Saudades de ser filha...

em 25 de outubro de 2012

Semana passada eu vi um trecho do programa de entrevistas da Marília Gabriela. Naquele dia o entrevistado era o cantor sertanejo Eduardo Costa. Num determinado trecho da entrevista ele disse que faz terapia. E que a terapia o ajuda a encarar os sentimentos.

E falando em sentimentos ele disse algo que me fez prestar a maior atenção: ele disse que, pelo fato de ter se tornado arrimo de família muito cedo sente falta de ser filho.
Fiquei pensando...

Eu também sinto falta de ser filha. Acho que deixei de ser filha cedo demais, desde muito cedo eu conheci as dificuldades dos meus pais, e desde os 11 anos eu senti a urgência de ajudar. Trabalho desde então.
Quem viveu os anos 70 e e começo dos anos 80 do século 20 sabe o quão duros foram aqueles anos: muita dificuldade financeira, muita pobreza. E era uma pobreza diferente da pobreza de hoje.

A pobreza de hoje tem celular, tem refrigerante, tem bolacha recheada, eu vejo meus sobrinhos. Eles tem coisas que eu e meus irmão jamais tivemos. Eles comem melhor, se vestem com roupas compradas em lojas, usam calçados comprados em lojas. Graças a Deus que é assim.
Comigo e com meus irmãos não era assim. Nossas roupas vinham de bazares da pechincha; fui ter meu primeiro par de sapatos comprado em loja aos 15 anos. O sapatinho de plástico da minha primeira comunhão foi achado no lixo. O vestido foi dado por uma prima.

Mas tudo isso, todas as durezas, toda a privação, jamais me deixaram triste. Ao contrário! Me ensinaram desde cedo o valor do trabalho, o valor de cada coisa.
Eu, naqueles anos difíceis, via meu pai sair de casa de madrugada para ir no ponto de pau-de-arara tentar conseguir trabalho na época da entressafra da cana de açúcar. E via quando ele voltava, muitas vezes sem conseguir nada, e aí sabíamos que a semana seria dura, semana de comer mamão verde refogado.

Também lembro do período da safra da cana. Lembro do meu pai com câimbras de tanto cortar cana. Para alimentar os 3 filhos ele fazia um dos trabalhos mais duros que já existiu, cortar cana verde, toneladas e mais toneladas por dia. Trabalho que envelheceu meu pai, e muitos outros, antes do tempo.

Saber disso tudo, e saber das brigas e frustrações dos meus pais, e ouvir da minha mãe o quanto ela era infeliz, o quanto meu pai era ruim pra ela, ouvir tudo, saber tudo e tentar ajudar, sempre sentindo uma imensa culpa... isso me faz sentir, ainda hoje, passados tantos e tantos anos, saudade de ser filha.
Saudade de ser dependente, saudade de deitar a cabeça no colo dos meus pais, saudade de deixar que eles cuidassem dos problemas de adultos. Sinto saudade de ser o que acho que nunca fui de fato: criança.

Não tenho mágoa. De jeito nenhum! Como poderia? Eu vi, eu vivi aqueles anos. Sei que, dentro do que podiam, meus pais, em especial meu pai, fez o melhor que podia. Mas ficou a saudade de ser filha.
Depois, quando meu pai cansou e foi embora, foi ainda pior. Daí, além de não ser mais filha, passei a ser responsável pela casa. E a filha que havia em mim ficou guardada bem no fundo do coração. E é essa filha que sente saudades...

Porque estou dizendo isso? Porque vi a entrevista, porque a sinceridade dela me tocou.
E porque hoje, esperando no carro pelo marido vi um casal com 3 filhos pequenos. O menino do meio caiu, e imediatamente correu para o colo do pai, que o aninhou, passou as mãos pelo cabelinho da criança, depois pelos olhos molhados, e o consolou. Uma cena tão bonita... pai e filho. Um filho sendo filho. Um pai sendo pai.

Senti saudades. Daquilo que não vivi, senti saudade do gesto meigo do pai. Saudade de ser protegida, ao invés de proteger...
Saudades de ser filha...

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

60 comentários , comente também!

