Três

em 15 de agosto de 2015


Passaram a dormir em quartos separados depois de 15 anos de casados. Foi uma coisa natural, aconteceu simplesmente sem que nenhum dos dois houvesse planejado. Na mudança para a casa nova a separação de quartos aconteceu. Em menos de 1 semana parecia que jamais haviam dormido juntos.

A vida seguiu.
Ela começou a se ausentar de casa cada vez com mais frequência e ele ficava satisfeito; apreciava a solidão e o silêncio.
Apenas notava a falta dela à tardinha pois gostava de tomar café da tarde acompanhado.

Um dia, depois de ter ficado fora por 2 semanas ela voltou com uma amiga recém-conquistada nas andanças pela região. Apresentou-os.
Ele achou a mulher bonita e se perguntou o que elas teriam em comum, diferentes em tudo, do tipo físico ao som da risada. Uma, a esposa, era pequena e delicada, pele clara, olhos azuis pálidos, risada discreta e tão suave que mais parecia um sussurro.
A visitante, alta e morena, pele dourada, risada contagiante, daquelas que fazem a gente querer rir junto.

A visitante ficou hospedada por 15 dias, e ele começou a perceber as vantagens em tê-la por perto: pão quentinho todas as tardes, flores sobre a mesa durante as refeições, um certo ar de leveza enchendo a casa. A risada dela enchia os dias, animada, arrastava ambos para passeios, jantares, noitadas...

Quando ela se foi ele ficou resmungando a falta do pão e das flores. E da risada.
Em menos de 1 semana ela estava de volta.
Deixara casa em outra cidade para vir por tempo indeterminado... Ele ficou satisfeito e a mulher dele apenas sorriu, aquele sorriso misterioso que às vezes as mulheres têm...

O tempo passou.
Então, num dia frio de agosto, enquanto o vento zunia furioso lá fora, ele chegou em casa mais cedo do que de costume.
Fora o barulho do vento nada mais se ouvia na tarde fria.
Ele caminhou pelo estreito corredor que levava aos quartos. Ouviu uma leve risada feminina, suave e discreta, depois outra, alegre e que fazia ter vontade de rir junto.
Ia seguir para seu próprio quarto quando a voz de contralto da hóspede o deteve. Parou para escutar. Outra risada suave, alguns sussurros. Abriu a porta abruptamente.
Na cama coberta pela colcha de cetim branco as duas o olharam sobressaltadas. A hóspede foi a primeira a falar:

"Não faça essa cara. E não me venha dizer que está surpreso."

Ele continuou olhando. O contraste entre elas era incrível!
Seu sangue começou a esquentar.
Mas o que o fez finalmente se mover em direção à cama foi mesmo o olhar da esposa. Aquele olhar que as mulheres às vezes têm, um olhar que convida, que chama...
Enquanto se dirigia para a cama coberta pela colcha de cetim pensava consigo mesmo:

"Por quê não?"

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

10 comentários , comente também!

  1. Muito legal, confesso que previ o final diferente, rs.
    Homem que quer demais, tem de menos...rs, elas poderiam ficar sem ele!
    Hahaha.
    Beijos

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  2. Surpreendente mesmo o final! Eu imaginava tudo menos isso e adorei!
    Eita mulher original, essa Elaine!

    Beijos

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  3. WOOOOW!!! Vc me enganou!!! estava esperando um final mais "comportado"!!!! Mas concordo com o comentário acima, elas deveriam chutar o balde e ficar sem ele!!! Excelente, como sempre!
    BJ

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  4. Meu lado feminista também o deixaria de fora...ele ficou lá, esperando algo novo acontecer, se queixava , mas não agia em nenhuma direção.. comodismo ficar com as 2. Qdo na verdade a mulher nem mais o queria!
    Mas, as histórias não acontecem porque queremos...simplesmente acontecem.. ouvimos e levamos um tempo para digerí-las...to levando a sua ! rs
    bj

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  5. Olá!
    Acho que ele não estava merecendo nem ficar com uma, que dirá com as duas! rrss
    Existem homens que nasceram pra viver sozinhos!
    Adorei a sua criatividade, parabéns!
    Bjs

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  6. Nossa! Adorei o texto e o blog. Vou passar por aqui sempre!
    ps. imaginava um fim diferente para o conto!rs

    beijos,
    :)

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  7. Muito bom.
    Gosto de textos assim, que surpreendem e nos fazem pensar.
    Bacana.

    Gostei de ter vindo por aqui...

    Beijo

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  8. Menina, quando comecei a ler esperava outra coisa. Adorei o final! Surpreendente! Não concordo com os comentários acima pois ele não desistiu sozinho, os dois já haviam desistido. Achei de uma generosidade imensa a atitude da esposa. Gostei! Parabéns!
    Beijo

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  9. Confesso que quando comecei a ler a minha imaginação me levou para outros caminhos. O final surpreendeu-me. Gosto de histórias assim. Com capacidade de nos surpreender.
    Um abraço e bom Domingo

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  10. Ai ai... Nao me surpreendo com os comentarios é o padrão, o que a sociedade espera de nós, nem com meu pensamento divergente, sei que sou de outro mundo ou pelo menos de outro tempo.
    O desgaste natural de TODO relacionamento longo, não entra o merito do marido merecer ou não..... O que todos buscam é ser felizes. E quem foi que disse que felicidade está em rótulos?
    Mulher moderna que soube quebrar a rotina rsrs

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