Sobre gratidão... - * Blog Elaine Gaspareto *

Sobre gratidão...

em 18/12/2016


Vamos conversar?
Este post nasceu de madrugada, naqueles momentos em que a gente repensa os acontecimentos do dia, pensa na vida... aquele momento em que o sono ainda não chegou e a gente fica olhando pra dentro, sabe como é?
Então, foi numa madrugada assim que eu me peguei pensando na minha cama.
Sim, na cama. Macia, segura (fiz de alvenaria, gente, pra nunca mais cair/quebrar/estragar).
Vou te contar um pedacinho da minha vida, senta que o papo é longo.

Eu vivi a vida toda antes de casar em uma casinha bem simples, 3 cômodos, banheiro do lado de fora, sem rede de esgoto, com fossa no quintal. O quintal imenso todo de terra, a casinha de meia água no meio do quintal.
Essa casinha foi feita para meus avós, mais de 45 anos atrás, quando eles saíram da colônia da fazenda onde viviam e vieram pra cidade.

Quando minha avó morreu meus pais se mudaram pra casinha e lá criaram os 3 filhos, do jeito mais simples possível, bem pobres, trabalhadores da roça.
Meu pai foi pau de arara a vida toda, cortador de cana.
Você não imagina o quanto era difícil cortar cana com facão, antes da automação do corte da cana.
Era brutal, e meu pai trabalhou nisso muitos e muitos anos.
Apesar de tudo o que veio depois eu sinto uma imensa gratidão por ele ter me criado trabalhando tanto.

Mas era bem difícil, e a gente era mesmo bem pobre, uma pobreza diferente de hoje.
Para você ter uma ideia eu só fui usar um par de sapatos comprado em loja quando eu tinha uns 15 anos.
A vida toda usamos roupas e sapatos de bazar da pechincha, roupa nova só uma vez por ano quando meus pais compravam retalho de tecido e minha mãe costurava vestidinhos, saias e bermudas para nós.

Eu dormi boa parte da vida no chão, debaixo de uma mesa de fórmica azul, na sala. Lembro disso toda noite quando deito na minha cama segura e confortável.
Meu irmão dormia em uma cama de campanha, dessas de armar. O berço da minha irmã era feito encostando duas cadeiras na parede e forrando com cobertas velhas...
A gente foi conhecer geladeira quando eu comecei a trabalhar.
Não era vida fácil, mas a gente não conhecia outra vida, então éramos bem felizes, crianças felizes, que brincavam com brinquedo muitas vezes achado na rua. Ou no lixo.

Tem uma cena que nunca esquecerei enquanto viver: os lixeiros dos caminhões de coleta de lixo separavam brinquedos que achavam no lixo e deixavam fora da caçamba. Era a época anterior aos sacos de plástico, o lixo era colocado em latas ou tambores e despejado na caçamba.

Os lixeiros separavam os brinquedos que achavam e nos bairros pobres, como o meu, as crianças ficavam na rua quando era hora do caminhão de lixo passar.
Eles jogavam os brinquedos, a criançada corria e pegava.
Toda semana tinha isso, parece que eles faziam cada dia em um bairro, em uma rua, não sei. A cidade era bem pequena, menor que hoje, nosso bairro era o penúltimo, periferia mesmo.
Hoje é quase centro da cidade, de tanto que cresceu a cidade...
Nunca esqueci a cena... nossos brinquedos chegavam até nós assim. E como a gente ficava feliz quando um brinquedo era jogado pelos "moços do caminhão do lixeiro "

Por que estou contando essas coisas?
Porque eu sou muito grata.
Ter sido criada assim, com tão pouco, me fez dar um valor imenso a tudo que tenho hoje. Valorizo demais cada pequena conquista... sou grata demais porque lembro que já vivi com bem menos.

Claro que eu, que trabalho desde os 11 anos, sempre corri atrás, sempre fui à luta. E meu marido também, trabalhou desde os 14 anos e só parou quando adoeceu e foi aposentado.
Trabalhei e trabalho bastante. Acredito que trabalharei até morrer.
Mas bem sei que há milhares, milhões de pessoas que trabalham muito mais que eu, em trabalhos infinitamente mais duros...  que lutam muito mais e passam por muitas dificuldades, ou perdem tudo de uma hora pra outra...
Eu não entendo e nem sei por que as coisas são assim, mas são...
Então só me resta ser grata.

Não vou dizer que não mereço minha vida boa.
Eu mereço uma vida boa, você merece uma vida boa, todo mundo que luta dignamente merece ter a vida boa e tranquila. Eu creio nisso.