  1. Olá Elaine, que texto lindo e emocionante.
    Da minha maneira e com a história diferente da sua, eu também sinto saudade de ser filha.
    Acho que até por isso dei muita proteção e atenção ao meu filho. Para que ele não sinta essa saudade futuramente.
    Beijos

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    1. Bom dia, Elaine!

      Texto maravilhoso. Traduz o sentimento de uma geração que como você "sente saudade de ser filha". Irei trabalhá-lo com meus alunos, pois muitos não puderem ser filhos e percebem o quanto isso fez falta em suas vidas.

      Um abraço.

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  2. Oi tudo bem?
    Eu também sinto essa saudade. Não mágoa, mas uma falta mesmo. Também passamos por dificuldades, na época não financeiras, mas emocionais. Minha mãe faleceu, do nada, e nos deixou. Eu tinha 11 anos, e desde então me tornei a " mulher" da casa, não de cuidar e arrumar, mas de ser a parte sensível, o olhar de " mãe" que tive de aprender a ter desde nova.
    Quando eu tinha 14 anos meu pai descobriu uma arritimia no coração, descobriu também ter mal de parkinson e desde então eu quem cuido dele. Me tornei mãe do meu pai.

    Hoje sou mãe. E é bom ser MÃE do seu FILHO sabe?


    Beijos

    www.parabeatriz.com

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  3. Lindo seu texto Elaine!Não pelos seus motivos mas outros, também queria voltar a ser filha, principalmente da mãe. Estou esperando a sua folga.beijos

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  4. Oi eu também tenho saudades mas me sinto feliz e realizada com o que sou e com os filhos que tenho e vejo nas suas atitudes que soubemos cria-lós.Eu ao contrário de vocês perdi minha mãe aos dois anos de idade e meu pai esqueceu que tinha filhos fui criada muito bem pela minha tia irmã dele que morreu quando eu tinha 15 anos minha vida com ela foi boa mas desde cedo trabalhava em casa para ajudar tive uma otima educação e tudo que sou hoje agradeço a ela beijos eliane lima

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  5. Elaine, que lindo seu sentimento. Embora triste, mas o importante é você entender que foi assim e nada pode mudar isso.
    Encarou e hoje recorda, com vontade de algo que não viveu, mas tanto quis. Nasci a 3ª, numa família de 10. Meu pai era caladão, era o provedor, o senhor. Minha mãe era brava, tinha sempre um filho engatinhando e outro na barriga, e nos criou com mãos de ferro, pq era obrigação da mulher cuidar dos filhos, o pai tinha obrigação de sair e trazer o sustento. Não passamos dificuldades financeiras, tínhamos o básico, a própria vida sem consumismo, sem TV, já ajudava muito a entender que sapato era um pra escola, um pra sair e um chinelinho de casa. Roupas mamãe costurava, ganhávamos de primas abonadas, mas mamães desmanchava e fazia novas peças. (Lembrando, sei que foi um bom tempo). Querida, mesmo de longe posso lhe dar meu colo, sempre que precisar. Beijo!

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  6. oi, Elaine.
    Também saudades de ser filha, meu pai morreu quando eu tinha 12 anos e minha mãe foi trabalhar fora então eu tive que cuidar da casa, ir ao banco pagar as contas,ao mercado fazer compras, ao médico sozinha. Por isso amadureci cedo, e meu pai me fez muita falta, mas é a vida.
    Um abraço,
    Angela

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  7. Eu queria ter meus pais até hoje (perdi-os muito cedo também).
    Queria que eles tivessem visto meu filho nascer, minha neta ....
    Conversar, acarinhar, sinto muito falta mesmo.
    E, como você disse, de ser filha também, porque fui arrimo da família muito cedo!
    Mas vida que segue .......
    Beijos querida.

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  8. Oi Elaine!!!

    Gosto de ler os seus textos, nós nos identificamos com várias palavras que você transmite. Gosto da simplicidade como você fala, vi um texto que você falava sobre seu pai e como era a vida naquele tempo e parecia que eu estava escrevendo aquela história. me emocionei igual hoje. Gosto muito de vir aqui, posso até não deixar um recadinho, mas passo leio, medito.

