A guerra de Clara, de Clara Kramer

em 27 de julho de 2010

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Uma mescla de O Diário de Anne Frank e A Lista de Schindler. Assim a imprensa internacional define A Guerra de Clara, livro baseado no diário da judia polonesa Clara Kramer – escrito em plena Segunda Guerra Mundial, ao longo dos dezoitos meses em que ela e os familiares viveram escondidos no porão de uma casa freqüentada por soldados da SS nazista. Seis décadas depois, a autora mergulha na memória para trazer à tona sua incrível história de sobrevivência ao holocausto. E nos mostra, em cores vivas, um relato do triunfo da solidariedade sobre o horror.
21 de julho de 1942. O exército nazista marcha sobre a Polônia. E a vida da pequena judia Clara Kramer, na pequena cidade de Zolkiew, toma um rumo insólito. Enquanto todos os judeus da região são perseguidos, assassinados ou enviados a campos de concentração, Clara e sua família encontram uma tênue esperança de salvação na residência do rude senhor Beck, um beberrão “anti-semita” que acaba por assumir a tarefa de ocultar e proteger judeus no porão de casa.
Foi ali, durante dezoito meses de confinamento, medo e dificuldades, que Clara se armou de lápis e fé para escrever o diário em que se baseia este livro de memórias. Hoje octogenária, a autora retoma, com a ajuda do escritor Stephen Glantz, sua dramática trajetória em meio à insanidade do holocausto. Dos cinco mil judeus que habitavam Zolkiew antes da guerra, menos de sessenta sobreviveram – alguns, como Clara, para lembrar histórias que a Humanidade jamais deveria esquecer.

Este é o resumo de A guerra de Clara. Mas vou te dizer que não chega nem perto de expressar tudo o que este livro me fez sentir…

Não é o 1º livro autobiográfico sobre a 2ª guerra que eu leio. Li, há alguns anos, Holocausto e mais recentemente Resistência. Além do dolorido Diário de Anne Frank. E A lista de Schindler. Mas não sei ao certo o motivo de A guerra de Clara ter mexido tanto comigo.

Este livro nem é o mais rico em detalhes, embora seja de um realismo tétrico; nem é o mais dramático.
Mas talvez pela falta de apelo ele tenha me comovido tanto!

O livro todo é um relato real da maneira cada vez mais cruel  que os judeus eram tratados, conforme a guerra avançava. Um exemplo é o relato de uma menininha judia que “ousou” sair na rua sem sua estrela dourada costurada na roupa, e sorrir para um colega. Este mesmo colega olha para ela, avisa um oficial que a menininha não tinha a estrela, e o oficial simplesmente alveja a menina, ali no meio da rua, sem nem mesmo pensar.
Avança  até  a matança coletiva. Tudo com tamanha crueldade, que é difícil imaginar. Os judeus foram fuzilados, esfaqueados, queimados vivos, assassinados com gás venenoso, de fome, doenças…

Lendo o relato de Clara eu me peguei chorando muito, assustada e horrorizada com o fato de que uma nação culta e desenvolvida como a nação alemã pôde se deixar convencer por um louco a adotar o anti semitismo como ideologia!

Mas para além do fato histórico A guerra de Clara me fez pensar sobre a raça humana: como é possível que seres humanos façam tais coisas com outros seres humanos.

Nós, que lemos livros de terror, de suspense e que relatam assassinatos e ações de serial killers não encontraremos jamais em livro algum algo que se assemelhe ao horror nazista. Simplesmente não há paralelo para as atrocidades relatadas no livro, e em outros semelhantes. E é por isso que  A guerra de Clara é tão horrorizante, porque não é a estória que surgiu da mente criativa de um autor, mas sim porque é um relato real, contado por alguém que esteve lá. Alguém que viu e sentiu na carne.

Há umas cenas em A guerra de Clara que me fizeram sentir o coração falhar, de verdade.
Imagine a tensão: mais de 18 pessoas escondidas em um subsolo de uma casa habitada por uma família cujos hóspedes são soldados da SS. Sem ar, sem comida, sem espaço, sem perspectiva. Dependendo unicamente do estado nem sempre amigável do dono da casa.

Aliás este homem muito me ensinou. Ensinou que mesmo canalhas racistas têm salvação. E podem ser salvação.
Clara me conquistou o coração. Contra todas as chances ela sobreviveu.

E sobreviveu para contar um trecho da história que jamais alguém conheceria não fosse pelo seu diário mantido ao longo dos 18 meses em que ela e os outros viveram como cadáveres em um subsolo de terra e medo…

Dia 02 de setembro o mundo relembra o fim da 2ª guerra mundial. Faz bem em se lembrar.
Relatos como o de Clara Kramer deveriam ser lidos nas escolas. Professores deveriam falar do livro para seus alunos. Filmes deveriam ser produzidos exaustivamente.

Para que jamais nos esqueçamos do quão baixo pode descer a maldade humana. Para que estejamos sempre em constante alerta contra toda forma de preconceito e discriminação. Para que jamais deixemos que aconteça de novo…

Recomendo o livro. Não é leitura fácil, mas é leitura essencial.


Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

17 comentários , comente também!

  1. Elaine,

    Fiquei inquieta com a leitura desse post, irei procurar o livro.
    Beijos e boa semana

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  2. Eu não li esse livro. Mas gostaria de ler.Realmente não deve ser fácil lê-lo. Mas a gente tem que ter consciencia do que se passou no mundo, para que os erros não se repitam.

    Aqui no Japão começaram as cerimônias em homenagem aos mortos de Hiroshima.
    A gente ouve relatos muito tristes dos sobreviventes, contando o que passaram, o que sofreram. Dói ao ouvir, é de chorar. E tb nas cerimônias fala-se muito dos erros que o Japão cometeu na guerra, ao invadir a China, a Coréia, etc. E ora-se pelo perdão mútuo.

