O almoço de Natal ou quando a gratidão transforma o que temos em suficiente - * Blog Elaine Gaspareto *

O almoço de Natal ou quando a gratidão transforma o que temos em suficiente

em 27/11/2017

Gratidão transforma o que temos em suficiente

Muitos e muitos anos atrás, num dia 25 de dezembro, eu saí de casa com meu pai e fomos até um bar que existia na esquina da nossa casinha.
Era o bar do "sô Dito", onde as pessoas do bairro compravam de tudo, de pão tipo bengala a linguiça cabo de rei, de lápis pra criança levar na escola a botina de serviço, além, claro, da cachaça do dia e da mortadela fatiada que muitas vezes servia de mistura...

Naquele dia 25 de dezembro, eu tão pequena... fomos comprar um pacote de macarrão espaguete e uma latinha pequena de extrato de tomate.
E 1 caixinha com 2 pedrinhas de caldo knorr.
Era o nosso almoço de Natal naquele ano. E 1 garrafa de "guaraná maçã", dessas de 600ml., lembra?


Sim, a pobreza nos anos 1980 era diferente da pobreza de hoje em dia. Era pobreza de verdade, não havia cesta básica da prefeitura, não havia bolsa-família, não havia programa social. Só o leite das crianças pequenas, latas enormes que minha mãe ia buscar do outro lado da cidade, no único posto de saúde que havia. Hoje (louvado seja Deus) há um em cada bairro aqui onde moro.

E hoje, como eu sempre digo, a pobreza é diferente. Raramente a gente vê, ao menos aqui na região onde moro, uma casa sem geladeira, televisão, ao menos 1 celular e uma coca 2 litros no almoço.
Mas na minha infância foi diferente.

Veja bem, não tenho nenhuma memória ruim por termos sido tão pobres, minhas lembranças ruins se devem a outros motivos, pobreza nunca me trouxe sofrimento. Até porque eu não fazia ideia que havia outro modo de vida...
Mas hoje, olhando para o passado com os olhos da mulher de 45 anos, eu vejo como a vida dos meus pais foi dura.
Vejo os sacrifícios, imagino o sofrimento de não ter para dar aos filhos nada mais do que macarrão com molho de tomate no almoço de Natal...
E sinto o coração encher de tanta gratidão.

gratidão

Gratidão porque minha vida hoje é o extremo oposto do que era naqueles dias.
Mas não só por isso sou grata.
Sou grata porque, apesar de tudo, a gente sobreviveu sem sequela alguma. Pobreza, não ter o brinquedo que gostaria, nem a roupinha, nem o calçadinho... não ter a comida boa... nada disso me marcou negativamente, ao contrário.
Me fez valorizar cada conquista, cada panela que comprei, cada comida que faço, cada tijolo da minha casa.

E me sinto grata porque meus pais me criaram. Sim, depois aconteceram coisas ruins, mas naqueles dias da minha meninice eu era feliz, lembro de ser uma criança feliz. E meus irmãos se lembram disso também, de sermos crianças felizes.
Ter irmãos é bom por isso, né? Lembranças compartilhadas que não deixam que a gente se engane...

Olhando retroativamente (que chique escrever retroativamente rsrs) eu vejo como os dias da minha meninice, sem nenhum conforto, com todas as privações e com a macarronada do almoço de Natal me trouxeram até aqui e me deram um coração agradecido.
Tenho, meu querido leitor, muito mais do que um dia eu sonhei... muito mais do que mereço, muito mais do que a menininha que foi ao bar do "sô Dito" poderia imaginar...
E, olha: aposto que se você olhar atentamente a sua volta vai perceber que você também tem mais do que poderia precisar...

Gratidão transforma o que temos em suficiente!
Não é?


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8 comentários:

  1. Olá, querida Elaine!
    Sem sombra de dúvida que a alegria contagiante do Natal prescinde qualquer desperdício... a riqueza é o próprio Deus entre nós!
    Muito linda sua postagem de gratidão!
    Seja muito feliz e abençoada!
    Bjm de paz e bem

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  2. https://espiritual-marazul.blogspot.com.br/

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  3. oi, Elaine, engraçado, domingo no almoço, meus irmãos e eu estávamos lembrando de um bar exatamente como este aí que vocês descreveu, do Seu Haim, onde íamos comprar de tudo, quando éramos criança... muitas vezes só com algumas moedinhas ou até mesmo sem dinheiro, pedia fiado pra pagar depois. E com certeza nunca imaginávamos, principalmente eu, que teríamos tudo que temos hoje.
    bjk

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  4. Olá Elaine. Gratidão é dos sentimentos que mais prezo. Agradeço todos os dias. Tenho sim, demais. Mais do que preciso, mais do que mereço. Aquilo que vc conquistou na sua vida, é fruto do seu trabalho e da sua luz interior, que é forte, muito forte. Beijos.

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  5. Com certeza tenho muito mais do que preciso e estou num processo contrario de desapego, já acumulei coisas demais e apesar de não comemorar o natal eu sempre sou muito grata por a cada a ano poder ter meus filhos por perto, meus gatos, todos os amigos, poder cozinhar e todos os dias preparar uma comidinha gostosa pra todos que amo.
    Muito boa a reflexão, vamos espalhar o amor por aí!
    Beijão!!!

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  6. Elaine:
    Quando as coisas vem com honestidade, sem por isso precisar pisar em alguém somos sim merecedoras. Não tem essa de que não merecemos que é demais.
    beijocas

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  7. Oi Elaine! Que felicidade quando tudo acaba bem e ao final das contas o saldo é pra lá de positivo, motivo para gratidão. Sinto-me nostálgica quando lembro da venda (aqui era dos japoneses) onde comprávamos tudo também, macarrão no pacote roxo, cereais a granel, óleo por litro, tirado na hora, o móvel de doces...
    Beijos

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  8. Que linda sua reflexão...
    Por aqui também as vendinhas eram muito comuns.
    Eu adoro esta sua BC e pretendo participar novamente com a mesma assiduidade de antes. Você pretende continuá-la em 2018? Tomara que sim :)
    Bjks mil

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