    Beijos e que Nossa Senhora e Deus lhes dê dias, semanas, meses e anos abençoados e iluminados.

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  9. A gente sente saudade de tanta coisa, né? E essa saudade, de quere ser filha, de ter alguém zelando por nós, nos dando segurança, resolvendo os pepinos do dia...ah! Ela é bem vinda. Ah! Se o tempo voltasse. Mas
    não volta! Por isso a saudade teima vez por outra fazer morada em nosso ser. Olha o lado bonito dela chegar sorrateiramente? Transformou a vontade de ser em poesia!
    Belo texto!

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  10. Puxa Elaine, que narrativa de vida profunda... Já senti saudades também de algumas coisas que não fui, não vivi, não fiz... Acho que deve ser uma saudade imensa essa sua de ser filha. Hoje, sinto saudades da energia de vida em meu pai, que agora é mais meu filho que nunca. Sinto nele a saudade de ser meu pai. Talvez isso me doa mais que a necessidade de colo que eu possa sentir. Como eu gostaria de poder devolver ao meu pai toda a sua vitalidde, toda a sua mobilidade, toda a sua independência, toda a sua possibilidde de nos aconchegar em seu colo com a sua força e ternura... Sinto saudades hoje do que não sou capaz de fazer... (sua postagem me sacudiu, torceu e me deixou do avesso, mas feliz por saber que carinho e dedicação ainda posso oferecer a quem tanto amo).
    Bjs no coração
    Renata

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  11. Vc sempre nos emocionando.
    Eu tenho sua idade e apesar de ter passado menos aperto financeiro do que vc passou, lembro bem das dificuldades dos anos 80.
    Que bom que vc não guarda mágoa, que bom que tira de tudo isso uma lição positiva.
    Bjs

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  12. Tão lindo... olhos rasos d'agua
    Receba um abraço muuuito apertado.
    bjs
    Jussara

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  13. Puxa Elaine, acho que vc escreveu o que nunca consegui definir, vc fez palavras os sentimentos de muitos, hoje faço terapia tb, pra tentar calar esta filha que sempre quis ser filha, atualmente quando tudo parecia mais leve em minha vida, descobrimos um cancer severo e terminal em minha mãe, lá vai a filha virar mãe e começar tudo de novo, e o meu marido é ótimo, perfeito mas quando diz respeito a esses sentimentos ele não entende, pois sempre teve pai e mãe cuidadores, que até hoje com 40 anos ainda levam cafe da manhã pra ele na cama, são verdadeiros pais que mimam, quando nós só queriamos o direito de ser crianças...
    Beijos, sucesso e adoro seu blog!

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  14. Eu sinto falta de ser amada,amor de pai e de mãe. Meus pais verdadeiros trabalhavam com fogos dentro de casa no interior,a nossa casa pegou fogo e eles morreram queimados,meus irmãos foram separados e eu fui trasida para Salvador,fui adotada,mas desde muito pequena ouvia meus pais falarem que iria me colocar em um orfanato,passei minha infância toda triste e com medo de ser abandonada e isso não foi nada divertido.

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  15. Muito lindo seu texto, realmente a gente que é grande, também precisa dum colinho, e quando se tem muita responsabilidade, dá vontade de ser filha.

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  16. Texto lindo, me fez voltar ao passado.
    Diferente de você eu fui filha por muito tempo, fui muito protegida, e de certa forma meus pais o fazem até hoje, ainda que eu já tenha 37 anos, e seja mãe protetora.
    Mas seu texto me fez sentir saudades justamente disso, de quando eu era apenas filha, protegida, onde nenhum mal me alcançava, e eu nem sabia que se pagava pela água que a gente consumia.
    O tempo passa, e dá uma certa nostalgia saber que tem coisas que NUNCA mais voltarão a ser como eram, e quando eram a gente não dava tanto valor...

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  17. vc escreveu td que eu sinto e nossas historias são muito parecidas, vc escreve lindamente!

