Eu era estéril…

em 28 de maio de 2011

O amor é mesmo um sentimento muito amplo e poderoso, né? A estória que vou te mostrar hoje chegou a mim através de um comentário em um post antigo meu. Já conhecia a Célia, do blog Semeando poesias e plantando fantasias, e por isso pedi a ela que me concedesse o privilégio de postar sua linda estória de amor aqui no blog, na série Um pouco de amor.

Agora deixo com você um dos mais lindos relatos que já recebi para esta série. Boa leitura!

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A maioria das mulheres acalenta o sonho de ter um filho, e comigo não foi diferente. Porém eu sempre tive o pressentimento de que algo estava errado. Aos 17 anos, apaixonada pela primeira vez, claro que tinha o sonho de ter uma linda família. Mas o destino muitas vezes nos prega peças dolorosas.

Um belo dia, tive um abscesso, em um local meio, como vou dizer... meio inusitado. Fui levada ao hospital e passei por uma cirurgia desnecessária, devido a fins “ilícitos” do ginecologista de plantão. O que deveria ser uma simples drenagem foi transformado em cirurgia, com direito a hacker na espinha e tudo.

Lá no interior, onde eu morava, as fofocas corriam soltas, diziam que eu havia feito um aborto. Ironia do destino? E, enquanto isso, na enfermaria do Hospital onde eu estava, o médico que havia me operado me dava uma noticia horrível. Dizia ele:

- Querida, eu tenho uma noticia, não muito boa, para te dar. – do alto dos meu 17 anos, eu olhei abismada para o médico sem entender, e nada falei. E ele continuou:

- Você deverá passar por mais algumas cirurgias. – continuei boquiaberta... – No centro cirúrgico, ao operá-la, verifiquei que você tem uma anomalia. – eu continuava sem entender nada – você tem dois úteros, aliás, você tem o parelho reprodutor duplo.

- Mas o que isso significa doutor? Não estou entendendo nada, por que mais cirurgias?

- Bom, seu caso é para a medicina uma raridade e uma incógnita. Por isso não posso ser preciso, mas a probabilidade de você vir a ter um filho é muito pequena.

Isso bastou para clarear as palavras tão pouco familiares para mim. Eu estava ali, recebendo um diagnóstico fatal, ao menos para mim. O meu sonho de ter uma família acabara de se escoar pelo ralo do destino. Passei por uma série de médicos e exames, os quais constataram realmente minha “esterilidade”. Acabei deixando essa esterilidade fazer parte da minha vida pessoal também. O tempo passou e me casei, com outra pessoa, tinha uma vida opaca, sem motivações. Algo faltava... eu julgava que Deus havia deixado isso acontecer comigo, pelo fato de eu ter quase ficado cega, e assim, seria muito difícil de cuidar de um bebê. Eu tentei adotar um bebê, mas  esbarrei com a “burocracia”, será que teriam visto em mim uma incapacitada? Provavelmente  sim.

Era mês de agosto, me lembro bem, eu soube que havia uma mulher na rua depois da minha, que tinha um bebê de 2 meses, e que ia dá-lo para adoção. Não tive coragem de ir lá conhecer a criança, ou de pedi-lo para mim, tamanho era o medo que eu tinha de amá-lo. Não fui. E soube que o bebê havia sido internado com “bronquiolite”, estava bem mal. Pedia a Deus todas as noites por ele, me disseram que ele era um bebê lindo, mas que sofria maus tratos, soube que viram a “mãe” bater na mãozinha dele... chorei muito e adormeci... no outro dia, bem cedo, ouço alguém me chamando.

Era ela, a mãe biológica. Eu a conhecia, ela tinha sido casada com o meu cunhado, anos atrás. Ela chegou e foi falando:

- Célia, eu quero saber se você quer o Lucas? Eu já conversei com o Miguel (meu marido) e ele disse que quer. Se você quiser eu trago ele agora!

Eu estava atônita, mal conseguia falar, lembro que perguntei para ela se não ia se arrepender depois. E ela, rindo disse que não, pois estava se livrando de uma carga. Os sentimentos se misturaram dentro de mim, mas eu nem pestanejei:

- Pode trazê-lo, eu o quero!

