Você merece ser estuprada?

em 31 de março de 2014

Quando eu era criança, em meados dos anos 80, era vizinha de uma família que tinha filhas mais ou menos da minha idade, moravam bem em frente à minha casa. Minha mãe ainda mora no mesmo lugar, e essa família também.
A dona da casa tinha um irmão, que morava do outro lado da cidade mas que sempre estava por perto, vou chama-lo de tio Chico.
Tio Chico era pedreiro, sujeito bom de papo, alegre, morava sozinho depois que a ex-mulher fora embora levando o único filho.
Tio Chico era muito, muito perigoso.

Ele usava a casa com piscina, com televisão grande, usava o carro e a moto para atrair mocinhas para perto. E mulheres de todas as idades também, mas preferencialmente meninas bem jovens e pobres.
Quando casa com piscina e televisão grande não eram o bastante ele usava as sobrinhas, oferecia dinheiro, roupas e passeios para que elas convencessem as amigas a visitar a casa dele.

Uma vez lá ele jogava a isca dos presentes e do dinheiro. Eu soube de muitas que toparam, meninas de 13, 14 anos, que iam pra cama com o sujeito de mais de 50 anos em troca de uma camiseta, uma sapatilha, um sorvete.
Ele tinha bom papo, a sobrinha que mais o ajudava foi minha melhor amiga de infância por um bom tempo.
Eu sei como funcionava, sei as coisas que ele prometia, sei as coisas que ela dizia, sei como ela convencia as meninas. E sei que quando o bom papo não bastava ele fechava a porta e dentro de um quarto que ficava um nível abaixo da casa ele mesmo 'convencia' a menina.

Sei porque ela e ele tentaram comigo.
Meu pai jamais gostou do sujeito, e jamais deixava que eu fosse aos passeios que ele organizava com a meninada.
Mas um dia, de tanto insistir, de tanto pedir, minha mãe deixou que eu fosse. Minha prima de 17 anos ia, muita gente ia, era um almoço na casa do tio Chico.
Eu fui. As sobrinhas dele, minha prima, outras vizinhas... que mal poderia haver?

Naquele dia, um domingo qualquer, enquanto todo mundo se divertia, ele passou a mão em mim. Assim, como quem não está fazendo nada, ele passou a mão entre as minhas pernas. E sorriu pra mim. Convencido que eu ia topar, afinal ele havia pedido pra sobrinha me convencer, e eu estava ali...
Eu tinha 13 anos.

A casa dele ficava do outro lado da cidade. Lembro que eu fiquei pasma olhando pra ele, lembro do horror que eu senti. Lembro de começar a chorar na hora, lembro que ninguém viu, ninguém prestou atenção.
Eu voltei pra casa à pé, tipo uns 5 quilômetros, ou mais, nunca soube ao certo.
Lembro que choveu, eu cheguei em casa molhada e sozinha.

Nunca, jamais contei pra ninguém o que houve. Pra minha mãe eu falei que não gostei da casa, para minhas amigas disse que minha mãe me dera hora pra voltar.
Deixei aos poucos de falar com minha melhor amiga, ela que achava tão normal ele gostar de meninas mais novas que o filho dele... Nunca mais voltei àquela casa, e por anos nem passar em frente eu passava.

Durante anos eu sentia enjoo e vergonha quando o via. E eu o via toda semana porque ele estava na casa da irmã toda semana.
Tempos depois ele "fez mal" como se diz aqui no interior, à uma sobrinha de 12 anos e foi chutado pra fora da família.

Por alguns anos, eu já mulher feita, trabalhando perto da casa dele, de vez em quando o via.
Sentia tudo de novo, o nojo, a raiva, a vergonha, a vontade de não ter ido, de não ter insistido com minha mãe, a vontade de que ele morresse.
Não morreu; até onde sei continua vivo, velho e doente, mora em outra cidade, cuidado pelo filho que foi protegido pela mãe bem à tempo e creio que hoje é pastor.


Naquele tempo a palavra pedofilia não existia, e se existia nunca foi dita pra mim.
A gente sabia de casos de estupro, mas não era estupro se a menina concordasse transar em troca de um par de chinelos. E daí se ela tinha 12 ou 13 anos? Se tem peito e bunda, e vagina, pode decidir. Se ela aceitou não é crime.
E mesmo se fosse sem a concordância dela não dava cadeia.
A regra era que o estuprador casasse com a menina a quem ele havia "feito mal"; se não quisesse ou não pudesse casar bastava pagar um bom valor pra família, a lei quase nunca punia. Nunca havia denúncia porque o escândalo era terrível. Família nenhuma queria uma filha com fama de puta. Uma puta de 12 anos... como se isso fosse possível.

Isso que estou te contando aconteceu comigo, nos anos 80. Eu nunca contei pra ninguém, nem naquele tempo, nem depois. Não contei quando era jovem porque tinha raiva e vergonha. Porque meus pais me culpariam. Porque eu ficaria com má fama.
E não contei depois porque não vinha ao caso, era passado.

