pensar.

Isso acontece muito, na vida real, não é?

A gente forma uma ideia de uma pessoa. Baseada, muitas vezes, em apenas um aspecto ou faceta da pessoa. E isso meio que nos bloqueia pra ver o resto. Quantas vezes não nos pegamos antipatizando com alguém simplesmente porque alguém que gostamos antipatizou e nos "passou" o sentimento… Ou então vamos fechando uma porta por causa de uma frase, de uma conversa ou um email.

Cheios de si, não damos segunda chance, não tentamos nos colocar no lugar do outro, somos com os outros o que não gostaríamos que fossem conosco, ou seja: implacáveis.

Acredito que demora muito para conhecer alguém, para saber se realmente tal pessoa vale ou não a pena de passar por cima (ou por baixo, como dizia Santa Teresinha) das diferenças. E justamente por isso eu me policio muito, pra não sair julgando precipitadamente.

Claro que tem gente realmente má, que não vale mesmo a pena do esforço para ser melhor conhecida. Mas sabe? Em geral é o contrário. Acho que mesmo uma pessoa com mais defeitos que virtudes (do meu ponto de vista, que não é o único) tem algo de bom, algo que me permite senão gostar dela, ao menos conviver em paz.

Exceções há, claro. Afinal, gente má existe. Gente com a qual é impossível conviver, gente com atitudes e opiniões ofensivas.

E eu sempre penso que para o outro a  ofensiva, chata, inconveniente ou grossa  posso estar sendo eu, pois como diz a canção "tudo depende do lado que a gente está"…

Assim, vou tentando fazer com as pessoas o que eu gostaria que fizessem comigo: dando uma segunda chance. Geralmente dá certo… Claro que um gesto legal não elimina gestos e atitudes não-legais. Mas dá uma perspectiva diferente, né?

E nada como ver todos os lados da moeda…

Com quais pessoas você gostaria de se relacionar em 2012?

Pense em quais tipos de pessoas você gostaria de se relacionar em 2012. Esta tem sido minha reflexão nesses dias… Sim, vamos papear um pouco sobre isso!

Pense! Talvez você, assim como eu, diga que deseja encontrar em seu caminho neste ano novinho que começamos pessoas gentis, mas que consigam manter a sinceridade e franqueza sempre. Talvez você diga que deseja encontrar pessoas doces, educadas, que não falem gritando e que não furem fila no banco lotado.

Pessoas que sejam solidárias com a dor alheia, e que estejam dipostas a ajudar quando puderem. Pessoas honestas, que devolvem o troco errado, que não burlam as leis, que não se apossam do que não lhes pertence. Pessoas que cumprem o que prometem, que não mentem desnecessáriamente, que não caluniam e nem pré-julgam.

Talvez você, assim como eu, deseje encontrar pessoas capazes de sentir alegria sincera com as vitórias de um amigo; que amem e protejam o indefeso, seja ele bicho ou gente. Que saibam ver a beleza em pequenas coisas, e que reconheçam as pequenas felicidades do dia a dia… Pessoas que tenham otimismo e que não vivam reclamando de tudo, mas que, sendo humanas, também tenham momentos de "me abraça, quero colo!"…

Pense… com quais pessoas você quer conviver este ano? Quais características deseja encontrar? Doçura, amabilidade, gentileza, honestidade, sinceridade, afetividade, capacidade de relevar os erros alheios, de saber que ninguém é perfeito…

Pois então eu tenho um ponto de partida pra encontrar tudo isso… o ponto de partida somos eu e você!

Sejamos no mundo a mudança que queremos ver no mundo!(Mahatma Gandhi)

Simples assim!

Porque muitas vezes eu quero do outro aquilo que eu mesma não sou, exijo dos outros o que eu mesma não faço…

Então quero começar comigo. Em mim. E assim, gota a gota, posso ir construindo ao meu redor o mundo que quero. Demora, nem sempre há reciprocidade. Mas sempre é bom deitar a cabeça no travesseiro sabendo que não entristeci ninguém. Que não passei outra pessoa pra trás. Se eu pedisse algo à Deus este ano seria justamente isso: nunca ser responsável pela dor alheia…

Sei que eu sou uma gota no oceano, pequenina… mas né? Sem uma gota o mar seria menor… E de gota em gota podemos sim criar um mundo melhor à nossa volta, eu e você! Topa?

Feliz 2012!

Blog: para mudar uma vida!

É possível que um blog “salve” uma vida?
Estive pensando nisso ultimamente…

Por conta do trabalho de personalização dos blogs eu ando muito por aí, pesquisando, lendo, aprendendo. Vejo e leio muitos blogs, de todo tipo. E aprendo muito mais do que você imagina!
Vejo blogs que surgiram em momentos ruins da vida de alguém, momentos de dor e de solidão. Blogs que nasceram e ajudaram seu criador a sair de crises de depressão.

Vejo blogs que nasceram de alegrias, blogs sobre filhos, sobre casamentos, sobre amores. Vejo blogs de esperança, os blogs das tentantes/gestantes/amamentantes…

Vejo pessoas, mulheres em especial, que mudaram muito depois de blogar. Cozinham mais e melhor, se cuidam mais, cuidam do cabelo, das unhas.
Aliás a inspiração para este post foram as unhas. Não as minhas pois por conta do trabalho não pinto as unhas (mas pintarei quando desempregada estiver) mas as unhas alheias.

Vendo por aí a blogagem semanal sobre esmaltes eu pensei: “Que sacada boa”. Sim, pois ao pintar as unhas eu vi mulheres se redescobrindo, se cuidando, se olhando. Coisas que um blog faz por você…
Vejo também pessoas que escrevem para libertar a alma, libertar as palavras. O blog faz isso, de abrir a mente, de alargar os espaços.

Sou blogueira, e sei que ao meu redor, na vida real, as pessoas não sabem o que é ser blogueira, o que é blog. Estão aprendendo a ouvir o termo agora, muito em função de personagens de novela e da televisão em geral. Mas as pessoas ainda vão ouvir falar muito de nós, os blogueiros! Pode apostar!

