O melhor e o pior- Blogagem Coletiva #52semanasdegratidão - * Blog Elaine Gaspareto *

O melhor e o pior- Blogagem Coletiva #52semanasdegratidão

em 15/07/2017


Algumas semanas atrás 3 pré-adolescentes (ou mini-demônios, como você preferir) surraram uma éguinha de pouco mais de um ano, aqui onde moro.
Ela foi surrada, sofreu muitos ferimentos, ficou cega, perdeu um dos olhinhos e morreu dias depois, de infecção, na clínica para onde foi levada após o resgate feito por protetoras independentes.
Ninguém foi punido, ninguém foi responsabilizado. Os pais colocam esses mini-monstros no mundo e a sociedade que se vire pra suportar.
Gatos surrados e mortos, cachorros envenenados, esfaqueados... tudo isso tenho visto por aqui.

Sábado passado essas mesmas protetoras que acudiram a éguinha fizeram, na praça central da cidade, mais um bazar de doces e salgados pra arrecadar fundos para os resgates que fazem, para quitar dívidas imensas das vidas que salvam com o trabalho incrível e maravilhoso que realizam.
Elas pedem prendas pra todo mundo, ouvem desaforos...
Elas recolhem as prendas no dia anterior, elas chegam na praça bem cedinho pra montar tudo e ficam lá até acabar, horas e horas de um sábado que pra maioria é de descanso.
Todas trabalham, tem filhos, família, uma vida.
No carro de uma delas tem saco de ração, garrafas de água. Ela trabalha em outra cidade, mas jamais está indisponível. Todas elas são assim, saem de casa pra socorrer, doam tempo, energia e dinheiro pelos animais que outros abandonam. Fazem bazar da pechincha, pedem no Facebook, imploram por remédios, são menosprezadas, agredidas, ofendidas, incompreendidas...
Mas estão ali, fazendo a diferença.

Outro dia a distribuidora onde compramos água mineral foi assaltada. O ladrão desgraçado e maldito entrou na pequena loja armado com um facão e ameaçou a esposa do dono. Ele queria roubar salgadinhos e latas de cerveja. E suco. Eram 2 horas da tarde.
Na semana anterior um outro ladrão deu 2 tiros no dono de uma oficina mecânica, no peito. Pra roubar.
Tempos atrás 3 bandidinhos menores sequestraram e forçaram uma professora a dirigir até Ribeirão Preto, onde iam trocar o carro por dívidas de drogas. Bateram na mulher, abandonaram ela na cidade.
Foram "apreendidos" mas só.
São menores, estão na rua faz tempo. Assaltando pequenos comércios, roubando casas, arrombando carros.

E não, não venha me dizer que é culpa da pobreza, que é culpa da injustiça social.
Ser pobre nunca foi sinônimo de ser ladrão, assassino e filho da puta.

Em grupos do Facebook aqui onde moro sempre tem alguém pedindo alguma coisa; na maioria dos casos são pessoas desempregadas, com filhos pequenos. E sempre aparece quem doa, de cesta básica a roupas, fraldas, brinquedos, móveis.
E tem aquelas pessoas que pedem, não pra si, mas para os outros. Conheço uma moça que montou um brechó em casa, mas não é pra vender. Se você está precisando basta ir lá e escolher a roupa que deseja levar.
Ela recebe doações e repassa, doa tempo, espaço e dedicação. Ela pede incansavelmente. E tem muitas outras pessoas que fazem isso, acodem os outros na hora da dificuldade extrema.

Ontem eu soube de um caso aqui em São Joaquim: o desgraçado que morava nos fundos de uma casa estuprou  uma criança de 5 anos de idade.
Ele foi ouvido em depoimento mas como não houve flagrante, foi liberado e vai responder em liberdade. Se sobreviver até lá.


Escrevo isso com lágrimas porque a sensação que tenho é que o mal sempre vence, de um jeito ou de outro...
Vence quando um monstro desses faz algo assim, tão horrível.
E vence quando odiamos o estuprador. O mal, tem vezes, me parece que sempre vence...


Aí me lembro dos homens (logistas, ciclistas, pequenos empresários, funcionários de empresas, gente comum e extraordinária ao mesmo tempo) que todo ano se juntam, enchem caminhonetes, caminhões e carros com brinquedos e saem pelas ruas da cidade presenteando as crianças, especialmente na periferia.
Meu sobrinho Luís Otávio, quando esteve doente e ficou muitas semanas internado, saiu do hospital bem no dia 24 de dezembro, em 2015. Quando viramos a rua da casa dele demos de cara com o comboio.
Ele ganhou bola, carrinho, caminhão, bala, doce...
Os meninos que estavam entregando os brinquedos não sabem, mas naquele dia eles aceleraram a recuperação do meu pequeno; a felicidade dele foi tanta que eu choro só de lembrar.
E todas as outras crianças, felizes com seus brinquedos... para muitas delas aquele seria o único presente...

Todo dia a gente fica sabendo de coisas assim... de coisas que nos fazem sofrer, coisas que mostram que a humanidade deu muito errado. Gente má, que maltrata animais indefesos, que machuca crianças, que mata pessoas que estavam trabalhando honestamente.
Bandidos que roubam, que destroem, que tiram não só o fruto do trabalho, mas roubam a paz. Gente má, que mata, que fere, que rouba, que mutila. Monstros que caminham entre as pessoas.