E ela trouxe, aliás despejou-o em minha casa... o trouxe com as roupas, o berço, e tudo que ela tinha ganho da tia para ele.

E eu o amei, desde o primeiro olhar. Peguei-o, as pessoas ao meu redor, com medo que eu o derrubasse... vieram dar banho nele, algumas vezes. Depois eu disse: “eu mesma dou banho no meu filho!” com toda a convicção do mundo.

Sabe? Eu não senti as terríveis cólicas do parto. Mas eu senti a dor de me sentir árida, infértil, improdutiva... Eu não pude amamentar meu filho, mas a cada resmungo dele eu já estava com a mamadeira na mão... eu passei três meses em noites claras, pois ele chorava muito. Dormia dez a quinze minutos e acordava assustado... reflexo de uma gestação tumultuada, com direito a socos e xingos, além de várias tentativas de aborto. Reflexo de uma “mãe” atormentada e neurótica, doente...

E hoje eu sei por que Deus me fez estéril. Tenho certeza absoluta. Ele me fez assim para que eu pudesse ser mãe do Lucas! Pois o Lucas foi especialmente planejado por Deus para ser meu filho. Tenho certeza absoluta disso, tanto quanto sei que o sol nascerá amanhã e todos os dias.

Pois, meu filho, apesar de ser adotivo, é o meu maior tesouro! E é meu filho, muito meu!IMG_0172

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Gostou? Visite Semeando poesias e plantando fantasias e conheça a mãe deste menininho lindo e abençoado!

Quer ver sua estória publicada aqui no blog? Envie pra mim: um-pouco-de-amor@hotmail.com

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

38 comentários , comente também!

  1. Olá Elaine,

    É como dizem: - Deus escreve certo por linhas tortas!
    Eu também acho que Deus a fez estéril para poder acolher essa criança tão maltratada desde a gestação!
    Lindo exemplo de amor!
    Linda criança!
    Belíssima postagem!!!

    Beijão para você e um ótimo final de semana!!!

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  2. E eu chorei, mas umas lágrimas sem sál pq essa é uma história linda mesmooooooooooo!!!!

    Uma história que nos da esperança no futuro e renova nossa fé em Deus e na vida!

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  3. Histórias como essa só confirmam minha tese de que não se precisa parir um filho para ser mãe. Aliás parir é o que mais se faz no mundo e até se joga o recém-nascido na lata do lixo. Mas ser mãe é algo bem maior, vocação, vontade, dedicação.

    Acho mesmo que se eu tivesse tido esse desejo de ser mãe, teria adotado, tamanha é a minha simpatia por essa idéia.

    Beijocas

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  4. Linda e comovente!!!Um beijo às duas,tudo de bom,chica

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  5. Há muito tempo certas coisas acontecem, mas hj as notícias chegam rápido e vemos todos os tipos de mãe, até as q jogam filhos no lixo...
    Mãe é um estado! eu não pari e no entanto sou mãe.

    beijos querida

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  6. Sei bem a imensidão desse amor.
    Lindo Lucas!

    Tô aqui chorando, essa semana escrevi sobre isso, falei principalmente de quão impactante e forte é esse amor...

    A mãe do Lucas tem alma livre, ama, ama e ama...

    E O AMOR É ABSOLUTAMENTE TUDO!

    Parabéns Elaine por dividir conosco essa história.

    Beijo Pro Lucas e mamãe.

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  7. Nossa, que relato lindo! Emocionante mesmo! beijos

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  8. Emocionante, linda demais e nada mais precisa ser dito. Deus é puro amor.

    Vou conhecer a Cália, seu lindo filho donos de uma história de vida e amor tão linda.

    Beijos

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  9. Lindo... amor brota sempre basta deixá-lo.

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  10. Nossa
    li a história e ela ja estava escrita por Deus!
    o Lucas é lindo!
    bjos

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  11. Elaine, que história linda! A Célia tá certa: o Lucas é filho DELA! Do amor dela!
    Um beijo

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  12. um relato emocionante, de uma grande mulher que se tornou uma grande mãe. Parabéns, Célia!