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  18. Bom dia Elaine, também bateu uma saudade lendo suas palavras, não tive uma vida sofrida é logico tive muitas dificuldades não era fácil sustentar uma casa com 3 filhas,mas graças ao nosso bom Deus nunca passei fome. Mas tenho saudade da época em que morava com minha mãe, das reuniões familiares, onde não precisava me preocupar com problemas que faziam parte do mundo adulto. Mas crescemos temos tanta responsabilidade.
    Elaine obrigado por me fazer lembrar de momentos de filha, com a correria do dia a dia não paramos pra pensar nestes assuntos, mas graças a este texto dei uma paradinha e recordei de momentos tão felizes, deu uma saudade...

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  19. Lindo e emocionante o seu texto. Acho que todos nós sentimos, de alguma maneira, saudades do que não foi vivido. é uma saudade diferente do que foi vivido... Mas o fruto da sua caminha está aí, escancarado neste seu belo e cativante blog. Uma pessoa bonita, sincera, com muito a compartilhar. Um bejio grande, amiga Elaine.

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  20. Oi Eliane, que lindo texto!

    Tenho uma historia parecida, me tornei adulta muito cedo, comecei a trabalhar aos 13 anos, não posso me queixar de não ter sido criança, me queixo de não tido adolescência, de não ter podido fazer o 2º grau certinho, tive que fazer supletivo; lembro bem dos anos 70 e 80, as roupas e sapatos eram ganhados de uma tia que trabalhava em casa de família mais abastada; minha mãe era solteira numa época muito mais preconceituosa que hoje, e eu filha unica. Aos 5 anos de idade, eu ficava sozinha em casa, pois não tinha quem me cuida-se, não foi raras as vezes que minha mãe chegava em casa e eu estava desmaiada, caída no chão, pois tinha uma doença que aumentava muito a minha pressão, e minha mãe se desesperava, pois não sabia a quanto tempo eu estava daquele jeito.

    Também não tenho mágoas, ao contrário, me orgulho de cada passo, cada dia, pois se sou hoje uma pessoa batalhadora e consciente do meu lugar é graças aos ensinamentos que a vida me proporcionou.

    Ainda não tive meus filhos, por vontade de Deus, mas tenho um enteado que é a minha alegria, e trabalhamos duro eu e meu marido, para poder proporcionar a ele a condição de poder ser filho, ser criança, ser adolescente.

    Um grande beijo, Frida Lucia
    http://www.agulhascolhereseafins.com/

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  21. Oie, bom dia, quando escreve em mocinha tem que nos emocionar! também não vim de uma fase fácil da vida, acho que até hoje as coisas andam difíceis, e quando vejo as crianças de hoje, sinto falta das de antes, onde o mínimo era o máximo, sempre dei valor a tudo, sempre trabalhei para ajudar em casa, mais fui criança, fui muito criança e até hoje sou rsrs, minha mãe protege eu e minha irmã até demais, meu pai também, não tivemos uma vida fácil, mas sempre conseguimos nos mantermos unidos, achei linda sua história, mais linda ainda quando você diz que senti falta, imaginei você olhando e se emocionando!beijinhos uma ótima quinta, não preciso dizer porque sempre digo mais vou dizer adoro ler o que você escreve rsrs tchau!!!

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  22. Oi, não tem como não se emocionar com sua postagem...
    Realmente as coisas eram mais difíceis para os mais necessitados, mas algo me chama a atenção em especial, a relação pais e filhos naqueles tempos era tão sem laço mesmo, sem contato físico, poucos abraços, nada de Eu Te Amo,mesmo em famílias de melhor poder aquisitivo, acho que afeto era mais proporcionar educação e conforto. Eu não passei necessidade do básico, mas senti falta deste contato mais íntimo embora eles me dessem afeto ao modo deles, acho que não foram ensinados a demonstrar carinho nessa medida,muito provavelmente nem eles tenham tido.
    Imagino o tamanho do seu vazio, pois não teve o colinho, não teve o conforto e ainda teve que tomar para si as responsabilidades de um mundo adulto sem nunca ter sido criança em sua plenitude. E vc se saiu muito bem, aprendeu sozinha a perceber e desenvolver carinho.

    Beijos, Elaine!