Penso eu que o blog é a mídia do futuro. Do presente, na verdade.
Sem exagero: estamos fazendo história, estamos na vanguarda de uma forma maravilhosa de mexer com a vida das pessoas! Basta olhar para si mesmo: veja o quanto sua vida se modificou depois do blog! Os amigos, os assuntos, os interesses, o aprendizado!

E viva o blog, tanto o meu quanto o seu!

Mundo virtual: vilão?

Mundo virtual: vilão?Quando eu conheci a internet, em 2008, tudo o que sabia era que existia Orkut e que dava pra fazer pesquisa sobre tudo.Detestei orkut, aquela cultura da imagem, e pesquisar era legal, mas meio vago, né? Aí descobri os blogs.

Descobri por acaso, fui lendo, pulando de um para outro, até que descobri que podia ter um, de graça. Fiz um pra mim. Este, que você lê agora. Tinha outro nome, outra cara, eu era outra pessoa. Eu mudei, mudei o nome do blog e sua carinha, mas estamos juntos desde então. Eu com você, você comigo. A vida não podia ser melhor pra esta blogueira!!!

Depois vieram o Facebook e o Twitter. O mundo virtual estava de vez em minha vida. E de lá pra cá muitas coisas aconteceram. Muito aprendizado, muitas alegrias, muitos amigos eu fiz. E também vi muitas coisas estranhas, algumas brigas virtuais, algumas decepções, alguns erros meus e de outros… e vejo muita gente culpando o "mundo virtual" por decepções, brigas, rompimentos, frustrações, inimizades…

Pense bem: quem está por trás do teclado no twitter, no blog, no facebook? Algum alienígena? Não. É uma pessoa.Igualzinha ela é na vida dita real, ela será na vida dita virtual. Pode demorar, afinal sem o olho-no-olho a gente demora mais pra se revelar, mas cedo ou tarde o verdadeiro "eu" aflora.

Se a pessoa é falsa, se é do tipo que puxa o tapete alheio, se é dada a inventar uma fofoquinha, cedo ou tarde isso aparecerá,  por mais que no começo ela consiga se controlar. Do mesmo modo, se é uma pessoa calma, centrada, pouco afeita a intrigas, também isso logo ficará claro.

Não faz sentido, portanto, achar que na internet (blog, twitter e afins) está o problema, que é tudo falso e que é uma rede de intrigas. O problema do mundo virtual é o mesmo que da vida real, ou seja: pessoas.

E a solução, o lado bom, qual é? O mesmo que na vida real, ou seja: pessoas.

Gente legal e gente terrível, gente boa e gente má, gente equilibrada e gente surtada, gente ética e gente que puxa o tapete dos outros existe em ambos os lados do monitor.

E este mesmo monitor pode protelar por um tempo a verdade a respeito das pessoas.Mas, tal e qual na vida real, cedo ou tarde as pessoas se revelam. É só esperar.

Pobre mundo virtual… sempre o vilão…como se ele fosse composto por aliens…quando na verdade somos nós que o fazemos…

E fazemos para o bem e para o mal…

 

 

E hoje tem link meu no Mosaico da Re!

Clica na bonequinha loirinha e confira o mosaico!

Sobre compaixão

CompaixãoHá alguns dias pipocou na mídia a notícia do câncer do ex-presidente Lula. Muito se falou, inclusive no exterior, muito foi dito e claro, muita coisa que se esconde debaixo do tapete apareceu nos comentários que li; coisas boas, mas muitas, muitas idiotices.

Não sou grande fã de Lula, embora nos anos 90 tenha votado nele ao menos 1 vez. Depois não mais, nem nele nem em ninguém, aliás. Se o considero um bom presidente? Sim. E não. Exatamente igual ao anterior e à sucessora. Mas não é bem sobre isso que quero falar.

Quero falar sobre algo que li aqui e ali, muito mais do que gostaria.Quero falar sobre o tom de vingança que senti em alguns comentários no twitter, no facebook, em blogs de jornalistas, em sites de nótícias. Vi gente dizendo, em tom mais ou menos agressivo, que era bem feito, que tomara que o 'barbudo' morresse, que era bom pra ele ver o estado da saúde no Brasil, que vai tarde, que agora ia pagar os pecados da corrupção, etc e tal.

Chocante? Sim, muito. Como eu disse, coisas como estas se escondem debaixo do tapete da civilidade, mas afloram quando são puxadas pra fora. Hoje a vítima de tanta agressividade e desejo de vingança é Lula, amanhã é o gay, a puta, o maconheiro, o nordestino, a gorda, o negro, o pobre. Nossas raivas se sentem vingadas quando algo ruim atinge o objeto do desafeto. E isso é muito triste. Que sejamos capazes de sentir alegria com a dor do outro…muito triste!

 

No extremo oposto vi jornalistas e outros agentes de mídia (blogueiros e tuiteiros entre eles) elevarem o ex-presidente à categoria de santo em vias de canonização por conta da doença. Ele raspou a barba, e a foto rodou o mundo.Ele fez a primeira sessão de quimio, e só faltou rezarem para Santo Lula fazer chover…

Eu penso que ele não é digno de pena. Digno de compaixão, sim, pois a ninguém nesta vida eu desejaria uma doença dessas, e se eu descer ao ponto de sentir satisfação com a dor de um semelhante então realmente a doente serei eu, doente de alma e de espírito. Mas não sinto pena, absolutamente.

Tratar-se em um hospital de ponta, tendo ao seu dispor os melhores médicos e recursos, os melhores remédios, aplicados no tempo certo, sem a agonia da fila de espera, não o qualifica como digno de pena. Muito menos a ser tratado como santo e/ou mártir. Sei que a dor é igual para todos, mas sempre é melhor sofrer o inevitável em lençól de algodão egípcio…

Sinto meu coração se apertar mesmo é pela pessoa que, diagnosticada com câncer dos mais agressivos, morre lentamente à espera da primeira sessão de radioterapia que o SUS se recusa a fornecer. Sinto um frio na espinha ao pensar não na esposa de Lula, mas sim em pais que veem seus filhos definharem por falta de remédios, médicos e leitos. Pessoas que precisam enfrentar a dor da espera por algo que deveria ser imediato: remédios, tratamento adequado, cuidado e condições de ao menos tentar vencer a doença.