    Anne Frank li muitas vezes. vi a minissérie tb. Enfim... o ser humano é capaz de coisas maravilhosas e ao mesmo tempo promove um show de crueldade e frieza.

    Um bjo pra vc, querida Elaine

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  3. É boa sua dica...


    vou ler depois comento...

    obrigado.

    abraços e boa semana!

    Zil

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  4. Amiga, quero fazer um convite! Gostaria de que você fosse a primeira leitora convidada a fazer sua resenha no meu blog! Topas???
    Escolha um livro bem legal, faça a resenha e me mande e se quiser, mandar uma foto sua pra colocar junto, fica à seu critério!!
    Bj e me envia no e-mail simone.dreveck@hotmail.com

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  5. Você sempre é muito sincera em suas indicações e por isso senti que preciso ler este relato. Já li todos os outros sobre o nazismo que vc citou e este ainda não tinha ouvido falar.
    Quem vai adorar também é minha filha.
    Obrigada pela indicação, Elaine.

    Bjs no coração!

    Nilce

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  6. Oi Elaine!
    Vc devia resenhar SEMPRE, vc escreve exatamente da maneira que gosto de ler: contanto como a leitura mexeu com vc, o que te fez refletir, enfim...
    Eu penso exatamente como vc com relação à nação alemã e ao fato e terem vivido essa abominação coletiva... é que o mal existe dentro de cada um, e às vezes, encontra uma brecha para se esparramar e tomar conta da mente e dos atos das pessoas. E pensar q não faz tanto tempo assim... o que são 60 anos na história??? NADA!

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  7. Elaine,
    Não tenho cabeça para ler sobre o nazisimo... é mta dor para um povo só...
    Mas vejo filmes sobre o assunto. Recomendo A Matemática do Diabo, Um ato de liberdade, O milagre de Sant'anna.

    Bem lembrado por vc, em setembro vou lembrar aos meus alunos sobre isso...
    quem sabe um texto sobre o momento?
    Já li há mtos anos O livro de Anne Frank. Comecei a ler um sobre o regime de Stalin mas deixei de lado... Quero livros que me encham de alegria e não de tristeza!

    Bela terça!

    bjos

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  8. Oi...vc ganhou um selinho!
    Passa lá no blog para pegar.
    Bjks
    Marília
    http://entrefeltrosetecidos.blogspot.com/2010/07/premio-sunshine-award.html

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  9. Ai Elaine...
    Lendo o relato, nem sei se tenho coragem de ler o livro. Sou meio covarde pra isso sabe?
    Mas realemente nenhum sofrimento se compara ao que o povo judeu passaram nas mãos dos nazistas!! Que horror!!

    Muito bom teu relato!

    Bjos no ♥

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  10. Vc ja viu o filme A ONDA?
    É um filme alemão q trata de uma certa forma da capacidade q todos teem em ser manipulados..

    Sinto como se a humanidade ainda não tivesse aprendido com os seus erros.

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  11. Nossa Elaine!! Adorei a dica desse livro, nao sei se o fato do meu pai me contar muitas historias sobre a infancia dele na epoca da 2 guerra,mas sempre fui fascinada por esses relatos.
    Vou ler com certeza!!
    Acabei de conhecer o teu blog e estou adorando,vou dar mais uma fuxicada, morri de rir do teu "Sobre Mim"...rsrs
    hahah...acabo de receber uma mensagem no meu cel que voce deixou um comentario la no meu blog...e eu aqui escrevendo um pra voce...adorei!!!Vou la ver correndo!!!
    Pode ter certeza que por aqui estarei sempre!!!
    Beijocas e desculpe o longo comentario!
    Tati.

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  12. Aceito como boa a recomendação e o coloco na lista dos livros que pretendo ler. Meu beijo.

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  13. ELAINE QUERIDA...
    ANDO AUSENTE POR CONTA DO MEU CIÀTICO QUE ME DEIXOU DE CAMA POR VÁRIOS DIAS SEM PODER AO MENOS MECHER AS MÃOS..MAS JÁ ESTOU MELHOR E VOLTAREI A POSTAR E COMENTAR...
    SAUDADES DESTES TEMAS QUE VC ABORDA COM TANTA MAESTRIA..
    REALMENTE CARA AMIGA O HOLOCAUSTO FOI MAIS DO QUE UMA TRAGÉDIA, FOI UMA VERGONHA MUNDIAL, SERES HUMANOS MASSACRADOS, EXPROPIRADOS E HUMILHADOS SEM MOTIVOS, APENAS PELA LOUCURA DE UM HOMEM QUE SE JULGAVA SUPERIOR AOS OUTROS, É MUITISSIMO TRISTE.
    ADOREI A INDICAÇÃO, TENTAREI LE-LO ASSIM QUE PUDER...
    OBRIGADA POR NOS PRESENTEAR COM SUA SENSIBILIDADE .
    BJUIVOS NO SEU GRANDE CORAÇÃO.
    VC É LINDA DEMAIS!!!!
    SUA AMIGA.
    VAL.

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  14. Oi amiga, não recebi e-mail teu não! Será que vc esqueceu de alguma letrinha?

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  15. que interessante. eu visitei a Casa Anne Frank em Amsterdam. deixa a gente pensando em tanta coisa e no absurdo que foi o holocausto.
    abraco
    Kalina

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  16. Eu tambem Kalina, fui quando tinha 18 anos e fiquei tao impressionada que tenho as imagens da casa
    tão nitidas na minha mente,como se estivesse ido ontem.

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  17. Estou em falta e sem tempo para sentar e ler um bom livro amiga, mas fica aqui uma ótima dica.

    beijooo.

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