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  13. Sabe Elaine, eu não acredito em adoção, acredito que existem gestações diferentes, as de 09 meses e asgestações de anos, onde as mães aguardam que seus filhos venham ao encontro deste amor enorme que lhes mantem vivas. Assim acredito que foi Lucas e Célia, ele nasceu para ser dela, apenas precisavam ter seus caminhos cruzados. Que Deus os ilumine e guarde sempre
    Tenha um ótimo final de semana
    muita luz e paz
    Abraços

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  14. Elaine, foi uma das histórias de amor mais lindas que já li até hoje aqui no seu blog.
    Beijo e a paz do Senhor!

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  15. Linda e real história , só gostaria de dizer que não existe "filho adotado" nem "filho gerado" , existe sim "filho amado", é assim que Deus planejou : uma mãe amorosa e um filho para ser amado. feliz esta mãe , feliz este filho. Não importa o laço consaguíneo esta realidade é uma prova , o que valida esta relação é o Amor , simplesmente. Beijos .

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  16. Muito linda história.Conheço a Célia,e conhecer sua história foi muito emocionante.O amor fala mais alto!
    Beijo grande!

    Simone Souza

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  17. Que história linda, me emocionou ! Que menino lindo, como uma mãe pode fazer uma coisa dessa, rejeitar o próprio filho ? BJS !

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  18. Que história mais linda....fiquei até sem palavras.....uma benção,ter e criar um filho que veio pra você,mesmo que de outra barriga e uma prova de amor muito grande de você para Deus e de Deus para com você.
    Bjs
    Deusa
    vasinhos coloridos

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  19. Lindíssima história! Tô com lágrimas nos olhos. Lindo a maneira de Deus agir, não é? Às vezes coisas tristes acontecem e não entendemos porque. Mas Deus tem tudo planejado nos mínimos detalhes, pois tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. Colocar um filho no mundo é fácil. Mas ser mãe é muito mais. É AMAR, EDUCAR, CUIDAR. É um dom de Deus.
    Bom fim de semana para a dona da história e para vc,Elaine.

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  20. Oi Elaine,bom dia !!!
    Que situação a Célia passou no hospital com aquele médico sem traqueijo nenhum para dar aquela notícia para uma garota no auge dos seus 17 anos...choquei !!!
    Mas como Deus é amoroso logo providenciou o remédio para as suas dores...um filhinho rejeitado e maltrado em todos os sentidos ,que a Célia c/ sua dor soube interpretar como UM VERDADEIRO PRESENTE DE DEUS !!!
    Desejo do fundo da minha alma,que ela e o Lucas sejam eternamente FELIZES !!
    Bom fim de semana para vc!
    beijo.

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  21. Linda história de amor verdadeiro. Mãe verdadeira, real, a única mãe que essa criança teve e tem. Não há outra! Esta foi a escolhida de Deus para ele, sem dúvida. Parabéns e bjks.

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  22. Obrigada Elaine!
    Obrigada, por ter proporcionado esse momento tão especial para mim. Gerar um filho leva 9 meses, mas essa gestação se torna eterna, quando se ama vedadeiramente. Meu filho tem problemas de falar sobre à adoção, mas tenho certeza que quando ele tiver mais maturidade e ver esse seu post e os comentarios, muitas coisas ficaram claras na cabecinha dele. Obriga a todos amigos, um bom fim de semana a todos e especialmete a você Elaine.

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  23. OI Elaine!
    Linda estória!
    Quando a gente pensa que Deus se esqueceu da gente ele vem com um presente como esse. Era isso que ele havia preparado para ela, esse filho lindo que veio de uma maneira diferente.
    Emocionante!
    Adorei sua visitinha, viu?
    Beijos, Renata
    palpitandoemtudo

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  24. Estéril é terreno onde não nasce nada. Como um amor como este estéril é uma palavra que não pode ser usada. Que coisa mais linda!