Mas…

Essa separação de classes, que dá ao mais rico todas as chances, e aos pobres todas as filas, não pode me endurecer à ponto de querer ver Lula careca, abatido e a seguir morto.

Gostaria apenas que o mesmo tratamento dado a ele fosse dado à mãe da Pri, do blog Shampoo de laranja, por exemplo. Para quem não sabe a mãe dela luta contra uma das formas mais terríveis de câncer. E a luta da Pri para trazer o assunto à mídia, e com isso tentar conseguir as sessões de radioterapia que a mãe precisa também me comove. Porque, sendo pobre e não tendo poder algum, nem janela alguma que não seja o meu blog, eu me coloco na situação da Pri e penso: e se fosse minha mãe, ou meu marido, ou meus irmãos, meus sobrinhos???

Então, penso em relação a tudo que li sobre Lula e sua luta contra o câncer: nem digno de linchamento, nem santo. A doença não o santificou, nem o exime de seus erros.Mas também não deveria ser motivo de satisfação entre aqueles que não apreciam o político. Até porque… ele é uma pessoa passível de erros e acertos como eu e você. Há um ser humano ali.

E isso deveria bastar para que a compaixão desse o tom de tudo que tem sido dito e escrito…

Atualizando: li agora há pouco este post onde a editora do Shampoo de laranja  conta que o Ministério Público, vendo os inúmeros retuítes dados para movimentar o assunto, conseguiu a liberação do tratamento que a mãe dela precisa. Um bom exemplo da força que os blogs e o Twitter podem ter!

Sobre levar vantagem em tudo

Atualizado com comentários ao final do artigo!

Quando eu tinha uns 4 ou 5 anos morava em frente à nossa casa uma senhorinha bem velhinha chamada vó Raimunda. Quer dizer, ela não se chamava vó, mas todos a chamavam assim. No quintal enorme dela havia de tudo, muitas árvores, muita diversão para as crianças. E ela plantava milho e mandioca.

Um dia eu atravessei a rua, entrei no quintalzão dela, aproveitei que ela estava arrancando mandioca e peguei uma raiz. Atravessei a rua de volta, com a raiz de mandioca e botei em cima do fogão de lenha em minha casa.

Minha mãe, claro, me perguntou de onde viera a mandioca e eu, inocentemente, disse "peguei na vó Raimunda". Minha mãe perguntou: "Ela te deu?" E eu repondi: "Não, eu peguei".

Atravessamos a rua de volta, eu, minha mãe e a mandioca. Ela me fez devolver e pedir desculpas. A vózinha até tentou, disse que não tinha importância, que não era nada, mas não adiantou. Entreguei a mandioca de volta, pedi desculpas e levei uma surra pra nunca mais roubar.

 

Há em Franca, interior de São Paulo, um evento de música católica chamado Hallel-Som e vida (clique no link e veja o site). Fui muitas vezes ao evento, que lembra um pouco, guardadas as devidas proporções, shows de rock. Muitas bandas se revezam nos palcos, e cada uma delas costuma colocar uma barraca com seus cd's para venda. Milhares de pessoas assistem aos shows.

Cansei de ver, ao final de um show, as pessoas sairem do local e irem às barracas dos ambulantes, fora do parque de exposições, comprar cd pirata da banda que acabaram de assistir, com a qual oraram junto nas ministrações, banda ou cantor que de alguma forma tocou o coração do ouvinte.

As pessoas simplesmente diziam, quando eu perguntava, que não tinham dinheiro para o cd original.Sempre fiquei pensando nisso…

Mas eu aprendi com músicos e pregadores famosos do meio católico, e também do meio evangélico: Não tem dinheiro para o cd original? Então não tenha o cd. Ou faça economia e compre o seu. Comprar cd pirata, da banda que ralou pra gravar, é roubo. E entre irmãos de fé isso é ainda pior. E vale para cd's em geral, eu acrescento.

Sei que hoje em dia tudo está ao alcance de 1 clique: a música, o livro, o cd inteiro, a série. Está tudo certo se não é ilegal. Acontece que muitas vezes é ilegal.O fio de luz puxado clandestinamente, o programa pirata, os downloads ilegais… sei que pareço maluca falando nisso, mas me ocorre que se fazemos isso no nosso dia a dia, como vamos ensinar às crianças que roubar é feio, é errado? Palavras, quando não são seguidas de ações, não ensinam nada a ninguém.

Se você sabe que um botijão vazio de gás custa 60 reais (aqui custa) e de repente aquele vizinho malandro te oferece um botijão por 10 reais, tá na cara que é coisa irregular, não é? Afinal, de onde veio? Um por semana??? Difícil botijão dar cria…

Se você compra, quem é o ladrão? Quem roubou ou quem comprou? Eu digo que ambos são. Aqui onde moro acontece direto. Ladrões roubam até cesta básica nos mercados e revendem por 1/5 do valor. O ladrão roubou, e vendeu a outro ladrão. Já ofereceram à minha vizinha o celular que roubaram da filha dela… por 1/5 do valor.

Antiquada? Sim, eu sou. Sou do tempo em que era preferível pedir a roubar. Minha mãe mesma pedia banana maçã ao verdureiro pra me dar quando eu era bebê e meus pais não podiam comprar. Tempos duros, de pobreza mesmo, quem viveu nos anos 70 sabe o que foi aquilo, como uma vez me disse a Gilmara.

E eu cresci vendo homens terem cãimbra de tanto cortar cana pra sustentar a família, meus vizinhos e meu pai. Homens que pediam ao feitor alguns gomos de cana pra levar pras crianças em casa; era uma festa a cana chegando. Pessoas cuja primeira conta que pagavam era a de água e de luz.