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  23. Ai... Me emocionei aqui mais uma vez, amiga...
    Vc tem um jeito de escrever que mexe com o coração da gente...
    Enquanto eu lia, as lembranças balouçavam em minha cabeça... Eu tenho saudades de meus pais que já faleceram...
    Tenho saudades especialmente de seus colos quentes...
    Muitas saudades...
    Força aí mulher!
    bjinhos no core!!!

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  24. Que lindo, Elaine!!! As dificuldades fazem a gente crescer!!!

    bjuuuu

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  25. Olá Elaine !Muito emocionante tua história . Lendo a tua voltei a minha infância que também não foi das melhores,fui filha de pais separados e eu cedo
    aprendi a ser responsável,cuidar dos meus irmãos menores.Naquele tempo realmente não se tinha , beijos, carinho nem te amo.
    Beijos

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  26. Oi Elaine
    Fiquei muito emocionada com seu post, li ele para meu marido e em meio as palavras me engasguei de emoção, um aperto no peito.
    Através de suas palavras, muitos de nós nos identificamos, e com certeza sentimos muita falta de ser filha.
    Obrigada por despertar em nós essa emoção.
    Beijossss

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  27. Oi Elaine!
    É, não é fácil! Comovente o seu depoimento, sou solidária. Também me sinto assim muitas vezes. Sou filha única e perdi minha mãe com 13 anos. Aos 20 já era mãe e perdi meu pai aos 22. Hoje aos 52 vejo que fui mais tempo mãe que filha, protetora que protegida. Nooossa acho que estou precisando fazer terapia.rss
    Beijinho

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  28. Obrigada por ser uma pessoa q toca nossos corações. Doris

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  29. oi Elaine, sua expressaão me arrancou lágrimas,pois não existe coisa mais sublime do que o perdão; aprendemos a liberar esse perdão com o nosso Pai celeste, que nos ama, protege, perdoa e nos acolhe em seus braços nos momentos mais difíceis...bjs.

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  30. Emocionada, Elaine...suas palavras tocaram bem fundo em mim. Também me fez lembrar do meu pai. Trabalhava como guardador de carros, era muito duro também, no sol, na chuva. Íamos(minha mãe e eu) levar o almoço, todos os dias. Naquela época parece que ainda não existia marmitas térmicas, não lembro. Ele tinha que sair às 4 horas, morávamos longe demais. Ainda vendia peixes nos dias que estava "de folga". Foi uma das melhores fases da nossa vida, ainda que cheia de dificuldades. Meus pais foram pais de verdade, muito amor, paciência, atenção, como o pai que você cita no texto. Amoroso, nunca bateu, nem gritava, e a minha mãe, sempre muito companheira. Era costureira, modelista, mas essa profissão não era valorizada, anos difíceis aqueles, pobre era quase miserável, mesmo, no sentido da palavra. Mas graças a Deus, vencemos. Eles(meus pais) já não estão mais aqui...sinto tanta,tanta saudade deles, que chega doer;pode passar muito tempo,não me esquecerei...

    Bjs

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  31. ELAINE....Li seu texto e meus olhoss choraram...não conheço seu rosto...mas agora um pouco da sua alma...que na verdade é o que importa...
    Também não fui filha, mas em outro contexto...
    E percebi, quando viu o pai pegando o filho no colo... que sua alma não endureceu, muito pelo contrário...se engrandeceu!
    Grataa por partilhar...um bj no seu coração, pessoa bonita!!!

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  32. Elaine...fiquei muito emocionada com sua postagem, pois comecei a trabalhar com 11 anos, de babá de meus primos, ganhava uns trocos, comprei meu primeiro all star colorido botinha com 13 anos, foi minha alegria.Éramos em 4 na época, depois veio minha irmã caçula...Não fui infeliz, mas queria esse abraço, esse "eu te amo" que hoje eu e meu marido damos para nossos filhos...
    Paz e bem

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  33. No fundo se formos pensar sentimos saudades mesmo, até de muitas coisa, ainda mas do colo dos nossos pais, lindo o que vc compartilhou...Bjs

    Vitória & Nathan

    mamaenathan.blogspot.com

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  34. Caramba!!! Ao ler estas linhas veio à mente uma saudade incrivelmente gostosa de minha mãe. Bom, na verdade eu fui criado por minha avó, que desde minha infancia chamava de mãe, já que a minha mãe biológica nunca, sequer chegava perto de mim.

