Moço, segue aquela ambulância?

em 21 de fevereiro de 2016

Vou te contar umas coisas que aconteceram comigo, e com minha família, por esses últimos tempos.
Senta que a conversa é longa...

No final de dezembro do ano passado, no dia 18, meu sobrinho e afilhado Luís Otávio passou muito mal.
Era uma sexta-feira, dia da formatura do meu outro sobrinho, jantar festivo, e foi terrível. Dor, febre, ficou molinho como se fosse de pano...
No dia 19 ele foi internado e não conseguiram achar a causa do que ele teve. Foi uma semana terrível e traumática.
Saiu dia 24, e passou o resto do ano razoavelmente bem. Sem diagnóstico fechado.

Janeiro foi assim, uns dias bem, outros não, e nenhum médico achava um diagnóstico.
No começo de fevereiro ele voltou a passar mal de verdade, foram dias e dias de exames, e nada de diagnóstico..
Não conseguia comer, muita dor abdominal, a barriguinha inchou de modo alarmante ("madrinha, minha barriguinha cresceu tanto que eu nem vejo mais meu pipi...")
Era assustador: aquele menininho alegre simplesmente parou de comer, ficava deitado o dia todo, não dormia. Não ria. Não bebia água.

Nos dias de carnaval não havia um posto de saúde aberto, a gente levava ele na Santa Casa e o plantonista mandava de volta, dizia que precisava ir ao pediatra, que era virose, que ia passar... Oi???
Mas, que droga! Não havia pediatra, nem pagando a consulta! Todo mundo de folga... Pesadelo.

Na sexta-feira depois do carnaval achamos uma pediatra, que ficou bem preocupada, pediu exames mil (que, pasme, só poderiam ser feitos pelo SUS daí 20 dias!).
Pagamos os exames no sábado mas na manhã da segunda-feira ele não podia mais esperar.
Voltou ao hospital, passou o dia lá e no fim da tarde o quadro era tão assustador que os médicos daqui conseguiram, assim, bem rápido, a transferência dele para Franca, uma cidade maior e com UTI pediátrica.
O caso era de cirurgia de emergência.

Santa Casa de Franca, enorme e muito, muito cheio de gente...

O leito em Franca foi encontrado perto das 11 da noite, e ele foi transferido imediatamente.
Na ambulância foi ele, uma médica e uma enfermeira e meu cunhado. Quando eu soube que uma médica ia junto fiquei realmente alarmada... muito medo...
Fomos de carro, seguindo a ambulância, eu, marido e minha irmã, aos prantos, aterrorizada.
Foi uma noite de pesadelo.

A estrada para Franca é uma pista sinuosa, pista simples, e chovia muito.
Não há iluminação, e parte da estrada está em obras.
A ambulância na frente, a gente atrás, uma chuva daquelas, e o medo terrível de que ele não voltasse vivo... medo da cirurgia, medo da estrada, marido (que é portador de Esclerose Múltipla, como você sabe) dirigindo naquela estrada, naquelas condições.
Mas chegamos ao hospital no centro de Franca, a Santa casa de lá.
É um hospital grande, de referência, e terem conseguido leito lá tão rápido dá bem a medida da gravidade.

Quando ele chegou passou por uma avaliação da junta médica, e resolveram não realizar a cirurgia imediatamente porque ele não aguentaria.
Passou a semana lá, sendo examinado, fazendo lavagens (você já viu fazerem lavagem em uma criança? É aterrorizante...), fez tomografias, precisou de sonda... fez de tudo. E até que enfim, o diagnóstico.

Pra encurtar: ele tem, provavelmente desde o nascimento, um problema de intestino que impede a excreção das fezes.
Elas se acumulam e se fixam nas paredes intestinais porque o intestino dele não tem as nervuras necessárias para o movimento de contração que faz com que as fezes sejam expelidas. Sai apenas líquido fecal.
Só cirurgia resolve, mas até a biópsia foi adiada porque ele precisa recuperar as forças pra suportar a cirurgia, que consiste na retirada dos intestinos, corta-se a parte "danificada" e recolocam tudo de volta.
Cirurgia de grande porte, e agora não dá.