Levar vantagem em tudo deve ser bom. Mas e se o botijão de gás roubado fosse o seu?

Outro dia um super daqueles grandes estavam fazendo uma promo daquelas... tipo 1/5 do valor do produto... depois saiu a reportagem que era carga roubada.
CD eu não compro, DVD também não, ás vezes fico com uma vontade de ver um filme, mas não compro.
Porque é fácil falar de ética em tantos aspectos, chamar político de ladrão (o que é verdade) mas fazer igual...

Você não é obrigado a amar… mas….

De 15 em 15 dias, aqui em São Joaquim, você pode encontrar na praça 7 de setembro uma feirinha de adoção de cachorrinhos protegidos pela Ong São Francisco de Assis. E sábado eu passei pela praça, e parei pra ver os cachorrinhos disponíveis. Eram tantos…

Mas deixa eu te contar um pouco sobre a Ong e depois falar sobre o motivo deste artigo.

A ong foi idealizada pela  Neusa, uma pessoa rara e impressionante. Ela e o marido têm uma relojoaria antiga na cidade e a dedicação dela aos animais já gerou todo tipo de reação. Já houve protesto de vizinhos porque os cães latem, já houve agressões, já houve julgamento dela como louca. Mas também houve ajuda, e os voluntários da ong estão aí pra provar o que digo. Veja:

A ong surgiu em um momento que a prefeitura resolveu reativar a carrocinha e o sacrifício dos animais capturados. Absurdo! Mas claro que é mais fácil matar do que resolver o problema, né? E aí a Neusa entrou, mobilizou a cidade, envolveu as pessoas, lutou, brigou, foi aos vereadores, fez um escarcéu e conseguiu que a carrocinha fosse abolida de vez. Mas o problema dos cães abandonados persistia, e muito mais persistente foi ela. Com uma luta árdua e muitas vezes solitária, ela conseguiu o terreno para a ong e foi à luta: pediu, implorou, conseguiu alguma ajuda.

E hoje a ong é uma realidade. A responsabilidade legal pela ong é do veterinário Renato Borges Nicolau, também ele dedicado a ajudar como pode, inclusive com um programa de castração a preços populares que ajuda e muito a reduzir os casos de abandono de ninhadas.

E as dificuldades estão só começando… Há necessidade de tudo, de remédios, de ração, de tudo. Mas ela segue, com sus voluntários lindos e jovens, fazendo o bem a quem não pode retribuir… amor em estado puro!

E ontem eu, enquanto estava lá conversando com uma das voluntárias que é amiga do meu marido, vi alguns filhotes sendo adotados. É uma coisa emocionante! Nem sempre o mais bonito é adotado antes, é uma coisa de olhar e amar. Vi uma filhotinha ser adotada assim, a moça olhou pra ela, ela retribuiu, amor à primeira vista. Saíram nos braços uma da outra.

A ong faz um cadastro do adotante e depois verifica as condições em que o bichinho está sendo criado. Futuramente vou voltar a falar disso pois quero usar este blog pra ajudar, se puder.

Dados da Ong:

Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis de São Joaquim da Barra
Fundação: 04/12/2002
Responsável: Renato Borges Nicolau
Telefone: (16) 3811-2444
Cidade: São Joaquim da Barra Estado: SP

Créditos das fotos: Mogiana Online

 

Mas, paralelamente às adoções que vi, à alegria dos filhotinhos no colo dos donos novos e a alegria das crianças com um cachorrinho, eu vi também uma mãe ralhando com o filho que tocou na cabecinha de uma filhotinha: "Ai, que nojo, tira a mã daí, credo!". A voluntária reagiu na hora, e disse que sim, deveria evitar tocar para não transmitir bactérias para a filhotinha. Certissíma ela.

Por que estou falando assim? Vou ser franca.

Você não precisa gostar. Você não é obrigado a amar, nem a entender quem ama e se preocupa com animais abandonados. Você não precisa ajudar, não precisa ter. Você pode ter nojo, ter asco. Mas você tem que respeitar na mesma proporção que deseja ser respeitado. E bater, atropelar de propósito, machucar, chutar, envenenar, jogar água fervendo, ferir e ensinar as crianças a fazerem o mesmo é crime, cruel e desumano. Sem desculpa, sem justificativa e do meu ponto de vista, sem perdão.

Vi por esses dias matérias sobre um idiota qualquer que está participando desta edição de A Fazenda, um tal de Gagliasso (será Timóteo, o terrível? rsrs). Asqueroso, nojento, desgraçado e infeliz, o miserável conta que bate nas cabras pelas quais é responsável, que desconta a raiva nelas, e que elas nada sentem, são burras e ele bate pra que aprendam.

Uma criatura dessas não merece nem ser chamado de homem, nem de bicho. Merece ser chamado de merda, porque é isso que ele é. E tão covarde quanto ele é a emissora que não se pronuncia, que expõe animais indefesos à criaturas doentes e más. Imagina o stress emocional a que esses animais são submetidos? E a emissora faz de conta que não viu, nem ouviu o desgraçado dizer o que faz.

Espero sinceramente (embora duvide) que as pessoas que acompanham o tal programa tirem esse infeliz de lá com votação recorde. E que ele seja execrado pela opinião pública. Mas como eu disse, eu duvido. Em um país que tem na brutalidade do rodeio uma diversão de massa, não dá pra esperar muita coisa, né?

Como eu disse, você não é obrigado a amar. mas se abrir seu coração para as diversas faces do amor eu aposto que seus dias serão melhores.

E dias melhores fazem uma vida melhor e mais feliz, e plena.

Não é?