    Hoje minha mãe está desencarnada. E guardo da mesma boas e diversas lembranças. Umas bem fortes e marcantes que ainda me fazem arrepiar. Umas outras era quanto ao seu desprendimentos em criar e cuidar bem dos filhos, dos netos, dos parentes... Quantas lições!?

    Saudade de ser o filho de minha mãe!

    Saudade de ser chamado não por meu nome ou pelo codinome que hoje sou conhecido. Queria ser chamado hoje pelo nome que ela, apenas ela me chamava.

    Saudade!

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  35. Oi querida,

    Me emocionei fundo. Você me fez lembrar de uma época bem difícil também.
    Mas graças à Deus passou e amadurecemos com as dificuldades.

    Bjs
    Mana

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  36. Elaine,
    Muito lindo teu texto, acredito que seja a realidade de muitos de nós...
    Já estou seguindo seu blog pois adorei...Este post me emocionou...
    Bjs no ♥
    A Toca da Joaninha
    http://carla-russo.blogspot.com.br/

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  37. Eu sempre leio seu bolg mas hoje em especial o texto mexeu comigo
    ,parece que vc contou a minha historia,eu queria poder falar assim com esta simplicidade ,que vc conta. eu nem gosto de falar da minha infancia isso doi até hoje.
    eu amo seu blog. e incrivel asua infancia foi paracidaom a minha e meu casamento com o de sua mãe,quando li o post que vc falava do casamento de sua mae eu me desfiz em lagrimas.só ai me dei conta do mal que fiz aos meus filhos

    Abraços Rose

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  38. Elaine, muito lindo o seu texto. Eu nasci em 1962 e perdi o meu pai com 10 anos de idade. Mas lendo o seu texto, eu me lembrei o quanto meu pai era amoroso, do jeito dele, até mais que minha mãe inclusive. Mas não tive a oportunidade de aproveitar bem o meu pai porque ele morreu cedo. Mas o pessoal daquela geração tinha dificuldade de externar seus sentimentos. Hoje não, hoje eu digo a meus filhos, tenho 3, o quanto os amo e o quanto eles são importantes para mim. Te agradeço pela oportunidade de começar o meu dia, com um texto tão reflexivo.

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  39. Lindo demais o seu texto. ´Tenho 52 anos e sempre tive saudades de ser filha, criança, pois sempre fui tratada como adulta. Tenho um filho com 24 anos a quems empre tratei com o máximo de carinho e respeito e sou super feliz no meu papel de mãe, uma mãe que ama e é amada.
    Beijos. Adorei seu Blog.
    Lita
    (http://misturadeafectos.blogspot.pt)

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  40. Olá Elaine, as tuas postagens mexem com nossos sentimentos, também sinto saudade de ser filha; meu pai, como o seu, saiu de casa cedo, por volta dos meus 12 anos, tinha um espírito aventureiro, gostava de viajar, mas lembro com saudades quando ele nos reunia no pátio da nossa casa e tocava seu violino, cantava louvores a Deus e nos ensinava, era tão bom, aquele momento! Hoje ele já é falecido, partiu cedo com 64 anos. Enquanto ele esteve conosco era um pai amoroso, ficava de pés descalço, mas não deixava faltar nada para nós. Quando ele partiu senti falta daquele pai carinhoso e do pai severo que nos colocava na linha, do seu colo e do seu ombro amigo...hoje lendo teu texto, com nó na garganta e lágrimas nos olhos pude sentir o quanto sinto falta de ser filha, também. Obrigada, amiga, assim pude expressar e colocar um pouquinho dos meus sentimentos, o que faz muito bem.
    Um grande abraço

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  41. Elaine,quanta sensibilidade nesse lindo texto!E uma cena que seria comum para muitos,aos olhos de uma escritora como vc trouxe diversas lembranças!Adorei te visitar!bjs e meu carinho,

