É fácil criticar quando não pisamos nas mesmas pedras...

em 14 de agosto de 2016

é fácil criticar quando não pisamos nas mesmas pedras

Num domingo qualquer desses eu fui almoçar fora com marido num restaurante aqui na minha cidade.
À nossa frente, numa mesa central, estava uma família: pai, mãe e um menino que devia ter entre 10 e 12 anos, talvez um pouco menos.
Menino bonito, crescido, cabelo bem pretinho. Aparentemente muito educado, sorridente, falante, em especial com o pai.
Quando chegaram nós já estávamos lá.
A cena me chamou à atenção.

A mãe sentou o filho à mesa. Sim, ela puxou a cadeira, ela o acomodou.
Ela passou um guardanapo de papel onde ele ia almoçar.
Ela perguntou, sem se sentar, debruçada sobre o menino, o que ele queria comer.
Ela foi ao balcão e serviu o prato, enquanto ele estava sentado com o pai, e viam um jogo qualquer na televisão que tem no restaurante.

À cada item que ela via no balcão ela ia até a mesa e perguntava, naquela voz que a gente usa de vez em quando com bebês: "Tem franguinho, você não quer?"
"Olha, filho, tem carninha assada, pode colocar um pedacinho?".
Quando ela terminou de montar o prato colocou na frente dele, e foi buscar talheres.
Cortou a carne, despedaçou a salada. Misturou o arroz no feijão. Preparou a primeira garfada.
Sem se sentar.

Foi buscar o refrigerante (que é de máquina, acessível para todos) e não se sentou enquanto ele não comeu.
À todo momento ela perguntava se estava bom, se queria mais, e quando chegou batata frita ela se iluminou, correu buscar pra ele, e deu bronca no pai que queria pôr sal nas batatinhas.
Num determinado momento me perguntei se ela ia mastigar para ele...

Depois, mais incomodada com meus pensamentos do que com a cena em si, fiquei pensando...
O que, afinal, eu tinha com isso?
Nada.
Em quê a atitude extremamente protetora e até sufocante da mãe me afetava?
Em nada.
Não me dizia respeito, não era da minha conta, não me afetava, não impactava em nada em minha vida.
Simplesmente não era da minha conta que ela fosse tão superprotetora.

Eu não os conhecia. E por isso mesmo foi muito fácil julgar.
Talvez se eu os conhecesse e soubesse, por exemplo, que aquela mulher passou anos tentando engravidar e agora ela quer ser a melhor mãe do mundo? Será que eu seria tão crítica?
Talvez, se fosse uma amiga ou irmã, que cometeu erros antes agora quer compensar e corrigir, sendo uma mãe atenta e dedicada? Será que seria tão ácida?

Ou se fosse alguém que eu amasse e que simplesmente seja assim, cuidadosa, melosa, zelosa ao extremo, até um pouco chata e  grudenta? Será que seria assim tão sarcástica e pensaria :"será que ela vai mastigar pra ele?"...

A gente tem muita facilidade em criticar. Em especial o outro, o diferente, o que age de modo diverso da gente.
É muito fácil criticar, julgar, depreciar, ironizar... quase uma brincadeira...
Claro que a maioria das coisas fica no pensamento, mas se a gente soubesse o quanto os nossos pensamentos podem ser nocivos... me pergunto se os pensamentos ácidos podem ou não, de alguma forma, atingir o outro...
E se os meus pensamentos transparecessem em meu rosto?
Será que eu ficaria tão confortável em criticar?

Nesse dia saímos do restaurante antes deles. Ao sair ouvi a mãe perguntando:
"Quer gelatininha, filho? Eu vou pegar, quer que corte com a colherinha?"
Senti uma leve irritação com a voz, os trejeitos, a gelatininha... com algo que não me diz respeito em nada.
É... parece que ainda tenho muito que dominar em mim...
Todos temos.
Não é?


Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

10 comentários , comente também!

  1. gostei muito do texto acredito que traduz o que acontece com a maioria das pessoas, ainda bem que são apenas pensamentos e podemos pensar antes de falar! O mais importante é o respeito... feliz dia dos pais! beeeijos

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  2. Uma reflexão sobre os nossos pensamentos e reacções perante os outros que todos nós devíamos fazer de vez em quando. Para sermos mais compreensivos e tolerantes com eles.
    Um abraço e uma boa semana

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  3. Bom dia,
    Nossa este Post traduziu exatamente o que estou tentando mudar em mim.o que eu tenho a ver com isto.muito bom para reflexão
    Boa semana.Um bj

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  4. Me identifico perfeitamente no texto, faço isso muitas, muitas vezes.
    Depois tento me policiar, mas já foi, já fiz, é uma coisa que tento muito mudar, não tem a ver com minha vida, deixa pra lá.

