Filme (bom!): The Brave One (Valente)

em 21 de agosto de 2015


“Eu sou Erica Bain e, como vocês sabem, eu caminho pela cidade.
Eu reclamo e resmungo, mas eu caminho e observo e escuto...
Testemunha de toda a beleza e feiura que está desaparecendo da nossa amada cidade.

Semana passada, minha caminhada me levou às profundezas cinzentas do East River, onde Dimitri Pachencko nada durante as manhas, desde os anos 60.
Hoje eu caminhei pelos quilômetros de andaimes do lado de fora do que era o Plaza Hotel...
E eu pensei em Eloise.
Lembram da Eloise de Kay Thompson?

Eloise morava no Plaza Hotel, com seu cachorro Weenie e seus pais, que sempre estavam viajando, e sua babá inglesa, que tinha oito presilhas de cabelo feitas de ossos. Essa Eloise!
A encrenqueira adorável da minha infância!Uma pimentinha....

Sid Vicious, derramando cerveja dos dentes no Chelsea Hotel. Andy Warhol, com seus óculos escuros… Edgar Allan Poe, libertando macacos vivos das caixas de uma escuna naufragante nas margens oleosas da South Street.
Histórias de uma cidade que está desaparecendo diante dos nossos olhos.
Seu povo varrido.
Então, o que sobrará dessas histórias?

Nós teremos que construir uma cidade imaginária para abrigar nossas memórias?Porque quando você ama algo, cada vez que um pedaço disso se vai, você perde um pedaço de si mesmo.
Então, onde Eloise vai dormir hoje?

Você pode ouvir o seu fantasma, caminhando pelos corredores decadentes do seu amado Plaza, tentando encontrar o quarto de sua babá, perguntando aos trabalhadores, numa voz que ninguém escuta, ‘você viu a minha tartaruga, Skipperdee?’.”



Não sou cinéfila, em comparação à minha  biblioteca pessoal, a minha videoteca é incrivelmente limitada e meus conhecimentos irrisórios.
Consequentemente sinto uma leve insegurança quando decido escrever sobre filmes, no entanto quando "The Brave One" ("Valente") começa com esse monólogo de Erica Bain, vivida pela Jodie Foster, senti aquela necessidade de escrever e não consigo me conter.

"The Brave One" é um de filme de 2007, estrelado por Jodie Foster sob a direção de Neil Jordan.
Nele conta-se a história de como Erica Bain, uma apresentadora de rádio segura e feliz prestes a se casar, tem um grave encontro com a violência urbana e lida com as consequências desse encontro.

Jodie Foster e Naveen Andrews

Em uma noite, ela e seu noivo passeiam no Central Parque e sofrem um ataque brutal.
Quando ela sai do coma passa a ver a cidade e as pessoas nela de uma forma totalmente diferente e precisa enfrentar o trauma gerado pela perda do sentimento de segurança dentro de sua própria cidade.


No processo de superação de sua tragédia pessoal, Erica Bain passa de uma jornalista com uma visão levemente romântica do mundo para uma mulher com vida dupla.
Sem conseguir conciliar o sono ela mergulha no "Lado B" das noites de Nova York caçando seus agressores.


Em meio à sua caçada ela acaba tendo vários encontros com pessoas que se veem em estado de fragilidade, sua vizinha (uma enfermeira), que presta auxilio a ela, e o policial Mercer (Terrence Howard).


O encontro com essas pessoas, assim como a própria Odisseia da Erica em busca de justiça, vão ajuda-la a se reencontrar ou se readequar à pessoa que ela se tornou após a sua tragédia pessoal.

O ponto forte de "The Brave One", no entanto, não é a caçada da Erica, isso confere emoção ao filme, mas, para mim, o crucial no filme são os diálogos entre os personagens.

Em suas conversas eles refletem sobre as desastres pessoais, violência urbana e como atualmente nós lidamos com isso.


Mesmo as cidades mais organizadas tem seu lado B, suas máculas e manchas.
A maioria de nós gosta de achar que a catástrofe nunca nos alcançará, pensam: "Isso só acontece com os outros.".

Quando vejo o jornal, quando saiu a rua, quando assisto a Jodie Foster dar vida à uma personagem como a Erica Bain eu sinto que a próxima pessoa pode ser eu... e esse sentimento me desnorteia.
De repente me ocorre que alguma coisa, ou muita coisa, não deu certo em nosso mundo e nós não estamos nos esforçando para consertar isso.


Sabe, eu sou Jacilene, alguns me chamam de Pandora, também caminho pela minha cidade.
Eu reclamo e resmungo, mas eu caminho e observo e escuto...
Olho para Recife e testemunho sua beleza e feiura.
Me identifico com a Erica Bain de antes e de depois do trauma.
Indico fortemente esse filme, ele é lindo, dramático e real como as pessoas que tentam viver com seus traumas nas grandes e pequenas cidades do mundo.
__________

P.S.:  Meus agradecimentos ao Rafael, o qual transcreveu e  cedeu à mim o monólogo da Erica Bain. Sem o Rafael jamais teria tido contato com esse filme.


Estou em minha Telemaquia, ou seja: "Em busca da Taça de Ouro trabalhada a Fogo"

7 comentários , comente também!

  1. Esse monólogo é a coisa mais linda, simplesmente.
    Foi esse o filme que me fez amar a Jodie Foster. Não o que mais me fez, isto eu devo a minha amada Clarice, de Silêncio dos Inocentes, ela é amorzinho. Mas Valente é magnífico.
    O texto está belo, e é o mesmo que eu sinto na minha cidade e na minha relação com ela.

    E eu não vou te deixar esquecer que eu estava certo, tá? De nada. <3 S2

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    1. Também acho esse monologo perfeito e é impossível não amar a Jodie! <3 Obrigada chato!

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  2. Adorei Pandora seu post.
    Agora quero muito ver esse filme e sentir de perto essa realidade que assombra a todos nós que caminhamos pela nossa cidade.
    Que felicidade poder estar voltando a comentar na Elaine ! Saudades demais !!! Saudades da Mamyrene!
    Beijos mil <3

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    1. Oi Irene! Que felicidade ter ver por aqui em um texto meu! Realmente a gente se sente próximo da Erica ao longo do filme, ele vale muito a pena e é lindo, apesar de duro!

      Também senti saudades suas!

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  3. Olá, Pandora!
    Gostei da sua sugestão e gostaria de assistir,
    como posso acessar?
    Agradeço, feliz e abençoado final de semana,
    abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  4. Eu gosto da Jodie Foste e AMO Naveen desde LOST, acho que não iria curtir a parte do drama do filme, mas com certeza a caçada da protagonista! E filme com bons diálogos são sempre ótimos, né?

    Bem, parabéns por mais um post Pandinha

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. E o melhor Mi é que o filme é redondo, apesar de tudo a história é conclusiva. A Erica consegue encontrar sua catarse!

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