 

Tenho recebido muitos emails para reservar exemplares do livro coletivo de contos Vidas. Mas quero dizer 2 coisas importantes:

1- As condições de pré-venda (frete zero acima de 1 exemplar) só será mantida mediante pagamento realizado e confirmado até dia 15/09/2011. Portanto, se você encomendou e ainda não efetuou o pagamento, faça-o o mais breve possível. E se já fez me envie email informando;

2- Caso você tenha entrado em contato comigo e eu ainda não tenha retornado, por favor reenvie o email pois posso ter deixado passar. Tem dias que recebo uns 200 emails, então posso me confundir, tá? A Elaine agradece rsrsrsrs

Quer encomendar o seu e ainda não o fez? Envie um email para elainegasparetoparada@gmail.com

Não sabe do que estou falando???? Então clica aqui e veja que coisa boa estamos conseguindo realizar:

Um livro escrito por blogueiros! Ou, como diz a Pandora: um blog que virou livro!

Comentários fofos

fofurasUm dia eu comentei com marido sobre a chateação que era receber comentários ruins, desalmados, cruéis e bobos que magoam a gente e fazem a gente se perguntar porque tem um blog…

Ele me perguntou então: por que você insiste em ter blog se tem coisas que te chateiam? Respondi qualquer coisa na hora, mas fiquei pensando, pensando…

É verdade que tem uns comentários ruins, mas por outro lado, tem cada coisa fofa! E é disso que quero falar com você.

Acontece muito comigo, muito mesmo. Dos atuais quase 28 mil comentários do blog, mais de 99% são comentários bem feitos, lindos, pertinentes e que enriquecem meu blog. E destes, tem uns tão fofos, tão queridos, que me enchem de alegria, que me emocionam, que me animam, que me motivam. Veja este exemplo, um dentre centenas:

 

Blogger

Carolina disse...

Elaine,eu não sei se já vim aqui para te agradecer,mas apesar de vir te visitar sempre e muitas vezes não comentar,hoje estou aqui especialmente para te agradecer as dicas que você dá aos amigos blogueiros.
Outro dia precisei de uma ajuda profissional e vim aqui, tarde da noite,no meio de uma reunião.O povo lá na empresa pegou até a piada da vez como:qquer dúvida vai lá na amiga Elaine,porque você foi o Google do momento.
Mas o que eu me sinto agradecida é pela tua disponibilidade e bem querer em nos ajudar por estas bandas. Talvez as pessoas já tenham te dito isto,mas EU preciso te falar. Neste mundo tão corrido,tão individualista que estamos vivendo:OBRIGADA DE CORAÇÃO por esta ajuda preciosa que você nos presta.
Sinta-se abraçada.

 

Gente, tem como não amar?

E tem mais. Veja este, sobre o lançamento do livro de contos Vidas:

 Mahria disse...

Me diz se existe alguém, que ama você, que ler o Um pouco de mim, que não tenha se emocionado com esse post. Fiquei aqui tão feliz com sua emoção querida.
Vai ser um sucesso... Tenho certeza, vamos comprar e divulgar.
Bjs
Mah

Este é um dos muitos afagos que a Mahria me faz, desde muito tempo. E houve dias em que ela, com seu afeto, me animou sem nem saber. E assim como ela, outros tantos, tantos e tão queridos, pessoas com as quais eu aprendo. Pessoas de quem eu lembro durante o dia, pessoas que fazem diferença em minha vida…

E eu poderia aqui citar dezenas de outros amigos, e ainda assim esqueceria alguém. Sabe por que estou falando nisso?

Porque a gente tende sempre a reclamar dos comentários ofensivos e/ou grosseiros, mas esquecemos que a imensa maioria dos leitores são gentis com a gente,ao menos eu sou agraciada com leitores assim… E esta é a realidade da grande maioria.

Então, hoje, eu quero deixar registrada aqui minha profunda gratidão para com todos os meus leitores, para com todos os leitores que se tornaram amigos. Sou grata por todo o carinho em forma de comentários, de emails, de partilhas. São vocês que me mantém "no ar' por estes quase 3 anos e eu sou muito feliz quando leio essas fofurices… Muito obrigada, de verdade, do fundo do coração….

 

E você? Tem comentaristas fofos, não tem? Conta pra mim? Tão bom saber de coisas boas, né?

Especialmente pra começar bem a semana…

O mais difícil

Qual a coisa mais difícil que você tem que fazer todos os dias? Acordar? Levantar depois que acordou? Ou ter que levantar sem ter acordado direito? Ter que enfrentar todo santo dia a mesma rotina? Ou a cada dia ter um leão pra abater?

Qual a coisa mais difícil que você faz, ou precisaria fazer, todos os dias? Já pensou nisso?

Eu já. E cheguei à conclusão que a coisa mais difícil que preciso fazer todos os dias é respeitar quem é diferente de mim. E isso inclui todo mundo, porque ao menos em um aspecto todos somos diferentes, né?

E como respeitar a diferença é difícil! Diferença de opinião, de postura, de valores. diferença de linguagem, de momento, de temperamento. De expectativas. Se a gente não tomar cuidado, nos estranhamos até com quem a gente gosta de verdade.

Eu preciso respeitar, por exemplo, que meu marido é diferente de mim. Ele gosta de coisas que eu não suporto, ele tem opiniões que eu não tenho e ele certamente pensa o mesmo sobre mim. E olha que vivemos juntos há mais de 15 anos…

Agora imagine o quanto de respeito é preciso nas relações virtuais, com pessoas que só conhecemos pelo que escrevem. E bem sabemos que somos todos muito mais complexos do que uma postagem ou uma tuitada...

Fiquei pensando nisso ao ler o excelente post da Cissa Branco, e também lendo os comentários. Pensando nos equívocos que a gente comete, nos julgamentos errados que a gente fz e também dos quais somos vítimas…

Pessoas que a gente conhece, outras que a gente lê de vez em quando, opiniões tão diferentes, outras tão iguais…e eu penso que se não houver respeito pelo diferente a coisa toda vira um rastilho de pólvora. As pessoas vivem vidas diferentes, possuem formação diferente e portanto têm opiniões diferentes sobre um mesmo assunto.

E o mesmo acontece em nossas opiniões sobre as pessoas, né? Outro dia eu recebi um email de uma (ex) leitora dizendo que leu alguns elogios sobre mim em outros blogs mas que com ela é diferente pois ela me achou antipática e fria, que eu nem dei bola pra ela e que ignorei seus pedidos  para que eu seguisse o blog dela.