Ele vai ficar 15 dias em casa, se alimentando, dieta rigorosa para o resto da vida, tomando um monte de remédios, e daí volta ao hospital pra avaliar se a cirurgia pode ser feita. Dias de choro, minha irmã em dado momento parecia outra pessoa, fora de si, de tanto vê-lo passar por tudo aquilo... o tempo todo com ele, sozinha porque a política do hospital é bem restritiva...
Eu não fiz nada esses dias, sem foco, com a cabeça lá quando vinha pra casa, a maior parte do tempo indo e vindo por aquela estrada...

E, no meio disso tudo, tem meu marido.
É muito stress, fomos em Franca 4 vezes, e teve um dia que ele passou bem mal.
Não tinha jeito, só nós temos carro na família, e a verdade é que ele já estava tendo uns episódios de fadiga, dores musculares e tremores.
Com o stress, o cansaço e outras coisas mais que não vêm ao caso, ele ficou bem mal.
No sábado dormiu o dia todo, tomou remédio pra dor, e hoje parece melhor.
Mas eu vejo claramente o avanço da doença, e isso é uma fonte permanente de preocupação, né?
Como eu disse, dias de pesadelo...



Com tudo isso (e mais algumas coisas que se fosse contar esse post não teria fim) minha vida está um caos completo.
Espero colocar as coisas em ordem em março.
Emails de trabalho, encomendas em atraso, pedidos de orçamento... vou colocar tudo em dia, eu juro.
Mas pode demorar porque acumulou tudo e meu planejamento foi pro espaço. E os problemas que geraram os atrasos ainda estão aqui...

Por isso, até conseguir colocar minha vida em ordem e cumprir as encomendas já confirmadas, estou suspendendo as encomendas de templates.
Vou manter os contratos já firmados e, claro, os contratos de assessoria. São minha prioridade.
Assim que conseguir organizar tudo eu reabro para novas encomendas, mas por enquanto, está suspenso. Mas volto antes do segundo semestre.

Aos clientes que já confirmaram a encomenda mediante pagamento do sinal, tudo continua valendo, embora com atraso. Vou explicando conforme entrar em contato, por email, na medida do possível. Caso haja desistência eu cancelo a encomenda.
Novos contratos só no segundo semestre, preciso de tempo para organizar minha vida. E minha agenda de trabalho, que é parte importantíssima da minha vida...
Se meu sobrinho passar por cirurgia quero estar mais tranquila, sem o aperto no coração de ter encomendas pra entregar, em atraso.
E como em abril marido tem 3 dias de HC para fazer ressonância e avaliação neurológica a prioridade é essa.
Afinal, não sei o que nos espera...



Quero aproveitar e agradecer todo mundo que mandou mensagem via Facebook (fui postando lá as notícias, em especial por causa da família), que rezou, que ofereceu apoio, que torceu junto e que se preocupou com a gente.
Muito obrigada!
Foram dias terríveis, que ainda não acabaram, mas ler, no fim de um dia ruim, coisas boas e positivas, faz sim a diferença...
Muito obrigada!!!!


O lado bom (porque por mais escura que seja a noite, sempre tem algo bom pra gente se apegar!) é que meu marido é um ser cheio de bondade e alegria...
Na estrada, minha irmã tensa, eu com medo da estrada, da cirurgia, de tudo, ele me diz:
"Fala pra mim assim: moço, segue aquela ambulância!".
É que sempre quis que alguém me dissesse "siga aquele táxi".
Eu falei "moço, siga aquela ambulância".
Ele riu, e o clima pesado ficou assim, um tiquinho mais leve por causa dele...
Tem como não amar????

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora voraz. Blogueira apaixonada. Propriedade (atualmente) de 3 cachorras e um cachorrinho muito levado. Casada desde 1995 com o mesmo marido. Feliz.

29 comentários , comente também!

  1. Fico imaginando a angústia de vcs, Elaine... Mas Deus está a frente! Confie! E graças a Deus fecharam um diagnóstico! Agora tranquilize-se e cuide de vc, do marido e da família! O restante vc dará conta!!! :) Um grande abraço e que Deus cuide de vc é da sua família!