Mas sei que, nesse mundo, nem sempre temos o que merecemos. Infelizmente.
Então, por isso, exatamente por saber que pessoas mais batalhadoras do que eu, pessoas melhores, pessoas mais sofridas, nem sempre têm a vida que merecem... exatamente por isso eu sou tão grata.

Olho minha casa hoje, olho a minha vida tão boa, tão confortável, tão tranquila... nada me falta, tenho tudo o que preciso, tudo o que eu quero.
Claro que a gente passa por momentos ruins, especialmente relacionados à saúde, mas não é nada maior ou pior do que todo mundo passa.
Ao contrário, percebo que a vida me trata com brandura.
Situações que poderiam ser bem piores no fim são possíveis de serem levadas...

Sou grata pela minha casa. Tenho hoje algo que meus pais nunca tiveram, minha casinha. Minha. Quitada esse ano.
Sou muito grata pelas coisas que conquistamos e mantemos. Nosso carrinho, nosso Uninho. Pago, totalmente nosso.
Foi com esforço? Sim, muito.
Mas esforço só nem sempre basta. Conheço gente que se esforça muito, muito, muito mais... e não prospera.
Eu e marido prosperamos.

Sou muito, muito grata.
Talvez por isso sejamos prósperos. Veja bem, não disse ricos, ao contrário. Somos pobres, mas vivemos bem, com tudo que precisamos.
Não nos falta nada.
Isso é prosperar. Enriquecer nem sempre é prosperar.
E prosperar é infinitamente bom...

Esse ano, depois de 21 anos de casados (nosso aniversário é dia 22), deitaremos a cabeça no travesseiro no final do ano sem nenhuma dívida, sem dever um tostão pra ninguém. Pagamos este mês a última dívida, do último empréstimo consignado que ele fez antes de adoecer e ser demitido.

Não estou contando isso para "me amostrar".
Estou contando isso para te dizer que ser grato por cada conquista, por cada vitória, e por cada dificuldade é o caminho para prosperar.
Tudo o que temos e vivemos é motivo de gratidão... e mesmo o que é difícil e doloroso é motivo para ser agradecido. Aceitar e viver a dor não é fácil, passar pelo fogo da provação não é fácil.
Tem coisas que demoramos entender, mas no fim se revelam bênçãos em nossa vida.
Tudo é bênção.

Não entendo quase nada da vida, mas sei que somos abençoados.
Por isso sou grata.
Deito a cabeça no travesseiro e penso nisso toda noite.
Sério, penso mesmo.


Penso de onde eu vim, penso na casinha onde cresci, no banheiro sem rede de esgoto, na fossa do quintal.
Penso em mim, com uns 14, 15 anos, dormindo no chão da sala, debaixo da mesa de fórmica azul. No quarto pequeno não cabia 5 pessoas... penso em tudo que veio depois, nas extremas dificuldades... nas roupas doadas, nos calçados usados...
Penso em tudo que vivemos, as lutas nesses anos todos...  e vejo claramente como sou agraciada, hoje em dia.
Só me resta ser grata.
Profundamente.

Gratidão pode mudar dias comuns em ações de graças, transformar trabalhos de rotina em alegria e mudar oportunidades comuns em bênçãos

Gratidão pode mudar dias comuns em ações de graças, transformar trabalhos de rotina em alegria e mudar oportunidades comuns em Bênçãos!

Imagem que ilustra o post é uma cortesia Shutterstock

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

30 comentários , comente também!

  1. Oi Elaine
    Muito bonito seu gesto em compartilhar com seus leitores sua vida de lutas e sacrifícios, sem vergonha alguma em expor todos os perrengues que você e sua família passaram.
    Sem mágoa, ressentimento, revolta, você batalhou pra sair daquela situação difícil e hoje é grata por tudo que a vida material está te proporcionando.
    Um belo exemplo a ser adotado por muita gente que se julga injustiçado pela vida.
    Beijo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Maria Célia, penso muito nisso quando vejo gente privilegiada reclamando de ser injustiçada pela vida.
      E quando vejo gente muito sofrida levando uma vida reta, sempre gentil, sempre com uma palavra suave.
      Temos muito o que aprender com as pessoas mais sofridas, eu creio...
      beijosss