Mas sabe?
O passado nunca passa de fato.
Lembro dessa história, desse incidente, sempre que vejo ou leio coisas sobre estupro, sobre pedofilia, sobre abuso.
E nesses dias, em que reverbera tão agudamente a tal pesquisa que constata que mais de 60% dos brasileiros acreditam que mulher de roupa curta merece ser estuprada... ah... nesses dias em que a gente lê coisas absurdas ditas contra quem ousa dizer que não, que ninguém merece ser estuprada... nesses dias eu relembro ainda mais, e relembrando eu entendo o motivo da luta, eu entendo a dor, a vergonha...

Se eu, que não fui estuprada, senti por anos a fio nojo, raiva, vergonha e medo... imagino o que sente uma menina que tenha passado pelo horror do estupro. Ou que viva com o medo constante de ser estuprada, molestada dentro de ônibus, em metrô, no trabalho...

Hoje, aos 41 anos de idade, eu entendo que deveria ter falado, deveria ter feito um escândalo enorme.
Na época eu não sabia.
Mas hoje eu sei que o silêncio só é bom para o estuprador, para o abusador.
O silêncio jamais é bom para a vítima.
Porque silenciar cria um monstro dentro da gente, e aquilo vai crescendo, vai se tornando um segredo sombrio, que devora tudo.
E ninguém é tão solitário quanto quem tem um segredo...

Vivemos em um mundo perigoso. Um mundo em que a culpa é da vítima. Como eu sempre digo: vivemos em um mundo que diz às meninas : não seja estuprada (não ande sozinha, não saia de noite, não vista roupa curta, não respire, não exista como mulher) ao invés de ensinar aos meninos: não estupre, não moleste, não sinta-se o 'macho alfa', não seja um desgraçado brutal e não envergonhe homens de verdade.

Sim, eles existem, os homens de verdade. Aqueles que entendem e defendem que mulher alguma merece ser estuprada, seja ela quem for.
Sim, homens de verdade, homens que têm total controle de si, que não viram bestas ao verem uma mulher de mini saia. Homens que não culpam algo tão banal quanto um decote por um estupro.
Eles existem. Eles sabem que não é a vítima que faz o agressor.
Homens de verdade, e mulheres de verdade, sabem que é o agressor que faz a vítima.

Porque, querido leitor, o mais chocante é perceber que muitas mulheres também acreditam que a culpa é da vítima, que estava vestida como não devia, que estava onde não devia, que falou o que não devia...
Até que ela mesma, a mulher machista, se vê na posição de vítima...

Porque, desgraçadamente, todas nós somos vítimas em potencial. Não importa o tamanho da saia, a profundidade do decote, a opinião política, a religião, a altura do salto ou o tom do batom...
Simplesmente porque somos mulheres.





Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

74 comentários , comente também!

  1. Parabéns, pelo seu depoimento.
    Infelizmente a realidade nossa é essa.
    Que consigamos reverter essa educação machista e cruel, conscientizando os meninos do valor da mulher e o respeito que ela merece para que se tornem verdadeiros homens de respeito.
    Que deus continue iluminando você.
    Beijos.

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    1. Jussara, é bem por aí mesmo, educar os meninos.
      Enquanto isso não for feito continuarão a existir homens que acham que mulher é coisa, objeto a ser possuído e não pessoa a ser amada e respeitada...
      beijossss

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  2. Ótima reflexão Elaine! Gostei de ler. bjs

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  3. Sabe Elaine, toda essa história me dá enjôo, tristeza, revolta ............ e temos que nos esconder porque somos mulheres?
    Não aconteceu nada comigo, nem soube de casos quando era adolescente, mas com certeza estava acontecendo e como você disse ninguém contava, com medo do que poderia vir.
    E, me incomoda demais, ler "eu não mereço". E por acaso alguém merece??????????
    Que mundo cruel, desanima de acreditar que um dia tudo poderá mudar para melhor.......

    Boa semana.
    Beijos querida.

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    1. Jô, na verdade a expressão "eu não mereço" foi cunhada só pra personalizar mais a campanha.
      Na verdade ela quer dizer que ninguém merece.
      Ao trazer o verbo para a primeira pessoa ela visa tornar a frase bem pessoal, a ser dita por todos, homens inclusive.

      Tem razão... tem hora que desanima mesmo...

      beijosssss

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  4. Seus textos são ótimos. Fazem refletir! Parabéns!

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    1. Marcela, esse é o sonho de quem escreve: fazer pensar...
      beijos, garota!

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  5. Parabens querida Elaine,gosteii muito do seu texto,a nossa triste realidade tem que ser mudada,precisamos nos unir contra essa e toda forma de violência,ninguém merece ser estuprada!