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    1. Tuca, estamos nos cuidando.
      Acabei de colocar costelinha de porco pra assar, em plena segunda feira, porque marido ama rsrsr
      beijosssss

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  2. Bom dia, Elaine!
    "Moça, siga aquela estrada!"
    Tudo deveria ser simples assim: "Moço, siga aquele táxi!"
    Mas, não é, a cada dia aprendemos mais uma lição e lição dói, dói muito!
    Já passei por situações de filho em hospital, sem ter ninguém para me apoiar, nem esperança de melhorar, apenas Deus para confiar.
    Fique em paz, Elaine, neste momento é preciso que você se acalme, tudo vai se ajeitar, se já está com o resultado dos exames do Luis Otávio, os médicos tudo farão para tratá-lo da forma mais adequada, confie, Deus está no comando.
    Seu esposo e você são muito especiais, estamos orando, tudo terminará bem!
    Que Deus abençoe e proteja a todos, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  3. Seu marido é uma pessoa incrível Elaine, amo por tabela. E oro por sua família e por você e fico de coração apertado!

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    1. Ele é mesmo... faz de tudo por mim e eu sou tão brava rsrrs

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  4. Olá, Elaine Gaspareto.

    É quase possível ver a situação que viveu através das descrições que elaborou neste texto. Um tanto provável sentir a aflição no peito, ao ler sobre a dor familiar por causa das enfermidades relatadas.

    Faço votos que tudo corra bem na vida do menino, que o maridão continue a manifestar bom humor em tempos difíceis, e que essas crises desapareçam e sobrem apenas motivos para sorrir.

    E.A.G.

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  5. Nem dá para imaginar a aflição e sofrimento que deve ter sido.Graças a Deus, conseguiram o diagnóstico.
    Seu marido é especial. Por incrível que pareça, as pessoas como ele desenvolvem uma muito maior capacidade de entendimento do sofrimento alheio.
    Continuarei a rezar pelo Luís Otávio.
    Que Deus guia a mão do cirurgião e o menino volte ao normal tão breve quanto possível.
    Um abraço e uma semana serena e sem sustos.

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  6. Elaine, fiquei comovida com seu post, pra falar a verdade até me emocionei. Atravessamos tempestades nas nossas vidas e muitas vezes não entendemos o porque, então vamos crer que Deus está no controle e que tudo se acerta no tempo dele e que as vezes ele demora porque é muito caprichoso, não é mesmo? Bjs e fiquem com Deus.

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    1. Maria, eu pensei isso na noite da ambulância, uma analogia com a vida, né?
      bjsssss

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  7. Forca Eliane. Seu maridex e mesmo um ser especial. E vcs sempre estão em,minhas orações. Respira fundo que já deu tudo certo. Se precisar de ajuda chama estamos aqui pra apoiar e fazer o que pudermos ok?

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  8. Nossa meu filho tem um problema de intestino parecido. Parecido no efeito, ele não consegue ira ao banheiro naturalmente, mas graças à Deus fizemos uma colonoscopia e a cirurgia foi descartada! Mas precisa tomar laxante para o resto da vida.
    De tudo o que mais me impressiona é "marido". A despeito da situação totalmente tensa, da situação dele que já e tensa e ele consegue ainda abstrair disto tudo e fazer humor! Acho que esse moço não é deste mundo

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    1. Val, não sabia de seu filho...
      Meu sobrinho não faz cocô sólido, sabe? Ele tem perda de líquido fecal, e as fezes mesmo ficam no intestino...

      Marido é mesmo bem humorado.
      Quando ele teve o próprio diagnóstico ficou um ano, talvez mais, sem fazer graça, sem rir.
      Mas está retornando, essa semana ele me aprontou umas...
      Essa quiança rsrsrrs

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  9. Elaine, estou torcendo para que dê tudo certo. Coloquei seu sobrinho e seu marido nas minhas orações... Força, mulher!
    Beijos

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  10. Olá Elaine. lamento muito o que está acontecendo com seu sobrinho, mas espero que vá tudo correr bem no final. Quanto ao seu marido, realmente não é nada bom tanto stress, mas com esses acontecimentos também seria difícil de evitar. As melhoras de todos e que corra tudo pelo melhor.
    Beijos
    Adelaide

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  11. querida estamos aqui para te abraçar e segurar tua mão...nem imagino o que tens passado..mas Deus só dá esses fardos a quem pode carregar..fique com Ele e tenhas nesses meses a paz e a traquilidade necessárias para organizar a vida..um beijo enorme.

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