A diferença entre tolerar, aceitar e acolher

em 26 de julho de 2015


Arranjo de mesa do casamento, pense numa coisa linda!

Sábado dia 25/07 eu fui (pasme, eu saí de casa! rsrs) em um casamento, de uma das minhas primas, filha de uma prima, na verdade.
Festa maravilhosa, cerimônia linda, noivos lindos, felizes, foi uma delícia rever parte da família que eu não via desde quando eram crianças...
Sim, eu sou bem desapegada de família, gosto de ficar em casa, tenho pouquíssimo contato com primos, tias, etc.

Foto de celular, qualidade ruim, sorry
A noiva linda da foto eu "reencontrei" via Facebook, e embora eu seja a menos festeira das pessoas fiz questão de ir ao casamento.
Foi delicioso, me diverti com marido, irmãos, bebi caipirinha de morango, fiquei de pilequinho... foi bom...
E, olha, foi um aprendizado...

Minha família é bem grande, e estou falando só do lado materno. São 6 tias, só uma não teve filhos, e minha tia mais velha, por exemplo (avó da noivinha de ontem) teve 10 filhos (se não errei a conta), uma infinidade de netos, bisnetos...
Então é natural que, em uma família tão grande exista muita gente com opiniões, gostos, crenças e convicções diferentes.
E família italiana, sabe? Maioria de gente simples, tradicional. São muitas gerações juntas, tenho primos de 70 anos, que são avós...

E um dos meus primos, irmão da noiva de ontem, namora há alguns anos uma transexual. Desculpe se eu usar termos incorretos, sou bem leiga, não sei exatamente quais os termos devo usar e não sei dizer se a namorada do meu primo é travesti ou transexual. Relevem.

E eles foram padrinhos no casamento ontem.
Ela, a madrinha, linda de arrasar, vestida lindamente, entrou pelo corredor central da igreja ao lado do namorado. Creio que eram padrinhos civis porque acho eu, a Igreja não admite casais homoafetivos como padrinhos.
Mas não havia distinção entre os padrinhos, entraram todos lindos e felizes, não teve padrinhos no altar... e meu primo lindo, parecidíssimo com meu irmão, olhos verdes, feliz e orgulhoso.

Na festa fiquei observando porque acho que toda situação pode render um aprendizado, uma chance de crescer, um texto... #blogueirasemprepensanoblog
A namorada dele, animada, gentil, teve uma hora que a vi sentada ao lado da minha tia de 90 anos, com muita intimidade e carinho, sabe?
Também a vi com meus primos mais velhos, tios do namorado dela. E com as crianças da família... sim, temos de avós a bebês, família grande de verdade...
Uma pessoa completamente inserida na família, não apenas aceita, mas acolhida.

Porque há uma grande diferença entre tolerar, aceitar e acolher.
A lei obriga a sociedade a tolerar, ou pelo menos deveria obrigar, pois intolerância é porta aberta para coisas inimagináveis, de ofensas à crimes de ódio.
Tolerância, pra mim, soa como obrigação.
"Não te quero perto de mim, mas tolero sua existência".
Mais ou menos como é com os gordos.
"Preferia que você fosse magro".
"Preferia que você fosse homem".
Tolerar é o mínimo. É o que nos possibilita viver em sociedade.
Deveria sim ser lei, e intolerância tem sim que ser criminalizada porque gera só coisa ruim.

Já aceitar pressupõe respeito, e acredito eu, é um imenso avanço.
Aceitar não é simples.
Aceitar inclui ver que, oh! somos todos diferentes! E que tudo bem ser diferente.
Aceitar implica compreender, aceitar requer a capacidade de ver além, de se colocar no lugar do outro... de saber que sim, somos todos diferentes, mas sim, somos todos dignos do mesmo respeito.
Aceitar quer dizer que eu preciso oferecer ao outro o mesmo respeito que quero pra mim.
Porque o mínimo que podemos dar é respeito, já que queremos ser respeitados naquilo que somos, nossa individualidade, nossa essência.