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  6. Parabéns pelo texto e pela sua coragem de falar, tantos anos passados. A pedofilia é uma realidade que existe desde que o mundo é mundo. Mas só agora se fala e (por vezes) se pune. É nojento, doentio, e particularmente, ler sobre o tema, me dá volta ao estômago. Daqui de Portugal tenho lido essas notícias de que acontece em vans, ônibus, e me pergunto: como é possivel? que mundo deturpado é esse?
    Enfim, não há palavras. Mas calar é que nunca. Bj

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    1. Val, o pior é isso mesmo, desde que o mundo é mundo...
      Me pergunto se um dia muda...
      beijosss

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  7. Dureza de ler tudo isso!
    Bom que nada de mal aconteceu. De mal, não. De PIOR!
    E que bom que vc usa tão bem as palavras! Um texto que elucida bem o que deve ser feito nestes casos: GRITAR, por a boca no trambone, contar, espalhar, enfiar o dedo na cara, dedurar!
    Meu abraço bem forte em vc.

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    1. Penso muito nisso, Jana.
      Que poderia ter sido pior.
      E isso também é triste, né?
      Mas experiência serve pra ajudar, e sempre disse pra minha sobrinha que faz 15 anos ano que vem que ela sempre deve falar, que eu sempre vou acreditar nela, em qualquer ocasião.
      Dar confiança pra menina é mega essencial...
      Assim, se Deus nos livre algo acontecer com ela, ela sabe que pode e deve falar.
      Né?
      beijossss
      beijosss

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  8. Oi, Elaine! Sua história pode e vai com certeza ajudar muita gente, homens e mulheres, a sair dessa prisão que se faz quando não paramos pra pensar. Poucas pessoas que são abordadas nas pesquisas pensam profundamente em suas respostam e por isso mesmo elas retratam a superficialidade do pensamento da "massa", da maioria. Se a gente fosse acostumada desde cedo, na educação na escola e principalmente dentro de casa, a discutir valores, talvez o nosso mundo estaria um pouco melhor. Sua declaração é legítima, eu também já fui molestada por um "tio" e nunca disse nada a ninguém, só senti alívio quando ele morreu. Mas quando vejo outros "tios" andando por aí, me vem todos aqueles sentimentos que você retratou. Parabéns pela coragem de dizer e de contar um pouco mais sobre você. Um forte abraço, Claudia.

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    1. Claudia, acho que você está certíssima. As pessoas marcam um x na resposta mas não pensam sobre ela.
      Falar não é simples, mas quando a gente fala outras pessoas se abrem, e você percebe que não foi só com você, se sente menos sozinho.
      Por isso falar ajuda, além de servir de alerta.
      beijos, obrigada pelo comentário enriquecedor.

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  9. É por isso que te admiro de forma tão grande, que coragem de nos contar algo tão íntimo..que bom poder ler um texto tão bem escrito..vou compartilhar e ler para os meus usuários hoje..beijus

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    1. Lauisa, obrigada.
      Compartilhar ajuda muito!
      beijossss

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  10. Oi, Elaine!
    Seu texto foi fantástico, perfeito. E sinto tudo tal como vc porque comigo também aconteceu um 'quase'. Também tive nojo, medo, vergonha. Também calei. A sociedade me ensinou que a culpa era minha e que se aconteceu, eu deveria ter vergonha e ficar quietinha. Hoje com 44 anos e muitos anos de terapia, ainda sinto dificuldade de falar sobre isso, principalmente aqui. Mas pior que isso é ver que, 28 anos depois, a sociedade continua a mesma, machista e hipócrita!
    Beijins,
    Dea

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    1. Andrea, é verdade. Tantas coisas evoluem, mas alguns tabus nunca caem...
      Muito obrigada pela sua partilha.
      Falar, se abrir, é parte da cura, eu acredito.
      Muito obrigada por enriquecer o texto com sua partilha.
      beijosss

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  11. Oi Elaine!
    O que mais me chocou na pesquisa é saber que tem mulheres que pensam como muitos homens.
    legitimam o estupro dando a culpa as mulheres que usam roupa curta!
    Na minha opinião nem que a mulher saia pelada de casa alguém tem direito de estuprá-la.
    Bjus e bom dia.

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    1. Márcia, concordo.
      Até porque o argumento da roupa é furado.
      Se fosse assim ninguém poderia ir à praia...
      beijossss

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  12. Elaine, que historia triste!
    O pior é que ainda tem gente que pensar que se a menina aceitou não é estupro! Por mais madura que a menina seja com 12 não habilidade pra se livrar da lábia que um homem com mais de 50... muito triste

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    1. Ingrid, bem isso mesmo.
      O fato de ter peito não significa que tenha discernimento. E nem defesa, né?
      beijossss

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  13. Uau! Que texto. Sei que não adianta falar "fique bem" porque diante algo assim é difícil, realmente... Se você, com aquelas idade, tendo passado por uma situação - que felizmente não foi pior - tem um trauma tão forte imagina quem foi estuprada. Morro de medo disso acontecer comigo, o mundo é tão perigoso. Tenho medo de ser assaltada, de desaparecer e deixar minha família sofrendo, de ser estuprada e não conseguir falar nada. É horrível o medo que temos desde cedo, por estarmos numa sociedade que acredita que os homens podem fazer tudo o que querem. É triste saber que nossa realidade é essa. Mas é mais triste ainda ver mulheres que concordam com isso, o pior tipo de machismo é o vindo de uma mulher. A cada dia mais me considero feminista, quero lutar por um mundo justo e igual, onde nós, mulheres, tenhamos os mesmo direitos que os homens. Acredito que quanto mais falarmos, mais informações repassarmos, mais pessoas atingiremos com informações e assim poderemos abrir a mente da sociedade.
    Não te conheço e é a primeira vez que estou aqui, mas do fundo do meu coração te desejo: fique bem.