Aí, quando tudo parece mesmo não ter jeito, eu lembro das meninas protetoras daqui de onde moro, e de todas as outras protetoras e protetores que existem por esse mundo afora. Lembro do delegado de uma delegacia daqui que tem um sofá imenso na sala dele, onde dormem vários gatos que foram abandonados. Dr. Hugo. Que sempre atende quando alguém denuncia maus tratos.

Lembro das pessoas que abrem a porta para uma mulher com bebê no colo passar, pessoas como meu marido que param o carro quando veem um velhinho querendo atravessar a rua fora da faixa.
Gente que junta grana o ano todo pra comprar brinquedos para crianças que nem conhece.
Gente que abre mão de ter pra si para repartir.
Gente que ensina de graça, gente que se nega a odiar, mesmo com tantos motivos pra isso. Gente honesta que trabalha, que ajuda quem nem conhece. Gente que me faz acreditar de novo.

Sinto imensa gratidão por existir pessoas assim.
Pessoas que me dizem, com a força do exemplo, que a humanidade não deu errado não, que há sim mais gente boa do que gente má.
O problema é que notícias ruins viajam muito rápido, e as boas ações são pouco divulgadas.
"Não é bom divulgar o bem que fazemos" dizem alguns.
Eu discordo.
Acho que onde as palavras falham o exemplo arrasta. O exemplo convence.
Divulgar boas práticas, isso faz a diferença.
Ao invés de compartilhar na sua rede social só notícia ruim, pense em mostrar o lado bonito das pessoas.
Sim, ele existe.
E precisa ser alardeado para todo mundo porque como eu disse, o exemplo arrasta e convence.

Sinto imensa gratidão pelos exemplos que recebo todo dia.
Gratidão pelas pessoas que não se deixam destruir, que resistem, que mantem a bondade e a compaixão.
Gente, na mais completa acepção da palavra.
Gente que não me deixa desacreditar de vez.
Obrigada, meu coração agradece profundamente...
Se não fossem essas pessoas seria muito mais difícil exercitar a gratidão...


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7 comentários:

  1. Lindo post Elaine!muitas vezes também me senti desacreditada com relação ao ser humano, ainda no início deste ano um aluno da minha escola que é assistido pela justiça disse que quando ele assaltava sentia prazer em ver a sua vítima implorar por sua vida e que quando isso acontecia aí que ele apertava o gatilho. Trabalho com adolescentes exatamente assim...monstros e sem coração. Eu me pergunto em que momento tudo isso começou a acontecer, hoje é tudo tão mais fácil do que era quando tínhamos a idade deles. Tal como você, só tenho esperança porque ainda tem gente que faz a diferença doando um pouco do seu tempo fazendo o bem. Bjs e ótimo final de semana.

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    1. Maria de Fátima, fico arrepiada de ler isso... de saber que um jovem tem esse sentimento, que há monstros assim... e a gente sabe que não são poucos.
      Você tem razão, pensei nisso essa madrugada, que hoje em dia é tudo tão mais fácil, e ainda assim a violência está pior.
      Onde foi que tudo começou a dar tão errado, né?

      bjsssss

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  2. Oi Elaine! Há quanto tempo eu não vinha por aqui!
    Que felicidade por ler este post ao mesmo tempo chocante e cheio de esperança. Eu me emocionei de verdade. Às vezes sou tomada pela tristeza, pela descrença no ser humano, mas no face mesmo sigo tanta página de grupos que fazem o bem por este mundo cheio de maldade que fico muito muito motivada a me juntar aos bons. Meu trabalho tbém me faz ver o pior do ser humano, é pedófilo, espancador de mulher, homicida, affff. Mas ao mesmo tempo conseguimos fazer uma corrente do bem improvisada e conseguimos comida pros filhos daquele preso que estão no fórum desde cedo sem comer esperando para ver pai. Eu não me envergonho mais de divulgar nosso trabalho em conjunto, embora estejamos bem menos ativas, porque acho que o bem inspira mais que o mal. Mil beijos.

    Clau

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  3. Por essas e outras sou a favor da diminuição da menoridade criminal. Esses trastes precisam de punição e assumir a responsabilidade de seus atos. E de modo geral, mais rigor. Não é porque não foi pego em flagrante ou tem dinheiro pra fiança que pode ser solto. Tem que levar em conta o grau de risco para a sociedade. Um suspeito de estupro não pode ser solto. Como podemos nos sentir seguros desse jeito?

    Bjo.

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  4. Ai mulher, ler essas coisas realmente nos fazem perder um pouco de fé nessa humanidade, mas verdade, acontecem muitas coisas boas sim, só que as pessoas não divulgam. Eu mesma conheço muito mais gente boa do que ruim . Muita gente que se desdobra para ajudar os outros e sem esperar nada em troca. Há esperança sim. E acho que ela só aumenta, se a gente também fizer a nossa parte e divulgar o bem, só o bem. Não é ser Poliana, é valorizar o que tem valor. Não é fingir que o mal não existe, mas é não dar a ele toda a releVância que ele propaga. Eu creio que quando tudo está mais escuro, é que está mais perto o clarão do dia. Vai clarear, vai sim !!!!

    Obrigada por esse post cheio de angústia e ao mesmo tempo cheio de esperança !!

    Bjus 1000 minha querida

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  5. Oi Elaine, muito lindo o seu post com gratidão pelas pessoas que fazem o bem. Elas devem ser muito valorizadas e servir de inspiração.
    beijos
    Chris

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  6. Oi Elaine beijocas.
    Não li o artigo na primeira frase desisti, porque percebi que eram monstros.

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