Essa outra Elaine...

em 17 de julho de 2016


Dentro de mim mora uma outra Elaine.
Não é modo de dizer, é real. Real pra mim.
Uma outra Elaine, diferente da Elaine "para consumo externo", uma Elaine que às vezes amo.
E que outras vezes me irrita, me exaspera tanto que a mando calar a boca.
Mas ela não cala.

A Elaine que mora dentro de mim é muito franca e me diz as coisas assim, naturalmente, sem medir as palavras, sem se preocupar se às vezes me magoa ela dizer que estou errada, que estou sendo egoísta, que estou sendo ingrata.
Ela aponta os meus erros, e quando eu quase caio naquele sentimento de autopiedade ("o mundo é cruel comigo") ela me chacoalha, me diz que eu estou errada. Que nem sempre a culpa é dos outros...

Quando brigo com meu marido, por exemplo...  ela me lembra o quanto ele é bom, esforçado e paciente e que eu sou a encrenqueira da casa. Sim, ela me acha encrenqueira, diz que eu preciso ser mais tolerante e mais calma...
Detesto isso, detesto estar errada, detesto me sentir do lado negro da força... E a Elaine que mora dentro de mim nunca me deixa esquecer que muitas vezes a errada sou eu. Quase sempre.

A Elaine que mora dentro de mim é tão crítica quanto eu, mas em geral esse espírito crítico se volta somente para mim.
A Elaine que mora dentro de mim, ao contrário de mim, jamais critica alguém.
Ela sempre me faz parar quando começo um pre-julgamento.
Ela sempre me manda olhar antes pra mim, ao invés de julgar alguém. Ela me corrige e isso, de vez em quando, me deixa louca de raiva...

Diante de um problema, de um erro meu ou diante de uma decisão difícil a Elaine que mora dentro de mim sempre me diz, quando eu vacilo e procrastino: "Deixa de ser covarde. Você errou, agora encare.
Você deixou isso acontecer, agora não queira fugir. Vai lá e resolve. Não seja covarde."

A Elaine que mora dentro de mim é muito mais paciente e sábia do que eu.
Ela, quando estou muito nervosa ou com raiva, sempre me pede, com jeito, para respirar.
Ela diz: "Calma, menina. Respira, não fale nem faça nada com raiva.".
Em geral, quando estou magoada, ela me diz pra deixar o choro vir.
Ela senta comigo, segura as pontas comigo, choramos juntas.
Mas ela não é de me deixar chorar sem limite. Ela, tem sempre uma hora, que diz: "Agora chega. Enxuga o rosto, e vamos resolver o que der. O que não der pra resolver, paciência.".



Ela me entende.
Quando eu fico me culpando exageradamente por algo que eu disse, que eu fiz ou que eu não dei conta de fazer, ela me diz pra não ser tão dura comigo mesma.
Me lembra que sou apenas humana e que errar, falhar e se equivocar é parte da nossa natureza.
Ela me dá perspectiva, não me deixa me sentir um monstro quando faço ou digo algo do qual me arrependo.
Muitas vezes ela me consola, ela não me deixa pior, ao contrário, ela tenta me levantar quando o peso das coisas parece querer me soterrar.
Ela sempre me lembra que eu não tenho que carregar o mundo nas costas...

Hoje eu mandei a Elaine que mora dentro de mim calar a boca.
Estava cansada, frustrada comigo, decepcionada comigo mesma, e estava à fim de briga.
E ela lá, sensata, equilibrada, me mandando ter calma, medir as palavras, parar de retrucar, esfriar a cabeça.
Mandei calar a boca.

Ela não calou, claro. Ela nunca cala, nunca desiste, nunca me deixa.
Essa outra Elaine, a que mora dentro de mim, é persistente.
Acho que ela, do jeito dela, me ama.
Está sempre comigo, mesmo antes de eu percebê-la ela estava aqui.
Essa Elaine, a outra...
Quem sabe um dia ela não consegue me fazer ser tão calma, sábia, sensata, bondosa e paciente quanto ela...


Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

7 comentários , comente também!

  1. tem um texto do professor Leandro Karnal, no livro Pecar e Perdoar, em que ele classifica as pessoas em 7 tipos de chatos. Ele diz que chato, por definição, é o que é liso, plano, sem relevo, sem relev6ancia, sem surpresas, monótono, repetitivo. Então, amiga, se tu tens duas elaines aí, tu és surpreendente, e nada chata. Acredito que tu tenhas múltiplas elaines, cada uma com suas qualidades e defeitos, porque tu és realmente cheia de conteúdo. Continua assim, alimentando essas pessoas vibrantes que habitam em ti.

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  2. Que texto! Conta pra outra Elaine, que admiro muito vocês. Que mesmo quando andei ausente do mundo dos blogs, sempre pensei: Como anda a Elaine? Será que mando um e-mail pra ela? E seu marido, será que tá bem? Que as vezes eu vinha aqui, e te via de longe, em silêncio. Que eu quero pedir desculpas por ter me calado por tanto tempo.

    Beijosssss nas duas.

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  3. Todos temos um outro eu dentro den nós. É o que mantém nosso eu externo. Às vezes precisamos ouvi-lo mais e dar mais valor a ele. Ele sempre sabe como agir.
    Belo texto. Ótima reflexão.
    Beijos.

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  4. Texto belíssimo, que me identifica, mas jamais saberia descrever tão bem assim.
    Amo vocês duas, sempre, desde muito tempo.
    joturquezzamundial
    Beijos.

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  5. Como sempre, Elaine, seus textos são para pensar...
    E, eu precisava disso.
    Gratidão, amo demais a múltipla Elaine, você é muito presente em nossas vidas, com a palavra certa para nossos momentos de auto cobrança...
    Feliz e abençoada semana, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  6. Oi Elaine! Penso que isso é um sinal de consciência, isso não é se julgar, é prestar atenção aos nossos atos, é querer ser sempre um ser humano melhor, com nossas fraquezas e fortalezas, é aprender sempre não olhando só para fora, cá dentro temos muitas riquezas para explorar.
    Adorei seu texto, beijos!

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