Aliás, foi sentindo na pele como o mundo trata os diferentes, os que não estão "dentro do padrão" que eu compreendi melhor o que é ser gay, ser trans, ter orientação sexual diferente da maioria.
O mundo trata aos gordos com muito preconceito, e muita crueldade. Acredite, eu sei do que estou falando...
Trata à nós, gordos, como de fôssemos uma praga a ser contida, exterminada, mudada, "curada", jamais aceita.
Como aos gays...

Compreendi, sentindo na pele,  que a gente é o que é, e que não importa se sou gay ou hétero, branco ou negro, gordo ou magro.
Importa que todos queremos, precisamos e merecemos (sim, me-re-ce-mos) respeito!
Aceitar é isso, é saber que sendo diferentes, tendo orientação, cor ou peso diferentes somos iguais naquilo que é nosso direito, desejo e merecimento.
E que tudo bem ser diferente porque afinal ninguém é igual, todo mundo é único...

Mas o que eu vi, na festa de casamento da minha prima linda... não foi tolerância.
Também não foi aceitação apenas.
Foi acolhimento.

Porque acolher é mais do que aceitar.
Enquanto aceitar inclui respeitar, acolher implica amar.
Não há acolhimento se não há amor.
E eu vi amor.
Vi amor quando meu primo entrou, lindo e feliz, com a namorada pelo corredor da matriz. Só imagino o que ela sentiu...
Vi amor, na festa, quando os padrinhos dançaram valsa ao lado dos noivos, eles felizes, um casal lindo. Um casal comum, ao lado da família.

Vi amor quando ela sentou ao lado da minha tia velhinha, que segurou as mãos dela, que a beijou... uma neta a mais, como as outras.
Vi amor e acolhimento, uma família com a namorada do irmão, filho, neto, primo, sobrinho, tio...
Percebi que há uma relação de afeto real, vi minha prima sentada com a nora, papeando. Uma família.

Eu disse no começo que foi uma oportunidade de aprendizado.
E foi mesmo.
A festa foi linda, tudo perfeito, mas ter visto o que eu vi, esse amor, esse afeto, esse acolhimento, sem alarde, sem barulho, simples e por isso mesmo tão significativo... me fez feliz e ter esperança...

Se, numa família tão grande, que tem pessoas de diferentes formações, crenças, idades, convicções e vivências, é possível acolher com amor e naturalidade um rapaz e sua namorada transsexual (ou travesti, desculpe a ignorância do termo exato) então é possível que eu ainda viva para ver o mundo olhar o diferente com mais tolerância... e quem sabe um dia, tratar aos diferentes com amor... acolher ao invés de tolerar...
Não é?



Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

13 comentários , comente também!

  1. Perfeito D+ seu texto... Parabéns por pensar assim <3
    Beijos :*

    http://maiaraangels.blogspot.com/

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  2. Muito lindo tudo isso e bem viável ou seja nao é uma utopia basta querer amar ao próximo como a si mesmo.

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  3. Oi Elaine,
    Texto lindo! Ou melhor, mais um texto lindo! Sei bem o que é ser tolerada, aceita ou acolhida. eu fui mãe solteira e muita gente me tolerava devido a condição financeira de meus pais (que era muito boa, não nego). Minha mãe se incomodava com o fato, mas eu sempre fui diferente das demais pessoas e tinha em mente que quem não gostasse de mim e de minha filha estava me fazendo um grande favor, pois nunca gostei de gente preconceituosa e o fato de não ter um marido servia de filtro contra gente ruim. Casei depois, casei mais de uma vez e sempre me senti acolhida, o que é uma situação que deixa o coração da gente morninho, qse derretendo.
    Esteja certa que quem demonstra preconceitos, na verdade está fazendo um grande favor a um transgênero (parece que esta é a palavra da moda), pois só está livrando a pessoa trans de uma presença ruim.
    Bjs