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    1. Patrícia, muito obrigada pelo comentário e pela visita. Seja muito bem-vinda ao blog!
      Feminismo é isso, né? A convicção que somos iguais. Não melhores, certamente não piores, e muito menos cidadãs de segunda classe.
      beijossss

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  14. Debati isso no trabalho e em casa e, pasme, 3 entre as 5 mulheres com quem conversei disseram que acreditam que uma mulher com roupa curta está, de certa forma, contribuindo para uma atitude como um estupro. Triste. Que mundo é esse. Adorei o texto e concordo contigo plenamente!

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    1. Brunna, sei bem o que você diz.
      Fico pasma com as coisas que leio, especialmente no Facebook.
      Desfiz algumas amizades por isso, porque não posso ser amiga de quem pensa de forma tão machista...
      beijossss

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  15. Elaine querida, vc sempre me surpreendendo com sua coragem e sua verdade, ler esse relato nos faz refletir sobre o quanto a sociedade não evoluiu, eramos culpadas naquela época e continuamos carregando a culpa, estamos vivendo numa sociedade doente com inversão de valores e onde a mulher é lixo! Teu texto é maravilhoso, um desabafo preso na garganta durante anos, e um alerta a todas nós e ainda mais com o cuidado com nosso filhos, o algoz pode estar na porta ao lado, escondido atras do sorriso de um primo, ou mesmo dentro de casa o que é realidade pra muitas famílias... bjus no teu coração minha querida, sempre com vcsem minhas orações.

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    1. Valéria, acho que nem é caso de coragem, afinal faz tanto tempo...
      Mas você tem razão, precisamos sempre prestar atenção porque cara não mostra índole, né?
      beijossss

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  16. sabe quando antigamente diziam "coitada, que pena, nasceu mulher, vai trabalhar e sofrer a vida toda" era dita quando nascia uma mocinha? Acho que voltou pra moda mais essa. Mulher é sempre a culpada, se é estuprada foi porque tava com saia muito curta, se ela estuprasse (?!?!?) um homem, ela seria a safada, a violenta, abusadora... Fico tão triste com isso, mas fico feliz por ver as mulheres reagindo, batendo a mão no peito e pedindo respeito. Sofri alguns casos de "eles queriam que eu fizesse algo que não queria" e entendo teu nojo, pavor... Esses episódios não sairam da minha cabeça desde que começou esse movimento todo, há homens que riem disso tudo e nunca entenderão, mas como sempre digo que há esperança no mundo, há homens que nos defendem, viram feras com essa coisa que jogam em nós, mulheres! Parabéns pela coragem de dividir isso com a gente, espero que tenha te sentido mais leve. Beijos

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    1. Sammy, é isso mesmo. Acho que reação é ordem do dia.
      Vítima calada não ajuda em nada.

      Eu estou bem, muito bem.
      Contar essas coisas, tantos anos depois, não me trouxe dor nem nada de ruim que achei que traria.
      Certamente mais leve, e isso é algo que a escrita sempre fez por mim...
      beijossss

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  17. Oi! Elaine! Como sempre seus textos são perfeitos profundos, também já passei por isso e sinto até hoje com 56 anos, marcas que nunca vão sair da nossa mente. Que se fale muito sobre isso, que hajam mais campanhas um dia tem que mudar. Parabéns receba meu abraço meu carinho e meu respeito. Um beijo

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    1. Teresinha, é bem isso mesmo, marcas.
      Muitas vezes me pergunto até que ponto esse incidente afeta minhas ações hoje...
      beijossss

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  18. Amiga... lendo seu relato aos prantos... e confesso que não me imagino nem nesse "quase"... porque sei que ficaria com esse "fantasma" dentro de mim. E imagino também o quanto isso deve ser horrível. Marido até "brinca" que eu sou traumatizada por coisas que eu nem passei. Mas sabe aquilo que a gente não precisa passar para sentir? Pois é... só de pensar, já me vem o nojo, a cena, o medo... No mês de Março eu fiz uma postagem no blog, bem no dia da mulher, falando sobre a "dificuldade" que eu vejo em ser mulher e que nunca sonhei com uma filha... embora adore meninas, para enfeitar... para amar! Amo sobrinhas, afilhadas... e pelo meu próprio jeitinho de menina, de adorar frufru, cor de rosa, todo mundo sempre imaginou que eu quisesse uma filha. Sei lá... Sempre pedi a Deus para não tê-la. Claro que se viesse eu iria amar... mas esse medo seria em dobro. Porque se sinto medo que aconteça comigo, imagina com uma filha????? Aff... não consigo pensar nisso!!! Apesar de sua história triste, graças a Deus, você deu um basta! Muitas infelizmente não conseguem, seja porque motivo for. E eu só peço a Deus que conforte esses ♥, que mantenha quem passa por isso com a cabecinha centrada, que consigam dar a volta por cima... seguir em frente! Esse deve ser um passo muito difícil, muito mesmo! Bjks!