Fiquei pasma. Como alguém arranja tempo pra ser grosseira com alguém que nem conhece??? Eu mal consigo ler e responder a quem eu aprecio, e tem dias que chego a sonhar com pessoas queridas cujos emails ainda não retornei!  Mas depois eu deixei pra lá, porque, né…só notas de R$100 agradam todo mundo. E a opinião dela é esta, e não muda em nada o que de fato eu sou.

Isso acontece com todo mundo, eu acho. Eu posso achar determinada pessoa muito gente boa, ter simpatia por ela e uma outra pessoa discordar de mim. Repito: depende de cada um…E eu tenho uma coisa comigo: a opinião de alguém sobre uma pessoa não me influencia. Eu tento, nem sempre consigo; porque a gente acaba mesmo dando ouvidos a algumas coisas, especialmente (no meu caso) quando são positivas. Mas eu evito criar expectativas. Prefiro minha experiência às experiências alheias.

E é sempre bom  lembrar que aquilo que a gente escreve pode ser interpretado de uma maneira totalmente diferente da intenção original. Depende sempre de quem lê…do momento de cada um.

Mas uma coisa eu considero essencial, pra continuar querendo blogar: respeitar sempre, discordar com educação e não ser agredida de graça. No dia que a vida virtual me trouxer mais desgostos que prazer, eu caio fora.

Afinal prazer é o que vale a pena, né? Se for pra chorar, sofrer e ficar chateada, bora brincar de outra coisa, uai…

Né?

Dias melhores realmente vieram…

Semana passada li 2 posts que me fizeram pensar. Em um deles, no Tomando uma chávena de chá, a Alessandra ensinou uma receita de bolo de chocolate econômico e ao longo do artigo ela contou que em épocas de dificuldades aquele bolo ajudou a comemorar aniversários e matar a fome quando não havia pão.

O outro post foi escrito pela Dama de Cinzas em seu A menina por trás da Dama. No post ela levantou uma questão que, aliada ao post da Alessandra, me fez pensar: porque não comigo?

Explico. Mas vou começar do começo.

Quando eu tinha 16 anos meus pais se separaram, já falei disso várias vezes aqui no blog. Foi uma época dura, meus irmãos eram crianças e só eu e meu pai trabalhávamos. Àquela época ele fazia as compras de mantimentos no domingo pois ele, trabalhador rural, recebia por semana. E ele foi embora num sábado à tarde, levando todo o dinheiro que havia. E o irônico é que eu havia acabado de entregar o pagamento do mês pra ele… sempre foi assim, jamais descontei um cheque enquanto ele esteve conosco.

E ele se foi. Não havia comida. Foi a pior semana da nossa vida. Não, mentira, Teve piores. No começo minhas tias ajudaram, mas depois a gente teve que se virar. E uns 45 dias depois eu perdi o emprego pois as fábricas sempre fecham no fim do ano. Meu irmão tinha 12 anos e minha irmã não tinha 9 completos. E nossa mãe chorava, dormia de tarde, batia nos filhos e dizia que jamais trabalharia, como de fato fez.

Foram dias duros. Lembro de uma ocasião em que minha mãe se recusou a fazer comida porque não havia mistura, só 2 cenouras e 1 ovo na geladeira. Eu fiz, cenoura ralada mexidinha com ovo. Ficou uma delícia. Meu irmão saía pra vender picolé e na volta a gente comprava o arroz pra janta. Devagar a gente foi se arrumando. Eu arranjei emprego. Meu irmão vendia picolé na rua.

Meu tio Antônio, fazendeiro em Goiás, era dono da casa onde morávamos. Lembro dele vir à nossa casinha e dizer que, enquanto minha mãe vivesse, ela não precisaria mais pagar aluguél e nem sair dali. De fato, ela vive lá até hoje.

Dias vieram nos quais a gente comia mamão verde refogadinho igual batata. Eu gosto até hoje, sabe? Acho que vem desta época eu gostar de tudo, de tudo mesmo.

Com o tempo meu irmão começou a trabalhar, éramos nós dois e a coisa melhorou. Lembro de ir à papelaria comprar caderno pra minha irmã estudar, os mais baratos que havia, um papel tão ruim que era bege. Mas ela estudou, cresceu, nós crescemos. Alguns anos depois nós 3 trabalhávamos na mesma fábrica; foi o melhor tempo pra nós!

Vem deste tempo meu terror de ficar sem um tostão. E também vem deste tempo eu só conseguir ser feliz trabalhando. Tenho horror de depender de alguém e esse alguém ir embora levando o dinheiro da comida…Por tanta cura interior eu já passei, mas isso permaneceu em mim, esse medo de ficar sem nada…

A vida seguiu. Os tempos de comer arroz quirela passaram. Quer saber? Foi duro, mas já vi gente passar por coisas piores. Nós sofremos, mas poderia ter sido pior. E mesmo nos tempos ruins eu tinha noção de que era conosco, poderia ser com qualquer um. Mas era conosco e a gente venceu.

Digo isso porque a gente é mestre em bancar a vítima: "oh, por que comigo?". Como disse a Dama de Cinzas: por que não comigo? Foi ruim, mas me formou para o resto da vida. Ao contrário do meu pai, eu ensinei meus irmãos que metade do salário era pra ajudar em casa, e metade deles. Tenho pelos meus irmãos amor de mãe porque eu segurei as coisas quando os pais, brigando entre si, falharam. Ficamos juntos, e mesmo crescendo em meio a rapazes que roubavam e se envolveram com drogas, meu irmão cresceu um homem de bem. E apesar do abandono, minha irmã hoje em dia é a filha com a qual meu pai conta; ela, que ele tentou de todo jeito fazer minha mãe tirar… ela, que tem um coração muito melhor do que o meu…

E o melhor é olhar pra trás e ver que hoje a gente hoje tem uma vida pra lá de boa. Fruto do trabalho honesto, vida simples, mas boa. Ao ver meus armários cheios e minha geladeira abastecida sinto uma alegria que só quem comeu arroz de 3ª pode entender. Ver o Luís Otávio comer danoninho todo dia é saber que a nossa família tem uma vida muito melhor do que teve naqueles dias nublados…

Como eu disse pra Alessandra, comentando no post dela: "Que bom que hoje a gente pode cobrir o bolo com ganache"…

Não é?