    Bj

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  5. Oi Elaine:
    É verdade muito o que aprender. Porque não suporto mimimi. Então quando acontece algo semelhante também me pergunto.
    o que isso vai afetar na minha vida? e tento me serenar.
    bj

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  6. Elaine, muitas vezes fico pensando nisso também. Às vezes fico questionando o comportamento de algumas pessoas próximas, fico irritada, mas no final me questiono "O que eu tenho haver com isso?". Cada um sabe de si, é a questão do livre arbítrio, não dá para interferir. E quem disse que somos os certo e eles os errados? É bem complexo, mas refletir sobre isso nos faz bem e evita algumas coisas. Estou exercitando isso aos poucos! bjssssss

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  7. Elaine, adorei o texto. Sou daquela que temos que respeitar a escolha de cada um. Nesse caso que contou, vejo muito com pessoas que convivo. Dá uma vontade falar! Mas procuro ficar na minha. Mas o que eu não aceito é que na maioria das vezes nesses casos, a "mãe" quer que as pessoas de fora faça o mesmo tratamento ao "filho" dela. E quando isso acontece, a daí, não dá!
    Fico enfurecida com isso. É mais ou menos aquele caso que na casa a mãe deixa o filho fazer o que quer. Quebrar, bagunçar, sujar, gritar... E quando vão em uma visita, a criança faz as mesmas coisas, e a mãe tenta te convencer que você também tem que se sujeitar a aquela situação.
    Penso assim, que se a mãe quer mimar seu filho, é um direito dela e ponto!
    Mas ela tem que ensinar ao filho e deixar bem explicado á ele, que ela faz isso, mas que as pessoas de fora, não vão fazer. Tenho pessoa na minha família que trata o filho como se ele ainda tivesse quatro anos de idade.E o cidadão já tem quase trinta anos!
    Nesse caso, me afeta quando a mãe desse cidadão quer que eu também o trate assim. Fico furiosa e digo: -Ele não é mais criança. Comigo não tem isso, não!

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  8. Olá Elaine, se há uma coisa que a idade me ensinou, foi a não criticar. Hoje em dia, não tenho mais opinião sobre a vida e as atitudes dos outros. Fico tão de fora das conversas de fofoca e diz que me disse, que já fui acusada de não ligar para a família e de ser omissa. Expliquei que não tinha nada a ver, mas que simplesmente já não julgo. Posso até ter minha opinião, mas fica para mim. Não sabemos nunca o contexto todo que leva a pessoa a ter esta ou aquela reação e como tal quem somos nós para falarmos seja o que for. Beijo, bom fim de semana.

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  9. rsrsrsrrs, mulher !
    Pra que escrever um post desses ?
    Tu não sabe que eu sou a rainha do julgamento ? Já estava indo lá e falando : Pare , deixe esse moleque se mexer pelamor !!!

    Mas como você disse , o que eu tenho a ver com isso ? No que isso me atrapalha ? quando eu vou ver essa pessoa de novo ?
    Outro dia, conversando com a Vi, chegamos numa conclusão : nós queremos cuidar da vida dos outros porque é bem mais fácil !
    Afinal, saindo dali o problema acaba, bem diferente quando é nossa vida, que muitas das vezes não podemos confrontar, não podemos mudar nada e temos que ter aquela famosa resiliência !
    É mais facil julgar o que eu não conheço e não vivo !

    Mas tenho aprendido que criticar , julgar não faz parte da minha vocação.
    Antigamente , tudo eu tinha opinião formada... hoje em dia, eu olho, (sim, fico pensando : why ????) mas fico bem na minha.

    Adorei o post, só pra variar !!

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  10. Olá Elaine! Concordo com sua opinião. Confesso que muitas vezes pensei em verbalizar opiniões com assuntos que não influenciariam a minha vida em nada, graças ao livre arbítrio eu deixava só no pensamento. Hoje com mais experiência continuo assim, guardo os pensamentos e até saio do local pra não ver cenas que podem me fazer cair em tentação.

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