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    1. Simone, minha irmã tem 1 menina e 2 meninos.
      E ela diz o mesmo que você, que se tivesse mais meninas teria mais medo...
      E ela fala que tem medo pelos filhos, porque os pais criam, mas vai saber se o futuro não desvia um deles... Eu penso nisso também porque já vi filhos de bons pais se tornarem pessoas terríveis...
      beijossss

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  19. Elaine eu sei como vc se sentiu pq eu tb ja senti isso: raiva, vergonha, medo, dor... eu tinha só 13 anos qdo dava aula de piano pra uma amiguinha da rua, ela era filha do diretor da minha escola, um dia fui procura-la em casa e só o pai dela estava lá, veio me atender só de toalha, acho q ele percebeu minja cara de espanto pq ele me perguntou se eu queria "tocar" e ante a minha resistencia, puxou meu braço querendo me levar pra dentro da casa, eu só me lembro do meu desespero naquele momento, e do alívio de sair dali intacta (ao menos o corpo), é muito bom não ter uma historia mais triste que essa pra contar agora...

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    1. Gerliane, que relato terrível...
      13 anos, a gente não tinha defesa... que horror...
      Também penso isso, que sou grata por não ter um relato pior pra fazer...

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  20. Depois de ler o seu texto, a maioria dos comentários, fica na minha cabeça uma palavra: hiprocrisia. Vivemos numa sociedade assim há séculos, isso não é de hoje. A família sabia sim o que acontecia mas, hipócrita, preferia proibir a frequência à casa do abusador. Você não sabia porque era criança. Criança não tem que passar por isso, passa e a sociedade continua hipócrita, fingindo que o estupro é uma coisa sem importância.

    Desculpe, mas até bichos são estuprados. Que tipo de mentalidade é essa? Sociopata, com certeza.

    Homens honrados estão aí para provar que ainda há esperança. Nossos maridos e filhos e principalmente, as nossas filhas, devem ter oportunidade de entender e se expressar, de aprender o respeito à dignidade, a não-violência como a única forma de vida.

    Infelizmente tão grande é a hipocrisia que mesmo quando o assunto é de relevância, como este, ainda há quem queira aproveitar e conseguir 15 minutos de fama.

    Enquanto a moral continuar no nível que está, e digo no geral, sabe? No que representa uma sociedade, que vive e se alimenta de corrupção, de BBB, carnaval e drogas, impunidade, lei de gérson, enfim, as "brasilidades" esses fatos vão continuar se sucedendo.

    E nós vamos continuar achando que basta uma campanha ou o assunto na novela para que tudo seja diferente.

    Eu como mãe de 1 menina e 2 meninos, ensino aos meus filhos que o respeito deve ser norma de conduta, mas ensino tb que não se bobeia na beira do brejo que tem jacaré.

    Doeu saber que vc tb passou por isso. Mas ó, foi só mais uma coisa pra te fazer forte.

    beijo

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    1. Paula, naquela época jamais se falava disso com crianças, nem dentro de casa nem na escola...
      E acho que até hoje se fala pouco, na maioria das vezes nas entrelinhas.
      Acho que deve ser dito claramente. Com todas as letras, para que as crianças entendam o risco.
      beijossss

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  21. Aliás estou até um pouco indignada com esta campanha relacionada a roupa que a mulher usa. É como se alguém quisesse além de tudo colocar a culpa sobre a vítima. E qdo a vítima é homem? Meninos? O estuprador é um demente, e para demência não tem explicação.

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    1. Raquel, tem toda razão.
      Eu mesma tenho um amigo querido que foi abusado aos 14 anos.
      Sem contar que estupro não tem a ver com tesão, tem a ver com poder.
      Haja visto os casos de presos que violam outros presos...

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  22. Oi Elaine, obrigada pela coragem de compartilhar esse triste momento da sua vida. Infelizmente vivemos, desde remotos tempos, a culpa de ser mulher e de ser ou fazer determinada coisa, de usar isso o u aquilo. Fico revoltada com o quanto nossa sociedade transforma a vítima em culpada e encontra desculpas para o agressor. Passei por muitas coisas ruins também. Já passaram a mão na minha bunda na rua, já pegaram no meu peito, no da minha irmã, já ouvi e ouso muitas palavras de baixo escalão por aí. Tudo porque homens, alguns, se acham mais machos por fazerem esse tipo de coisa. Mas acho que o pior é o fato de muitas mulheres acharem que o problema foi a vítima estar com tal roupa, ou em tal lugar... etc. E o agressor? Ninguém pensa no terror que ele está provocando? Fico indignada e agradeço por você ter a coragem de compartilhar! Bjs

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    1. Julini, eu imagino como deva ser pior em uma cidade maior.
      E você tem razão, parece que sempre há uma desculpa para o agressor...
      beijossss

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  23. simplesmente comovente e corajoso seu depoimento Elaine e creia acontece com uma periodicidade sem limites...É triste saber que nada mudou, mas triste ainda descobrir depois de tantos anos lembranças fugazes , que até parecem pesadelos irreais , que se foi vitima de pedofilia... Do melhor amigo da familia , do parente próximo ou do vizinho "solidário". Beijos.