Viver. E deixar viver.

Faça uma experiência qualquer dia desses: saia na rua e olhe para as pessoas que passarem. Vá a um lugar mais movimentado e olhe as pessoas. E depois diga quantas pessoas iguais você encontrou.

Estranho? Nem tanto. Estamos fartos de saber que todos somos diferentes uns dos outros: diferentes na altura, no peso, na tonalidade da pele, na compleição física; diferentes no andar, no comprimento das pernas, na numeração do pé. Diferentes no sentir, no pensar e no agir. Somos diferentes e isso é uma coisa boa. Mas também pode ser um problema porque o mundo das pessoas diferentes tem enorme dificuldade em aceitar e conviver pacificamente com o diferente.

Semana passada entrei em uma loja com minha irmã para comprar blusas baratinhas para trabalhar. Achar roupa  em conta nas quais a gente caiba é uma coisa rara, então só por isso já daria um post. Mas nem é disso que quero falar. Quero contar algo que aconteceu.

Na loja que entramos havia outra cliente, também ela bem gordinha. Como sou relativamente decidida, entrei, escolhi, e fui saindo. A mulher, visivelmente irritada, me disse, mais ou menos assim: "Ser gordo é uma desgraça, né? Nada serve na gente, tudo fica feio, que ódio ser assim!" Eu, habituada que sou a ouvir essas coisas, retruquei:

-Não! Não fala assim! Já basta as pessoas falarem isso da gente e pra gente o tempo todo, ainda vamos nós fazer coro? Não!

Ela não respondeu, me olhou como seu eu fosse doida. Saí. Mas fiquei pensando…

Não é fácil ser gordinha em um mundo que privilegia as magras. Não é fácil ser magrinha em um mundo que privilegia as gostosas. Não é fácil ser gostosona em um mundo que privilegia a inteligente-bem-sucedida. Não é fácil ser mãe de 3 ou mais filhos quando todo mundo diz que a vida está difícil, não é fácil não ter filhos algum, quando todo mundo tem. Não é fácil ser evangélica/católica/muçulmana em um mundo cada vez mais secularizado e que ridiculariza quem pratica alguma religião.Onde quero chegar?

Quero chegar ao ponto em que digo algo que é, pra mim, um lema de vida: Viva. E deixe viver. Fico vendo pessoas ( e muitas vezes a pessoa sou eu) gastarem a vida achando meios de julgar e de criticar os outros. Já vi gente parando aos poucos de sair de casa de tanto ouvir que tá gorda, que tá magra, que tá assim, que tá assado…

Já vi gente sofrer não por ser diferente, mas por não deixarem que ela seja aquilo que é. Se eu seguir essa regra simples de viver e deixar que o outro viva, já pensou em quanta coisa ruim deixaria de acontecer?

E tem mais: ser gordo, ser magro, ser branco, ser negro, ser gay, ser crente, ser ou não ser… isso é apenas um aspecto do que a gente é. Um aspecto apenas. Mas não exprime tudo o que somos.

Então, da próxima vez que alguém for grosseiro com você, ou for indelicado, por conta de um aspecto daquilo que você é, lembre-se: somos todos diferentes; uns mais, outros menos. Tudo depende do ângulo. Já vi gente deixando de, por exemplo, blogar como gosta porque tem sempre um crítico à espreita. Eu, de minha parte, sempre tento mandar os críticos grosseiros irem passear.

E se tem uma coisa que não podemos fazer é coro com quem nos deprecia. Isso é realmente a parte triste: aceitar a depreciação e ainda por cima engrossar o coro dos preconceituosos, seja com o peso, a cor, a altura, a fé, a orientação sexual, a quantidade de filhos, a tonalidade do cabelo, o gosto musical, o gosto literário…

Viva. E deixe viver!

É uma boa pra começar a semana, né?

semana

Teste de personalidade

Eu sou uma pessoa muito cética com esses testes de personalidade. Desconfio de tudo que é padronizado, e não faço mesmo aqueles testes de revista, sabe?

Mas… espia este:

Teste de personalidade

Vi a dica nem lembro onde. Fiz, de brincadeira, nem sei por que… e meu queixo caiu rsrsrsrs

Minhas palavras foram, na ordem: dúvida, amizade e família. Na mosca!

Se tem um sentimento que está comigo nos 2 últimos anos, sem me deixar um dia sequer, é a dúvida. De tudo, de todas as minhas antigas certezas.

Amizade é uma força determinante em mim; busco sempre ser fiel às minhas amizades. Custo fazer amigos, mas quando faço é pra valer. E em tempos de banalização da palavra, se eu te chamar de amigo pode apostar que pra mim você é.

E família… ocupa meus pensamentos, me tira o sono e me faz ter dores de cabeça. Mas, por outro lado, espia:

Não te dá vontade de abraçar? Caiu, levou 3 pontos…será que vai estragar a beleza dele?

 

 

 

 

 

 

 

Tenha uma linda semana!

E conta pra mim quais foram suas 3 palavras? Conta, vai… Quero descobrir seus segredos rsrsrsrs

Embriague-se hoje!

Há cerca de 15 dias aconteceu algo até então inesperado no mundo do futebol: o até então invicto São Paulo levou uma goleada do Corínthians, 5x0. Ouvi o jogo, vi alguns lances. E o que mais me surpreendeu não foi o placar ampliado. O que mais me espantou foram as falhas do excelente goleiro Rogério Ceni.

Experiente e do meu ponto de vista um líder na equipe são-paulina, Rogério  errou, aparentemente perdeu a serenidade, e pra finalizar viu o 5º gol ajoelhado.