      Excluir
  2. Fiquei emocionada. Porque a sua história é muito parecida com a minha, embora eu seja bastante mais velha. Na casa sem esgoto, na casinha no quintal para as necessidades, na roupa nova que só tínhamos uma vez por ano, na Páscoa, dada pelos padrinhos. A primeira vez que tive autorização para ir à festa no Barreiro com o namorado, levei umas sandálias emprestadas, porque tinha vergonha de ir com os tamancos de madeira que meu pai nos fazia.
    Não dormia no chão Dormíamos os três irmão num colchão de palha de centeio. Meu pai rachava troncos de árvores transformando-os em cavacos para alimentar os grandes fogões da Seca do Bacalhau. A minha mãe trabalhava na Seca e foi esse também o meu primeiro trabalho.
    Deixo-lhe um abraço de solidariedade de quem sabe o que é pobreza.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Elvira, era um tipo diferente de pobreza, né?
      Minha mãe conta que quando ela era mocinha os vestidos de baile eram feitos em casa, à luz de lamparinas, de sacos de açúcar, esses que a gente usa hoje para pano de limpeza.
      Elas, as moças, costuravam os vestidos e tingiam...
      Anos 50, 60, nas colônias de café e algodão do interior do Brasil...

      beijossss

      Excluir
  3. Que texto magnífico, Elaine! Você escreve com emoção e uma emoção verdadeira!!! É tão gostoso ler... Tive a sensação de ler uma carta de uma amiga, sabe?! Sou muitíssimo grata à vida também! Depois de andar pelos caminhos do Jornalismo e do Direito, estou sendo muito feliz na blogosfera! Principalmente por ter conhecido, ainda que virtualmente, pessoas tão ricas de conteúdo como você!! Acompanho o seu trabalho desde o início da minha jornada com O Blog! Informações valiosas passada de um jeito descomplicado e leve! Parabéns e muito obrigada por tudo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana, eu também só tenho a agradecer ao blog.
      Se eu te contasse tudo o que ganhei nessa vida depois que comecei a blogar... cresci tanto, conheci tanta gente incrível...
      Mais um motivo de gratidão :)
      beijossss

      Excluir
  4. Chorei... linda sua história, sua honestidade, sua gratidão. Obrigada por me fazer olhar a pobreza com outros olhos. Realmente tudo depende dos olhos de quem vê, e a gente pode ver beleza e poesia onde quiser. Gratidão, do fundo do coração. Vou guardar o seu texto e reler muitas vezes, daria um lindo livro. Beijos. Lane (Elane)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lane, se a gente olhar bem verá que a vida de cada um daria um livro, né?
      Aposto que assim é com a tua vida :)
      beijossss

      Excluir
  5. Oi Elaine,
    Não sabia da sua história e fiquei emocionada. Que a sua gratidão de hoje se transforme em uma chuva de bençãos sobre vc e seu marido e que venha muito mais! Quero chegar aqui e ler que você não é apenas próspera, mas sim rica, afinal quem trabalha e é honesta, merece. Vc faz parte do time das merecedoras.
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Betty, merecemos mesmo, né?
      Hoje eu creio nisso, que todo mundo que procura levar uma vida reta merece uma boa vida...
      beijossss

      Excluir
  6. Parabéns pela sua prosperidade e pela sua história, sério de coração. Gosto de histórias de lutas que terminam em vitórias. Não te conheço mas, sinto que você é um ser de luz nesse mundo :) Parabéns por ser essa mulher vencedora :)

    ResponderExcluir
  7. Nossa que relato maravilhoso, lembrei de muitas coisas que passei na vida também, sem palavras pra vc. Parabéns.

    ResponderExcluir
  8. Oi Elaine!emocionante sua história !Eu também tive uma infância pobre não tanto como a sua.Sua história deveria servir de exemplo para muita gente ,que acha que o dinheiro é tudo.Mas acredito que a honestidade retidão de caráter é uma herança preciosa.Dormir com a consciência tranquila é algo que não tem preço.Desejo que Deus te abençoe .Boas Festa!Beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Arlete, verdade. Nada nesse mundo é melhor do que dormir em paz...
      beijossss

      Excluir
  9. Sem palavras, Elaine. Seu testemunho me deixa sem palavras. Gratidão é um sentimento nobre, e só pessoas como vc, iluminadas, podem sentir isso de forma tão forte. Obrigada por estar aí desse lado e nos ensinar tantas coisas. Beijo, felizes festas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Val, palavras tão generosas, minha querida...
      Muito obrigada!!!
      beijos, feliz 2017!!!