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    1. Claudete, sei bem como é comum.
      Na mesma época que eu tinha 13 anos uma vizinha minha, de 11 foi estuprada por um caminhoneiro que dividia o caminhão com o irmão mais velho dela.
      Sabe qual foi a pena dele? Indenizar a família...

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  24. Adorei seu texto/desabafo!!!
    Infelizmente, os valores da sociedade não possuem uma história de valorizar a mulher, pelo contrário! Há deturpação, inversão de princípios e afrontas cada vez mais frequentes. Vejo que está piorando! O que era dito a uma mulher de forma "velada" ou escondida há anos atrás, hoje é falado na "cara" mesmo!!!
    Pode-se dizer que há alguém que abuse, viole ou tire proveito do corpo de um outro ser humano( porque meninos ou adolescentes do sexo masculino também passam por isso) em cada família, não digo em cada casa, mas não família como um todo!!!
    Mas a mulher já é pré-julgada e desrespeitada, seja por seu vestuário ou não, mas simplesmente por ser "mulher"!
    Um absurdo, mas a infeliz realidade!!!

    Beijos e muito sucesso!!!
    Annamaria

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    1. Annamaria, tem razão.
      Famílias, mesmo as melhores, podem sempre abrigar alguém assim.
      Minha irmã sempre diz que confiar ela não confia em ninguém porque a gente muitas vezes se engana, né?
      beijossss

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  25. Elaine lendo seu texto foi passando um filminho na minha cabeça e me dando um nojo tão grande, que juntou a uma revolta e mágoa, apesar de hoje vivermos bem e termos colocado uma pedra em cima. Falo isso porque aconteceu com minha filha, o tio tentou abusar dela e só descubrimos porque ela se abriu com a priminha mais nova que ela, que na hora de dormir sua mãe se sentava na beira da cama e juntas faziam oração pra dormir quando ela disse: "vamos rezar para a "menina" porque o tio dela é muito mal e queria fazer tal coisa com ela..." apesar de não ter se consumado ficou a marca da tentativa. E depois pra arrancar dela qual deles teria feito a maldade com uma criança de 05 anos...só sei que quando eu fui apertando ela foi se encolhendo e ficou quase que na posição fetal e chorando muito me confessou quem era a pessoa. Foi tudo muito difícil Elaine porque quando se trata de pessoas da família tem os que acreditam e os que desconfiam que tudo não passa de invenção, mas foram anos de afastamento. Hoje depois de tudo perdoado já conseguimos conviver com harmonia, mas quer saber de vez em quando sabe quando vc olha no rosto da pessoa e tudo aquilo vem a tona, é uma situação que foge do nosso controle.
    Elaine gosto muito dos seus posts, sempre trazendo muita reflexão.
    Bjos e fique com Deus,
    Marlene

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    1. Marlene de Deus... que coisa horrível...
      Imagino o que você sentiu, o quanto deve ter sido horrível...
      E olha, vou ser franca: eu não conseguiria conviver com tal pessoa de novo.
      Durante muitos anos achei que era de fato capaz de perdoar, hoje vejo que no máximo sou capaz de não mais desejar a morte pra gente assim.
      Pra seguir vivendo a gente muitas vezes bota uma pedra em cima.
      Mas eu me pergunto se realmente isso é o melhor...
      Se bem que nem sempre há alternativa, né?
      Muito obrigada por compartilhar.
      Desejo do fundo do coração que você e sua família fiquem sempre bem.
      beijossss

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  26. Oi Elaine, estou sem palavras, a sua sensibilidade e generosidade mostram uma mulher que agora conheci, espero que Deus te abençoe e apague essa agressão sofrida, porque eu sei que agressões desse tipo nos fragilizam muito. Mais ainda, quando filhos nos ameaçam, caso o pai fosse preso.
    Você colocou de forma muito clara, uma situação de agressão contra as mulheres, que ainda são culpadas por serem estupradas. Mas uma coisa eu lhe digo, os estupradores preferem as meninas ou mulheres discretas, porque não terão coragem de denunciar. Aprendi que a melhor defesa é espalhar ao mundo quem são esses patifes, o mal já foi feito para nós, mas cortamos pela raiz, não farão novas vítimas. Te admiro mais ainda, me perdoe, que seja muito abençoada, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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    1. Maria Teresa, você tem toda razão.
      Quantos casos de mulheres que são abusadas dentro de casa?
      E como é difícil provar...
      Sim, vítimas quietas são as melhores, né?
      Por isso acho que sempre devemos falar...