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  25. @Vanessa
    Lindo!!!estéril é onde não nasce nada...mas ali o amor brotou e floreceu....legal.

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  26. História bonita de amor bonito! Sejam felizes, Célia e Lucas! O fato de estarem juntos já é sinal de que são abençoados.

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  27. Elaine minha querida que história mais linda e que criança mais abençoada, que Deus continue abençoando grandemente esta super mãe, para mim mãe nem sempre é a que gera e sim a que cuida e ama tanto como essa.bjs me visita se puder...

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  28. Que historia lindaaaaa...que blog lindo , vc ta de Parabens!!Ah ja ia esquecendo de dizer cheguei aqui atraves da Tati..Adorei mesmo seu cantinho ecom certeza voltare..beijos

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  29. Realmente uma estoria comovente de amor e de "a vida como ela é".

    Creio que ela é mais mãe do que muita mãe por ai que deu a luz e ficou por ai.

    Valeu!

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  30. Que coisa mais linda!
    Apesar de eu ter tido filha biológica, ninguém me tira da cabeça que ser mãe ou pai é um estado psicológico.
    Se eu não pudesse ter filhos adotaria um sem problemas, pois o "ser mãe" já nasce com a gente.
    Desde os 18 anos estou acostumada a ver a convivência de pais de alunos com seus filhos e a cada dia me convencia de que ser mãe é um estado de espírito.

    O Lucas não poderia ter encontrado mãe melhor. Parabéns a mamãe dele.

    Beijos, Elaine!

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  31. Fiquei muito emocionada com essa linda história.
    E o Lucas é lindo.
    Deus realmente traça caminhos para nossas vidas, que nos pega de surpresa.
    Beijinhos.

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  32. Que história linda gente!
    E eu aqui chorando de emoção...
    Eu tenho um filho lindo... E quatro filhinhas que ganhei de presente no dia das mães...
    Será que eu dou conta?

    Ela merece um abraço do tamanho do mundo... E a próposito Minéia... Deus não escreve certo por linhas tortas...
    Ele escreve tudo certinho, nós seres humanos é que entortamos elas... Com nossas atitudes!

    bjinhos

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  33. Elaine, a história da adoção é linda.
    Mas a história da adolescente Célia, tão despreparada para a vida, aos 17 anos, recebendo um diagnóstico cru daqueles? Esta semana que passou mostrou uma mãe, com 2 úteros, que gerou um filho em cada útero, na mesma época.
    Às vezes apenas nos cruzamos com a pessoa errada, no tempo errado.
    Que menino lindo e abençoado, heim?
    E que horrível a pessoa que o trouxe à luz. Nem por um minuto uma mãe.
    Mãe é a Célia, com toda certeza!
    Beijo nela!

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  34. Elaine, linda história ,que na realidade reflete os desejos das maioria das mulheres ,que são estereis mas não seguiu o seu exemplo de coragem e abnegação adotando um ente querido abandonado. Estas história me comoveu emocionalmente. Parabens ,que Jesus a abençõe .abrs.

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  35. Elaine acho q to viciada no seu blog, perdão viu mais é a verdade.

    Essa história é muito lindah!!! que Deus ilumine sempre o kminhar dos dois, pa qndo a mae dele tiver ba terceira idade ele lhe d o triplo d krinho amor e cuidados que a mae dele tem com ele. O amor é ilimitado quando é verdadeiro

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  36. Parabéns! Eu sou estéril!não posso ser pai! Independente de eu cuidar ou criar uma criança! Nunca me fará um pai ou uma mae! Não saiu de mim! As vz tentamos enganar nosso psicológico! Pela frustração! De não poder oque desejamos! Eu espero um m


    ilagre! Eu serei pai um dia se for dos meus espermas,!

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  37. Parabéns! Eu sou estéril!não posso ser pai! Independente de eu cuidar ou criar uma criança! Nunca me fará um pai ou uma mae! Não saiu de mim! As vz tentamos enganar nosso psicológico! Pela frustração! De não poder oque desejamos! Eu espero um m


    ilagre! Eu serei pai um dia se for dos meus espermas,!

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