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  42. Poxa Elaine, vc teve uma vida mt dura mesmo. Tao jovem e ja tendo que trabalhar tao cedo, cuidar dos irmaos, e ate da mae. A gente passou por uma fase tbm mt dura, qd minha mae largou meu pai, mas como a familia era grande, todo mundo ajudava, p. ex, mamae distribiu os filhos pelas irmas e mae (minha avo) uma epoca, ate que conseguiu um emprego e logo nos juntou novamente. Nunca tivemos mt grana, na epoca, eu sentia um pouco de inveja dos amigos que estudavam em colegios particulares e tinha tantos brinquedos e viajavam nas ferias e de aviao!! :-) - foi na epoca que moramos numa vila militar... mas tudo isso é pouco em relacao a luta que foi tua vida de jovem. Sinto mt.

    Mas é legal demais te ver hoje tao forte, tao batalhadora e querida por tantos. Tudo isso é mérito teu.

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  43. Lindo texto, emocionante,me fez voltar lá atrás, também sinto vontade de ser filha,meus pais separaram eu tinha 6 anos, logo fui para o internato de freiras para estudar, me preocupava com meus irmãos longe de mim, minha mãe nunca ia me ver, meu pai sempre viajando, senti muita falta de ter um lar com meus pais, fiquei com minha vó materna e ela foi uma mãe pra mim. Assim como vc não guardo mágoas pois amadureci cedo, tive que enfrentar a vida antes que os outros da minha idade, mas tudo valeu a pena. Tenho certeza que meus filhos não terão essa vontade de serem filhos pois o são. Tento dar à eles o que eu não tive lá atrás. Beijo Rose!

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  44. Nossa Elaine como me identifiquei com vc,começar a trabalhar cedo e uma grannnnnnnde saudade de ser filha. Te mandei um outro email, quando puder olhe lá ok,pra podermos marcar 'os trabalhos' rs. Acabei de fzr parte aqui da galeria do seu blog e já retribuí no meu,venha ver,bjs Trícia.
    http://delicinh.blogspot.com.br/

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  45. Oi Elaine! Me emocionei muito com seu post porque parece a narração da minha vida com algumas poucas diferenças. Também sinto esta saudade. Bom final de semana. Bjs.

    Jussara
    Caminhando na Arte

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  46. Elaine querida, como sempre, me emocionei com seu post!
    Sua história é incrível, minha amiga. Você é um exemplo pra todos nós, de coragem, garra, fé, força e amor.
    Sinta meu abraço e meu carinho, te adoro demais!
    Beijosssssssssssssss
    Vero

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  47. muito emocionante o texto. se parar pra pensar acho que todos sentimos falta de algo né?
    eu particularmente sinto falta dos meus pais. os perdi cedo demais.
    mas, hj tô passando tb para lhe desejar um excelente fds e te avisar que tem um selinho procê lá no meu blog - http://rosefrizeira.blogspot.com
    passa lá quando der.
    bjs lindos

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  48. Bem sei o q é isso.
    Pois minha ma~e faleceu quando eu tinha apenas 6 anos e aminha vida ñ oi nada fácil, apesar de nunca ter passad fome, ou privações a tal ponto, mas, ser criada sem amor de mãe, ñ é bom de jeito nenhum neh? Afinal, mãe é ma~e.
    Casei-me e ñ tive muita sorte.........portanto hj tenho saudades de ser amada de verdade, algo q percebo que não sou e se sou, a pessoa ñ demonstra isso. Mas, o jeito é viver.
    Acho q a terapia nos ajuda sim a vivermos nossos medos e frustações.

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  49. oi elaine bom-dia!!! da pra vc construir uma ksinha pra mim aki no seu blog? é q eu esqueço d sair daki rs!!! vc viuuuuu me fez chorar muitoooooooo com este conto aeh, queria poder desabafar mais as lágrimas ñ deixam. obrigadah viuuu. estava precisando desse choro, n é tristeza, são sentimentos travados em mim e eu ñ sei como jogar fora, um dia eu explico. axo q vc é uma anja. bj

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  50. Amiga, teu depoimento me comoveu.
    Também eu , tambéu eu, ainda que por motivos diversos, sinto essa saudade.