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  27. Oi Elaine,
    O post está perfeito. Vou compartilhar no FB, pois acho que deve ser divulgado.
    Bjs e um ótimo meio de semana para vc.

    GOSTO DISTO!

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  28. Não posso discordar de nem mesmo uma vírgula do teu texto. Exato, sincero, profundo do início ao fim.
    É horrível viver num mundo onde se é uma vítima em potencial (em qualquer lugar, dia, hora) pelo simples fato de ser mulher. É horrível pensar que exista um crime em que nem ao menos o criminoso tem alguma vantagem material! É pelo simples prazer de ser um monstro!
    Parabéns pelo texto e pela coragem.
    Denise

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    1. Denise, pois é... fico me perguntando qual a vantagem...
      Nunca saberei...
      beijosss

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  29. Elaine, difícil para nós vivermos no mundo de hoje... Onde nós mulheres levamos a culpa por homens, se é que podem ser chamados de homens, sem caráter, sem respeito, preconceituosos e que se acham donos da verdade.
    Me emocionei ao ler a sua história, e enquanto eu lia ficava imaginando: "quantas garotas, crianças, mulheres não estão passando exatamente por isso neste momento... estão sendo molestadas, intimidadas, estrupadas, tendo todos os seus direitos privados...
    O que nos resta é cuidar dos nossos...
    bjos e força querida!

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    1. Verdade, Sara.
      Quantas... todo dia, talvez perto da gente...

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  30. Elaine, concordo com vc! Eu tb sei o que é isso, sofri abuso de um tio quando tinha 12 anos, ele passou a mão no meu seio e depois quando eu contei pra minha mãe, disse que não sabia o que tava fazendo, que tava bebâdo. Aquilo ficou marcado e me lembro até hoje, eu sempre evitei estar perto dele novamente e é como vc falou, se só com esse abuso eu fiquei marcada imagina se tivesse sofrido estupro? É mto triste ver mulheres concordando com essa estatística absurda que diz que mulher que anda assim ou assado, vestida assim ou assado pode ser estuprada, que horror, a que ponto chegamos? Eu ensino meu filho a respeitar as meninas, a se controlar, ele agora tá ficando um rapaz e eu converso mto com ele a respeito disso. acho que isso também é papel de mãe. bjossss

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    1. Wilma, imagino seu horror.
      E o desgraçado ainda dá uma desculpa dessas...

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  31. Nossa Elaine parabéns pelo post,eu ando muito assustada com tudo q vejo na tv,noticiarios e mais.Bjo!

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    1. Graziele, eu também fico assustada.
      Esse lance do metrô... como pode???
      bjsss

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  32. Elaine, esse texto descreve a revolta de todas nós. Parabéns pela coragem de falar sobre um tema tão polêmico e difícil. Te admiro ainda mais :-)

    Bjo

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    1. Simone, mas nem é coragem, sabe?
      Claro que a gente se expõe e fica mais vulnerável, mas falar é uma necessidade.
      Guardar coisas não é bom... e um dos motivos do blog é ter uma janela para expor o que penso, o que sinto...
      beijos, obrigada pelo comentário gentil.

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  33. Quando se diz que uma mulher foi violentada por alguém que não a conhecia por estar vestindo algo muito sensual e chamou a atenção de uma pessoa mentalmente desequilibrada que a vitimou, a culpa não foi da mulher, claro que não foi, mas quando saímos à rua não devemos pensar que apenas existem pessoas normais, mas também os chamados “psicopatas sociais” que estão por aí, misturados a homens normais. Ele tem placa na cara??? Por certo que não, senão, não seria tão difícil encontrá-los ao se deparar com um crime dessa natureza... E pasmem, quantos são os casos que acontecem dentro das famílias, tios, primos, próprios pais biológicos ou padrastos que cometem esses atos com meninas e ficam por isso mesmo... O que dizer? Culpa das mulheres? Por certo que a mulher, principalmente hoje em dia sabe a força que tem dentro e fora de si mesma. A mulher sabe muito bem o que usar quando quer seduzir. Assim como o homem usa a “lábia”, a mulher tem a favor de si o seu belo corpo. Eu sou mulher e desde cedo a gente sabe o que nos favorece no jogo da sedução... seria hipocrisia dizer que somos inocentes em todos os casos. Por isso acho difícil falar de forma geral sobre um assunto que deve ser visto caso a caso. Mas, uma coisa é certa e psicologicamente comprovada, o homem é atraído pelo visual e a visualização também tem importante papel em sua área sexual. Assim como se sabe que a mulher é mais atraída por uma boa conversa, um bom tratamento, temos sim a mania de fantasiar um relacionamento com “príncipes encantados”, mesmo que depois eles virem “sapos”. Então, eu acho que cada um sabe o que lhe atinge mais e o que faz com que a gente atinja o outro. Vamos deixar de hipocrisia de achar que somos totalmente inocentes, ou que as mulheres são sempre culpadas por tudo. O que existe é uma educação voltada para a vulgaridade, para mostrar os atributos da mulher objeto, mas, como na vida não há nada que se consiga sem luta e sem conseqüências... estamos lutando sempre por uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais humana... sonhamos um dia vivermos num mundo mais tranqüilo e com o espaço aberto para todas as pessoas, independente do que vistam ou do que escolham para suas vidas, não é verdade?

