Livros que abraçam

em 8 de agosto de 2015



Sou uma pessoa sonolenta, mas hoje acordei antes das seis da manhã.
Minha mãe me perguntou se deu "carrapicho na cama",  talvez tenha dado mesmo.
Me pergunto: existe carrapicho pior que a ansiedade?
Quem nunca sentiu o sono fugir por conta dela?

Ando ansiosa com as coisas da vida, com o porvir, meus desejos e providências necessárias a ele...
Tenho que respirar, mas perco o sono!
Nesses momentos não adianta conversar.
Escrever às vezes ajuda.
Orar a Deus conforta.
E certos livros abraçam.

Então, hoje acordei cedo.
Vi a cama da minha irmã madrugadora vazia.
Abri a janela do quarto e fui fuçar nos meus livros que abraçam.
E, em retribuição, precisei escrever sobre alguns deles.


"Na companhia das estrelas" é uma distopia, aquele gênero literário no qual as histórias acontecem em algum lugar do futuro onde tudo deu errado.
Quando vi a sinopse desse livro torci enormemente o nariz para ele, mas quando, por um acidente do destino, ele veio parar em minhas mãos foi uma explosão de emoção.
Peter Heller tem uma escrita intimista, sentimental, profunda.
Pouco a pouco nós vamos adentrando em seu futuro no qual um vírus produzido em laboratório dizimou grande parte da população mundial e vamos nos envolvendo com as angustias e anseios de Hig e Cima, amando Jasper, melhor cão da literatura.

"A vida e a morte viviam uma dentro da outra.
Foi isso que me ocorreu.
A morte estava dentro de todos nós, esperando por noites mais quentes, um sistema em risco, um besouro, como o que está agora matando a madeira preta das montanhas.
E a vida estava dentro da morte, virulenta e insistente como a força de uma gripe.
Como deve ser." (Peter Heller)


"A casa dos Espíritos" de Isabel Allende é aquele tipo de livro arrebatador.
A saga dos Truebas e a história do Chile se misturam a ponto de em determinado momento a gente não saber se o livro é sobre uma coisa ou outra.
Identifico a mim e as mulheres de minha família em Clara, Blanca e Alba... Identifico meus tios, pai e avôs nos homens Truebas, vejo um pouco da minha história, contemplo a época das Ditaduras na America Latina, um lado da história da América Latina ainda difícil de se falar, e o que houve antes delas.
Ler "A casa dos espíritos" foi um exercício de auto-descobrimento.
Sempre seguro o folego quando começo a ler:
"Barrabás chegou à família por via marítima..." (Isabel Allende)


Sabe aquele tipo de história que fica com você mesmo depois do termino do livro?
É justamente esse o tipo de história contada por John Corey Whalet em "Quando tudo volta".
Tenho um irmão e uma irmã, os dois são mais novos, definitivamente não sei se desejo viver em um mundo no qual eles não existam ou estejam além do minha possibilidade de acesso.
Se um deles for afastado de mim, vou acreditar no reencontro até o ultimo momento de minha vida ou não vou mais querer viver. Sei disso!
O Cullen Witter, protagonista do livro, conhece esse tipo de sentimento, ele é como um amigo para mim.

Quando um autor constrói uma história na qual uma morte por overdose, um fanático estudioso da Bíblia, um pássaro lendário e pesadelos com zumbis se interligam ninguém imagina o quão intima essa história pode se tornar.
"Quando o irmão meio tímido, e as vezes divertido e dramático, de uma pessoa o abraça com força, ele começa a pensar em escrever um livro ou fazer um filme no qual os mocinhos e os vilões não atirem uns nos outros nem briguem com espadas, mas só se abracem muito." (John Whalet)


Minha paixão por "O livro das coisas perdidas" do John Connolly nasceu por conta da capa.
Lembro bem quando entrei na livraria e fiquei ali parada, tocando encantada o trabalho do Elmo Rosa e do Rob Ryan, mas não esperava um livro tão profundo e pragmático.
Dialogando abertamente com "Nárnia", "Magico de Oz", "Alice no país das maravilhas" e os contos dos Irmãos Grimm John Connolly conta como o menino David é levado com um diabrete suspeito para um outro mundo e vai vivendo aventuras lutando contra monstros e derivativos.
Vencendo monstros, testemunhando atos de amor e desprendimento David constrói sua coragem, descobre o sentido da lealdade.
Apesar de ter escrito uma história dentro do territória da fantasia, Connolly é um autor pragmático e consciencioso.
Suas verdades são duras, a história contada em "O livro das coisas perdidas" me convida a reflexão e ao mesmo tempo empurra para aquele território muito além da melancolia.
"Trate, então de descobrir uma rotina que permita a você se sentir seguro ao fazê-la.
Você me disse que tem um novo irmão... olhe para ele todo dia de manhã.
Olhe para seu pai, para sua madrasta.
Cuide das flores do jardim ou dos vasos que ficam no peitoril da janela.
Procure aqueles que são mais fracos do que você e tente conforta-los, se possível.
Que essas sejam a sua rotina e as regras que vão dominar sua vida." (John Connolly)