      Excluir
  10. Elaine cheguei me emocionar com seu texto!
    Passamos por tantas dificuldades que sabemos dar valor no pouco que temos.
    Beijo
    http://www.simplesedoce.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Letícia, é bem assim, dar valor. Porque a gente sabe o quanto poderia ser pior...
      beijosss

      Excluir
  11. Elaine querida, tenho sessenta e seis anos de idade, idade pra ser sua mãe.Elaine, eu me vi dentro de cada cena que vc descreveu, até a meia água era igualzinha.Como vc diz, era uma pobreza feliz, os brinquedos usados eram como se comprado em lojas, minha avó trazia roupas usadas das casas em que lavava roupas, doadas pelas pelas patroas, as sobras de comida eram festa garantida.Deus foi mto bom,providenciou sempre para que nada nos faltase.Sou grata por tudo que Ele fez e faz em nossas vidas, sou a mais velha de tres irmãs, nossa mãe morreu quando eu tinha quatro anos de idade, mas meu pai e avós paternos fizeram tudo o que podiam dentro das suas precárias condições, para que nada nos faltasse.Um beijo Elaine e graças a Deus por tudo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anitinha, imagino como deve ter sido perder a mãe aos 4 anos...
      Também sou a mais velha, e sei que muito recai sobre a gente, né?
      Verdade, graças à Deus por tudo!
      beijossss

      Excluir
  12. Elaine, muito singela sua história, gratidão é um sentimento nobre que deve existir independente da condição financeira, tudo depende dos olhos de quem vê!
    Aproveito para desejar Feliz Natal, com muita luz e alegrias na sua vida! Abraços!

    ResponderExcluir
  13. Sabia que voce tinha algo mais , eu tbem passei por isto, casinha de madeira pra ir ao banheiro eu tinha um medo danado das aranhas e subia e ficava acocorada , bah, era um dureza.....quando a gente , eu e meu mano tinhamos vontade de com er um doce minha mãe faz\ia farinha com acçucar , torrava no fogo na frigedeira ,,é cada um passa, e sabe ,só a gente sabe, mas guria que Deus sempre te dê forças e siga nos dando exemplos, viu por isto nos junatamos virtualmente porque no fundo ,somos iguais ...valeu querid abjos .....

    ResponderExcluir
  14. Elaine, quase 2 da manhã, caindo de cansaço e sono, mas foi impossível não ler seu texto até o fim. Gratidão, é de longe para mim o sentimento mais lindo do mundo. Por isso quero agradecer sua generosidade e a forma como derrama o seu coração para a gente. Sua história me fez lembrar muitas passagens da minha, e graças a Deus posso como você, olhar para traz e ver que tudo melhorou.
    Todos os dias adormeço agradecendo a Deus toda minha jornada e peço pra continuar digna de merecê-la.
    Deus te abençoe sempre, um 2017 cheio de muita alegria e motivos para ter gratidão. Fique com Deus, Xerinho.

    ResponderExcluir
  15. Oi Elaine,

    Eu conheço sua história, sua vida, pq há muitos anos te acompanho... E sei como deve ter sido dura a tua vida...
    Tb aprendi a duras penas, a agradecer por tudo o que Deus me deu e me dá... Agradeço até mesmo a minha doença, pois foi através dela que eu aprendi um pouco mais sobre o ser humano e os preconceitos...
    Até mesmo os meus melhores amigos me abandonaram, quando eu contei a eles sobre a minha doença... Não me abalo mais não, mas foi duro esse abandono...
    Mas não tenho vergonha de falar sobre a minha doença para ninguém... Pq podemos levar uma vida normal com ela...
    Mas olha, seu post tá lindo demais viu? Se eu estivesse dando aulas eu iria te pedir para usar seu texto em sala de aula... como fiz daquela vez, lembra? Com uma de suas crônicas... Meus alunos adoraram seu jeito doce de escrever...
    Desejo a vc, amiga um Natal de luz, e um ano novo com muita saúde, paz e felicidades!
    bjo no core!

    ResponderExcluir
  16. Gratidão é tudo!!
    Sou muito grata por meus pais terem podido me dar tudo na minha infância e adolescência e não ter passado necessidades e sou muito grata pela vida que tenho hoje.

    ResponderExcluir
  17. Elaine sua história apesar de ser triste e difícil é linda, pois é cheia de amor e superação e ela que fez de você essa mulher forte, lutadora, linda e guerreira!
    Estou muito feliz por poder partilhar dela neste momento!
    Obrigada querida por ter se tornado quem és!
    Bjooo no coração....

    ResponderExcluir

Olá! Muito obrigada por ler meu blog e obrigada também por se dispor a comentar meus posts. Seja muito bem-vindo(a)!

Importante!
Devido à falta de tempo hábil eu não me comprometo a responder perguntas referentes aos tutoriais postados neste blog.
Pedidos de ajuda individual serão respondidos conforme o meu tempo e disponibilidade permitirem.
Por favor, entenda: comentários sem relação alguma com o post não serão liberados e nem respondidos.

Para saber mais sobre a melhor forma de utilizar este blog leia Termos de uso do blog.



Muito obrigada, fique à vontade para interagir.
Mas lembre-se:
Gentileza, educação e boas maneiras servem também para a vida nos blogs…



Contando...

Dias online
Postagens
comentários

Visualizações