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  51. elaine eu tmb tenho uma historia. vc pode ler no meu blog ñ ta toda é so um pouco.
    http://mariaflor-florzinha.blogspot.com.br/


    minha historia, antes eu vivia naquela d talvez se isso talvez aquilo depois q li esse conto aeh seu comecei a entender o porquê, o porém e o pra que. das coisas da vida.

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  52. Nossa! ótimo texto me tocou de um jeito!!
    E um Aviso rápido:Oiii olha só desulpe a demora de fazer uma visitinha mas vou ficar um curto tempo sem dar "sinal de vida"entao bjs e dia 10 de novembro tem inauguração de um novo quadro no blog beijokas do estante da bea!!
    www.biaalini.blogspot.com

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  53. Minha linda, sempre leio os seus posts porque os recebo diretamente na minha caixa de e-mails. Gosto demais de lê-los porque tem sempre algo que me toca profundamente, que me faz refletir, porém nunca parei para comentar nenhum dos seus escritos... até hoje.
    Você me deixou com um nozinho na garganta, com gosto de passado. Lembrei das dificuldades pelas quais o meu paizinho também passou para dar o melhor a mim e minha irmã. Eu, graças a Deus, sempre tive o necessário. Não tenho do que reclamar e é exatamente o que me dói. Eu reclamo às vezes, reclamo do que não pude ter e me senti muito envergonhada por isso. Sou extremamente grata pelos meus pais terem tido tantas privações para me dar o melhor. Mas às vezes eu ainda me sinto muito mal por de vez em quando não ter a maturidade de calar e refetir quando sinto vontade de reclamar.
    Não tem ideia do quanto o seu texto me tocou. Agradeço pelo puxão de orelha e por ser essa pessoa linda e forte que você é.
    Que Deus a abençoe cada dia mais! <3

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  54. Ah, desculpa o desabafo.
    Nem sei se você entendeu alguma palavra do que eu disse. rsss
    Bjs1

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  55. Oi, Elaine! Quanto tempo... lembra de mim? Eu tinha um blog há algum tempo atrás chamado "Coisas Minhas", onde eu comentava minhas leituras e tal... andei meio sumida dos blogs afora por pura falta de tempo, mas agora estou conseguindo voltar, o que me deixa feliz :)

    Sobre o post... não sei bem como é, exatamente, pois não passei por nada parecido. Não tive que crescer antes da hora, graças a Deus :) E é bom saber que ainda hoje, posso virar criança e correr pro colo da minha mãe quando a coisa fica muito feia.

    Mas sei o que é crescer. E, nossa, acho que não é fácil pra ninguém mesmo. Tantas responsabilidades, tantas mudanças. Tantas obrigações que surgem. Tantas decisões importantes a serem tomadas, que vão interferir no resto da sua vida. tanta independência, que pode ser muito bom, mas que às vezes pode também sufocar...

    Sabe, às vezes tudo o que eu queria eram umas férias dessa vida de gente crescida, e poder passar uns dias na minha infancialândia, onde tudo era tão feliz e despreocupado...

    Bjs!

    http://inescrita.blogspot.com.br/

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  56. Acessei o seu blog e conclui que é uma expressão de liberdade em textos excelentes.
    wwwsabereducar.blogspot.com

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  57. Oi Elaine, pouquíssimas vezes venho aqui comentar, mas sempre acompanho seus posts. Com a montanha de trabalho se acumulando e e-mails também, só hoje pude com um pouco mais de calma ler esse post que me emocionou muito... me fez também ir ao meu passado, me identifiquei bastante com sua história e vi que também sinto essa falta de ser apenas filha. É muito difícil ter responsabilidades muito cedo, ter o peso do mundo nas costas e tentar aliviar o peso das costas de nossos pais... enfim, é difícil ser responsável por tudo o tempo todo, precisamos as vezes dividir isso, se sentir um pouco mais leves, mas nem sempre é possível.

    Um forte abraço,

    Débora

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