Olhando assim para "Lições de vida" da Anne Tyler  ele parece ser um livro de auto-ajuda néh?!?!
Quem pensar isso não pode está mais enganado.
Anne Tyler não escreve textos didáticos, romances com lições de moral ou coisas do gênero, ela conta histórias de pessoas comuns vivendo situações comuns.
Em "Lições de Vida" ela conta da viagem de Maggie e Ira para o velório de um amigo e o que acontece no caminho.
Ela se aprofunda na vida dos dois, nas experiencias que fizeram deles um casal, na personalidade e motivação dos dois, nas suas vitórias e derrotas.
Ela flerta, namora e casa com a psicanalise e mergulhando no universo mental e emocional dos personagens nos convida, sem querer querendo, a mergulhar em nós mesmos.
Eu amo o Ira Moran, eu sou a Maggie.
"Foi sua primeira percepção de que sua geração fazia parte da corrente do tempo.Assim como os outros antes deles, eles cresceriam, envelheceriam e morreriam.Já havia uma geração mais jovem cutucando-os por trás." (Anne Tyler)

Bem, esses são alguns dos livros cuja leitura me faz sentir abraçada.
E vocês, como lidam com a ansiedade?
Também possuem livros que abraçam?
Quais são eles?


Encontre a Pandora:
Blog Uma Pandora e sua caixa

Estou em minha Telemaquia, ou seja: "Em busca da Taça de Ouro trabalhada a Fogo"

8 comentários , comente também!

  1. Qtas dicas !!!
    Nenhum destes livros eu li, mas suas considerações foram ótimas.
    Sei bem o que são livros que abraçam, pra mim são aqueles que mesmo qdo vc tá fazendo outra coisa, não para de pensar que queria estar sentado lendo o aquele livro.
    E por falar em livro...no meu blog tá rolando um sorteio literário, de um livro que é um dos meus queridinhos: Outlander.
    Espero Pandora e Elaine por lá.
    Link: http://www.caprichosbyneli.com/2015/08/sorteio-literario-outlander.html
    Bjs

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  2. Um livro da Isabel Allende que li em uma noite foi o que ela fala sobre a filha Paula, lembro que comecei no domingo e só terminei na madrugada. E ainda ia para a faculdade na segunda, fui que nem um zumbi! rsrs... Esse da Casa dos Espiritos também li. E amo distopias!!! Esse na Companhia das Estrelas não conhecia! Boas dicas. Os livros realmente nos abraçam e nos reconfortam!
    Beijos
    Adriana

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  3. Gostei dessa idéia dos livros que abraçam. Também tenho tido insônia e ansiedade mas quem me abraça são meus filmes.

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  4. Poxa, Pandinha, tenho verdadeira paixão pela Allende, mas o resto ainda não li, vou anotar as dica pra quando quiser ser abraçada kkkkkk

    Vomo sempre, lindo post!

    O que tem na nossa estante

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  5. Que coisa fofa esse post!
    Dos que tu falaste, li apenas o A Casa dos Espíritos, que é um dos meus favoritos da vida e faz com que eu me sinta abraçada também. Ainda não li os outros, mas fiquei interessada neles.

    Beijo! ;*

    Wink

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  6. Oi Pandora !!!
    Tudo jóia !!!??
    É super maravilhoso quando na falta do abraço humano , nos deixamos ser abraçados por eles ( LIVROS ) ,
    Me sinto abraçada por eles também ... tenho um especial que vive me abraçando a Bíblia , e outros ´titulos , tenho um que ganhei aqui com a Elaine Um Amor Para Recordar , mesmo que assista ao filme por muitas vezes , nunca sera como ser abraçada pela leitura dele .
    Amei a postagem obrigada
    Beijinhos
    Deus abençõe

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  7. Eu ainda não li nenhum desses, mas já quero muito, belas dicas. Beijos :)

    Vanessa | closetdelivros.blogspot.com.br

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  8. Olá, apreciei muito essa ideia de livros que abraçam, quando estamos ansiosas ou tristes, preocupadas mesmo, é reconfortante até mesmo tocar a lombada deles, olhar a capa e folhear. Só não deixo uma lista dos livros pra abraçar aqui, pois os outros livros podem se sentir menos amados hahahaha
    Bjs

    www.palavrasencenadas.com

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