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  4. Elaine, seus textos me deixam sem palavras, porque você diz tudo.
    É muito difícil lidar com pessoas preconceituosas, às vezes achamos que é por falta de amor que agem assim, mas não, são pessoas secas por dentro que só pensam em si, não se importando com o que estão fazendo aos outros.
    São pessoas amargas, que discriminam tudo, que não entra em seu contexto, são as "perfeitas".
    Somos todos iguais, mesmo pensando ou agindo de forma diferente e precisamos aprender a respeitar as diferenças, sejam elas quais forem.
    Precisamos acolher e tratar com amor a todos que encontramos.
    Amei seu texto e suas observações, próprias de quem acolhe a todos e espalha amor até onde alcança.
    Obrigada por me acolher com amor e muito carinho, seja sempre muito abençoada, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  5. Você descreveu muito bem as três palavras.
    Família é meio complicado. Opiniões divergentes.
    Mas é bonito ver o carinho delicado de algumas pessoas com as outras.
    Eu não tenho preconceito! Não mesmo!
    Respeito como são. E quero respeito como sou.
    joturquezzamundial
    Beijos.

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  6. Texto fato! Emocionante suas palavras... texto para refletir.

    Parabéns!

    http://elainefashionmix.blogspot.com.br

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  7. Clap! Clap! Clap! Batendo palmas para vc aqui!!!! Texto perfeito, Elaine!!!! Penso da mesma forma! Senti na pele tb!!! Magra a vida inteira, sempre pesando 47 kg... e ainda alta... era chamada se
    mpre de vara de cutucar estrela (odiava isso!!! Rsrsrs), criem. .. magreza e por aí vai...
    Odiavaaaaaaaaaa o desenho do Popeye, pq sempre me chamavam de Olivia Palito!!!
    Concordo com vc, RESPEITO é a palavra chave! A vida é tão simples de ser vivida!!! Basta vc tratar as pessoas, da mesma forma que deseja ser tratado!!! #simples assim
    Parabéns pelo texto!

    P.S: foi bom saber que vc já está melhor!!

    Um grande beijo para vc!!!

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  8. Uma história real que vale mesmo a pena ler :).
    Que bom que pensa assim.

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  9. Opa! Rarissimo isto, aceitar um transgênero na familia e ainda aceitar um membro da família se relacionando com um trans..... Não é pra qualquer um não. Ainda mais se aceitação se deu de forma natural, sem aquele comportamento hipocrita: eu aceito te inserir no meu meio para poder fazer de você um objeto de circo, uma aberração, algo para satisfazer a curiosidade alheia.
    Duvido que tenha sido fácil no inicio. Deve ter sido um choque para a mãe, para a vozinha de 90 anos.... Mas se superaram e integraram o casal fora dos padrões, só merecem toda admiração!

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  10. Elaine,
    seu texto está perfeito! Vc descreveu maravilhosamente as três palavras e as interpretou corretamente.
    Eu queria te falar que vc definiu corretamente o termo "transexual" (um homem de nascimento, mas que faz a "mudança" de sexo, ou não, mas adota um nome de mulher. E travesti é o homem que gosta de se vestir de mulher. Mas continua homem. Em minha família há muitos homossexuais. Graças a Deus, eu os acolho a todos... com o mesmo amor de sempre... Mas como vc mesma falou, há famílias e famílias... que bom que a sua acolheu com carinho e amor...
    bjo grande!

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  11. Um excelente texto Elaine. Que realmente nos dá esperanças para um mundo melhor. parabéns para todos na sua família e muita felicidade para todos.
    Um abraço e uma óptima semana

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  12. Um dos seus melhores textos! Minha família é pequena e muito intolerante. Diferente do resto da família, eu e minha mãe não gostamos muito de sair, detestamos multidão, amamos uma rotina. Coisas básicas, não? Mas desde que me entendo por gente sou criticada, motivo de piada. Eu e minha mãe. Claro que são coisas simples comparadas a preconceito sérios que as pessoas sofrem. Mas magoa tb. É por isso que eu defendo o direito de todo mundo ser como quer, como é feliz. E ninguém tem nada com isso.Ninguém é melhor que ninguém pra sair apontando o dedo e criticando.

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  13. Oi Elaine! Sim, nossa sociedade não é lá muito amigável e tolerante, todos querem ser tolerados, mas poucos param para refletir se estão sendo tolerantes, que é o mínimo que se espera de seres racionais. Acolher com tanto carinho como vc descreveu então é mais raro ainda e mais bonito também.
    Que linda sua grande família, aproveite esses momentos, eles fazem muito bem! Linda postagem!
    Beijos!

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