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    1. Adriana, eu não concordo totalmente com você.
      Se assim fosse só haveria estupros na praia, onde todos estão com bem pouca roupa.
      Mas aqui mesmo onde moro uma vizinha, vestindo calça jeans e camiseta, indo comprar pão, dona de casa comum, foi atacada, eram 7 da manhã.
      Dizer que estímulo visual "justifica' ataques não me parece justo.
      E mesmo se a pessoa se veste de forma atraente, isso não a desqualifica.
      Sem contar que estupro e abuso não têm a ver com tesão, tem a ver com poder e com subjugar o outro, ou a outra. E com impunidade.
      Mas concordo quando diz que todos sonhamos com um mundo mais justo.
      Embora eu duvide muito que isso um dia chegue a existir de fato...

      beijosss

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    2. Elaine,

      Não sei o que houve, mas eu postei duas partes de texto e só apareceu para você a primeira... vou procurar o outro pedaço se salvei pra postar para você, na verdade, o que quis dizer ficou na metade, talvez, mal interpretado... A mulher não é culpada porque desperta no homem um desejo que não é natural, o de ser violentada. Mas, ela pode sim se prevenir de algumas formas, ainda que seja impossível identificar pela fisionomia quem é sexualmente perturbado! Nós, mulheres temos uma percepção muito aguçada do ambiente e de tudo o que nos cerca muito mais do que nos homens e devemos usar isso para nos proteger de animais que andam por aí em busca de machucar as pessoas... concordo que o estupro não é apenas uma questão sexual, mas de poder sobre o outro, no caso aqui a mulher. Também ouvimos notícias de violência contra crianças e inclusive meninos. Tudo isso é muito triste e só prova que o homem (gênero) não aprendeu muita coisa sobre o que é Amar e Responsabilizar-se pelo seu próximo! Desculpe se não consegui postar tudo o que desejei sobre o assunto, vou procurar o texto e se encontrar te envio.

      Abraços,

      Drica.

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    3. Adriana, às vezes, quando o comentário é um pouco mais extenso, o Blogger corta mesmo, não sei o motivo.
      Mas não se preocupe, eu entendi seu ponto de vista.
      beijosssss

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  34. Oi Elaine, há dias estou tentando escrever sobre isso ,mas não tenho conseguido sair do rascunho...
    O ser humano ainda tem muito do animal do irracional, que bom que vc conseguiu se livrar do monstro, se é difícil viver sem o ato consumado imagine com ele consumado.
    Espero que esteja tudo bem na medida possível com vc, marido e meninas!

    Beijos!

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    1. Dalva, estamos bem, obrigada.
      E você?

      Também estava com esse texto no rascunho faz tempo.
      Como sempre gosto de relacionar o que vou escrever com minha experiência pessoal demorei um pouco pra de fato achar o tom.
      Mas achei, gostei de ter falado.
      Tenho poucos segredos, falo abertamente de quase tudo, nem sei porque nunca tinha contado isso em 5 anos de blog... e no fim nem doeu. Foi bom.
      E isso só reforça minha convicção de que falar sempre é melhor do que calar.
      Né?
      beijossss

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  35. Elaine, você está tão, mas tão certa!
    Senti a tua raiva, senti o teu asco!
    Nunca - Graças a Deus - nunca vivi situação semelhante, mas saber que elas ocorrem me enche de ódio feroz por essas bestas que, indevidamente, se apelidam de homem.
    Não são todos assim! Poucos são assim. O meu pai, o meu marido, o meu filho não são assim.
    Aos que são, o meu desprezo, o meu nojo, o meu ódio!
    Fez bem, querida Elaine, fez muito bem em desenterrar esse esqueleto oculto no seu armário.
    Acredito que o seu texto despertará muitas consciências.
    Um grande beijinho (com muita admiração, pela sua coragem) da Nina

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  36. Olá Elaine.
    Eu tenho apenas 10 anos e fiquei muito tocada com o que você escreveu.Enchi meus olhos de lágrimas.
    Graças a Deus eu nunca passei por uma situação dessas,mas eu tenho muito ódio desses desgraçados que não podem ver uma menina em fase de puberdade que já ficam fazendo "brincadeirinhas", jogando cantadas e se no momento tiverem oportunidade,já viu o que pode dar.Isso que eu sinto é inexplicável,é o maior ódio que alguém pode ter,dá vontade de tortura-los com dano igual ao que eles causam a essas famílias.Felizmente ainda há seres neste mundo que não pensam como esses miseráveis,que defendem as mulheres porque se sentem no dever de mais fortes proteger as mais frágeis.
    Eu acredito que seu texto dê coragem a várias garotas que passaram ou quase passaram por esse abuso a denunciarem,pois mesmo se você passar por um escândalo,poupará várias outras.
    Beijos da sua grande fã,
    Elissa.
    www.elissapinheiro.blogspot.com

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