"Para sempre Alice", um livro inesquecível!

em 11 de janeiro de 2016


Vi todo burburinho em torno do filme e do livro "Para sempre Alice" da autora Lisa Genova em 2015, mas relutei tanto em ver o filme quanto em ler o livro.
O motivo?

Pensei que era mais uma daquelas histórias nas quais o autor apela para a sentimentalismo barato construindo uma história profunda como uma poça de lama sobre um assunto sério.

Leio muito e sei o quanto o mercado editorial está cheio de livros assim.
Porém, numa dessas madrugadas fuçando na loja virtual do kobo meio sem querer, cliquei no livro.


O resultado?

Em três dias fui até o fim na leitura. Lisa Genova mostrou não ser autora que se valha de sentimentalismo barato: eu me vi completamente arrebatada por sua história e precisando urgentemente falar sobre ela.

A escrita da Lisa Genova é limpa, muito concisa, nada apelativa. Seu texto é quase jornalistico.
Ela narra a história de como Alice, professora  de Psicologia PhD em Harvard, se vê com Alzheimer de instalação precoce, sem firulas, em uma linguagem rápida, prática e de fácil compreensão.

Catedrática de uma universidade como Harvard. Alice só podia ser uma profissional top, ela é aliás, conhecida por ter uma memória impressionantemente afiada, citar livros e autores sem erros, está acima, muito acima da média geral, é simplesmente genial.
Quando ela começa a apresentar problemas de memória pressupõe que seja tudo, menos o Alzheimer.

E, no entanto, a vida nos prega peças e aquilo que menos se pressupõe possível, acontece.
Como comumente acontece Alice se vê vivendo a rotina de uma pessoa com "Alzheimer de instalação precoce" e nós mergulhamos com ela no mundo das pessoas que de repente vão pouco a pouco  perdendo os seus 'ontens', as suas memórias.

Usando as palavras do site da ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer):
"A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas pode e deve ser tratada. Quase todas as suas vítimas são pessoas idosas. Talvez, por isso, a doença tenha ficado erroneamente conhecida como “esclerose” ou “caduquice”."
Quase todas as vitimas de Alzheimer são idosas, mas algumas, como a personagem de Lisa Genova, são atingidas mais cedo.
Aliás a paciente, Auguste Deter, estudada pelo médico Alois Alzheimer através da qual ele pode descrever a doença em 1906 possuía apenas 51 anos.

Em "Para sempre Alice" acompanhamos cerca de três anos da vida de alguém que adquire o mal de Alzheimer precocemente.
Nós vemos como rapidamente elapassa de uma pessoa plenamente capaz, para uma que esquece datas, nomes e onde está... tornando-se uma pessoa incapaz de lembrar de seus filhos, marido e até mesmo como utilizar seu computador.

Acompanhamos também a forma como a família reage a isso.
Aliás, não é nada fácil entender que uma pessoa aos 50, plenamente capaz e saudável, está caminhando para a senilidade...
É psicologicamente desgastante, dramático e incômodo.

Nossa... chega a ser doloroso acompanhar a repercussão da situação de Alice em sua família!
O marido dela, acostumado toda vida a uma espaço cuja inteligencia afiada é quase uma marca de identidade oscila entre a negação da realidade à um constante estado de fuga. Os filhos idem.
Quem melhor lida com a nova realidade é a filha mais nova de Alice, a atriz Lydia, ironicamente a que tinha mais desentendimentos com ela e mais enfrentava uma constante reprovação.

Diga-se de passagem, Lydia protagoniza uma das cenas mais emocionantes do livro.


Navegar com Alice pelos mares dos seus três primeiros anos de esquecimento foi uma jornada e tanto. Encontramos com ela dona de si, capaz, ministrando bem suas aulas e caminhamos até o momento no qual ela não lembra nem mesmo o nome de suas filhas.

Sem apelação ou firulas, preservando a dignidade dos personagens da história que conta, Lisa Genova foi brilhante. Mereceu os prêmios que ganhou e ver seu livro se transformar em filme.
"Para sempre Alice" é mais que um livro, é um serviço de utilidade publica, sensível, informativo e acessível a todo publico leitor.

E ai gente! Vocês leram o livro ou assistiram o filme?
O que acharam?
Contem-me tudo, não me escondam nada!
_______

P. S.: Meus agradecimentos ao Rafael Castro por ter me cedido as imagens do livro físico dele.




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Estou em minha Telemaquia, ou seja: "Em busca da Taça de Ouro trabalhada a Fogo"

11 comentários , comente também!

  1. Eu assisti ao filme e não li o livro, mas pelo que andei discutindo no FB o livro comete o mesmo pecado do filme. sou filha e neta de mãe e avó que tiveram doença de Alzheimer, então convivi muito de perto com a doença. O problema é que a Alice tem uma personalidade muito plana para um doente de Alzheimer. O doente na verdade é instável. em uma hora ele se apresenta deprimido, em outra confuso e todo doente de Alzheimer sofre da Síndrome Sunset, ou seja, apresenta agressividade com hora certa, após as 16:00 horas. A Alice só é esquecida, não apresenta alterações de humor, não tem agressividade! O filme é um conto de fadas sobre a doença, muito bonito,mas não é verdadeiro.
    Bjs

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    1. O livro exploca muita coisa sobre Alzheimer, mas nesse aspecto ele realmente não se detém, apesar de nele Alice apresentar quadros de agressividade algumas vezes a autora não se detém muito nisso, talvez pq ela tenha tentado focar mais na pessoa com Alzheimer e como ela se sente que na família. Essa foi uma lacuna, obrigada por comentar, por compartilhar e explicar, tem coisas que só quem passa pela situação sabe e que livro nenhum abarca.

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    2. Betty,
      Nunca havia pensado que fosse característica do Alzheimer. Atribuí sempre a agressividade de minha mãe e também avó, à personalidade naturalmente difícil de ambas

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    3. Oi Val,
      é próprio da doença, até a mais doce das pessoas vira bicho!

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  2. Não tive coragem de ver o filme ainda, mas imagino que o livro deva ser bem completo. Não curto um sick-lit, mas pela resenha me pareceu ser bem mais que isso, me pareceu ser um bom drama, com personagens profundos, bem profundos, o que deve ser excelente! <3

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  3. Livros com personagens doentes as vezes são apelativos e como você disse, muitos são só moda, e bem rasos, mas que bom que este te agradou, e se mostrou profundo. Está anotada a dica, amiga! Um forte abraço!!
    Alexandre do blog Do Que Eu Leio
    @_alexandremelo

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  4. Li o livro, não vi o filme. Gostei da forma direta e ao mesmo tempo leve com que a autora fala de um problema tão sério.
    Abraço!
    Sonia

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  5. Tenho que dar uma vista de olhos de certeza no filme e no livro, nunca tinha visto!! eheh
    Um grande beijinho, linda! :)
    _________________
    www.focusonmeblog.com

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  6. Li o Livro. É aterrorizante pensar que uma pessoa com "memória de elefante" passe a ter essa doença. Não sabemos nada do futuro. Na minha cabeça, tudo isso é muito complicado.
    blogjoturquezzamundial
    Beijos.

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  7. Vi o filme recentemente, achei lindo e muito triste, ver uma pessoa que sempre se dedicou aos estudos perdida em suas memórias..
    Abraço
    https://naiamelo.blogspot.com (Ciranda da Bailarina)

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  8. Assisti o filme, lindo e triste. Minha Avoh tem Alzheimer e vivemos isso...
    bjos

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