Porque estou falando de futebol? Porque mesmo os fortes podem cair, e mesmo os líderes podem falhar. De lá pra cá o São Paulo não se recuperou, e esta semana perdeu também o discutido técnico. Parece que quando a coisa desanda, tudo desce ladeira abaixo…

E assim é na vida, já percebeu? A gente vai indo bem, tudo dá certo e a vida vai de vento em popa, como se tudo sempre fosse dar certo. A auto-confiança cresce, e a gente consegue realizar proezas. O amor vai bem, a saúde vai bem, até o chefe anda pegando leve…

Mas…

De repente algo dá errado. Pode ser algo na saúde, no amor ou no trabalho. E aquela auto-confiança que fazia a gente achar ser capaz de derrubar muralhas (poético isso) evapora. E a sombra do fracasso desce sobre a gente. Tempos ruins se aproximam, e parecem não ter fim. Tudo dá errado, e a gente se pega querendo viver num buraco. Mas nem buraco a gente encontra; todos já são habitados, ao que parece…

Eu já vivi fases boas. Muito boas. Eu já vivi fases ruins. Muito ruins. E descobri uma coisa maravilhosa e terrível: ambas passam.

Sério, a fase boa passa, a ruim passa também. Mas porque a ruim é ruim, parece que demora mais a passar. Mas olhando retroativamente (sou culta?) a gente vê que tempos bons e ruins duram mais ou menos o mesmo tempo. Mas o bom a gente nem sente… enquanto o ruim a gente amarga cada segundo…

Por isso eu sempre penso, quando estou vivendo um período bom, pacífico: "Aproveita, Elaine. Faz reserva de felicidade porque você vai precisar no tempo ruim". E eu faço isso; faço estoque de momentos bons, de livros bons, de risadas, de comida gostosa, de blog divertido. E quando os dias maus chegam eu consigo viver feliz apesar de tudo. E eles chegam… ah se chegam!

Daí você pergunta: "Como fazer reserva de felicidade?" Simples. Sendo feliz e sabendo que se é feliz. Tem gente que só reclama, nunca está bem. Tem sempre um espinho na ponta do dedo, sempre se queixando. Daí quando o tempo ruim chega não tem coisa boa pra servir de retaguarda.

Não me refiro a fingir que os problemas não existem. Me refiro a dar às coisas o seu exato valor. Sem mais, nem menos. Vai cozinhar? Aproveite o momento. Vai ler? Aproveite. Vai trabalhar? Curta tudo. Aproveite a vida. E se eu puder dar um conselho que muito me ajuda: não reclame. Não resmungue pelos cantos, não amarre a cara pra vida;

Beleza está aí pra gente ver. Felicidade está aí pra gente se embriagar dela…

Boa semana pra você! Embriague-se!!!

Das mudanças

Mudar, transformarVocê costuma mudar muito? Não, nem digo de aparência, casa ou amigos, mas de posturas e opiniões diante das coisas. Costuma?

Este blog tem quase 3 anos. Relendo posts antigos meus eu percebo que muitos deles hoje eu não escreveria. A maioria sim, mas alguns definitivamente não. Andei pensando nisso depois de atentar para o fato que algumas pessoas chegam ao blog via mecanismos de busca, e leem um ou outro post, geralmente mais antigo. E os comentários revelam que nem sempre o leitor percebe que tal post foi escrito há mais de 2 anos atrás…

Não que me incomode, mas… fiquei pensando…

Eu hoje sou uma pessoa muito diferente da Elaine de 2008, por exemplo. Sou extremamente mais cética, mais ponderada, menos ingênua. Menos radical, mais na minha. E algumas opiniões mudaram. Mesmo.

Então não adianta querer "cobrar" por coisas ditas há anos atrás, né? Vou dar um exemplo:

Há um post antigo onde eu falo sobre como lidar com comentários no blog. Nele eu digo que sempre respondo a todos os comentários. Se você acompanha (ainda que minimamente) meu blog sabe que isso não é mais verdade. Eu tento, jamais consigo e assim caminha a humanidade. Mas naqueles tempos era verdade. Então não é justo cobrar por algo que não é mais assim, certo? Um dia foi, mas as coisas mudam.

E na vida? Acontece também, comigo e talvez com você. Sexta-feira fui a um casamento com marido, de um amigo dele do trabalho. Lá, esperando pela noiva, encontrei uma conhecida de alguns anos. Conversa vai, conversa vem, eu comentei que se fosse hoje não casaria vestida de noiva, nem faria o ritual todo do casamento.

Ela, pasma, disse que há uns 10 (!) anos atrás me ouviu pregar justamente o oposto, que um casamento só seria realmente válido se fosse realizado na Igreja. Ela está certa, eu falava muito isso quando ministrava encontros para noivos. Era mentira? Absolutamente não! Era algo que eu acreditava com todo o meu coração.

Mas a Elaine versão 2011 é outra. Se as pessoas que conviveram comigo por anos a fio soubessem… tem horas que até eu me espanto com o tanto que a gente muda. E a mudança foi em relação a muitas coisas. Ah, se você soubesse…

Coisas que em um período da nossa vida são questão de honra, de repente perdem a urgência, perdem o status de prioridade. Acontece comigo, acho que pode acontecer com mais gente.

Claro que coisas fundamentais não mudam, como caráter (e medo de escorpião) mas no mais tudo muda, o tempo todo…

Assim, encontrar alguém com quem tivemos contato há tempos atrás e esperar encontrar exatamente a mesma pessoa, com os mesmos gostos e opiniões é meio ingênuo, né não? Serve para o blog, serve para a vida.

 

Falando no casamento:

Na hora de prestar o juramento o padre vai dizendo os votos e o noivo devia repetir.

"Eu (e o Edu repete: Eu)

O padre " Agora diga seu nome!

E o Edu, muito sério e compenetrado: "Agora diga seu nome".

Sério, ele fez isso mesmo. A igreja veio abaixo… Até a Ariana custou parar de rir..

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