Violência doméstica: quando quem te fere é alguém que você ama

em 10 de maio de 2010

image
Não é difícil encontrar casos de violência doméstica bem perto de nós. Infelizmente, é muito fácil na verdade.
Moro em um bairro tranquilo, na última rua deste bairro, de frente para o que restou da mata que existia onde hoje é o bairro. É o limite da periferia, sabe? E como trabalho em casa raramente saio. Mas as coisas acontecem muitas vezes perto da gente…

Aqui no meu bairro, que deve ter umas 100 casas apenas, há uma família comum: pai, mãe e 3 filhos pequenos. Outro dia a mãe passou pelo meu portão vendendo rosca caseira. Ela estava toda roxa, com um talho no pescoço e as mãos inchadas. Minha irmã estava comigo e, como se conhecem, perguntou o que houve. Ela deu a famosa resposta: “Caí”.

Claro que não caiu. Todo mundo sabe que o marido, metalúrgico de quase 2 metros de altura, é muito violento. Os filhos vivem aterrorizados, ela mesma só sai de casa para vender as roscas. Vítima? Sim, e do pior tipo: do tipo que não sabe que é vítima, do tipo que acha que a vida é assim mesmo, que acha que todo homem é igual e que ele faz porque está nervoso…


Ele faz porque tem problema de caráter. Porque é descontrolado. Porque coloca arroz e feijão na mesa e acha que isso lhe dá o direito de ser dono e senhor de todos em casa. Ele faz porque é mais forte fisicamente e porque quer descontar as frustrações inerentes à todo mundo em quem está ao seu alcance. Ele faz porque é covarde.

Ele não é o único; iguais a ele existem centenas de milhares. Mas ele não é como todos os homens. Dizer que homem é tudo igual é nivelar por baixo, é colocar homens bons e decentes no mesmo nível e isso é injusto e ruim.

Meu marido é bom; recebo comentários de dezenas de leitoras dizendo o mesmo de seus maridos. Tenho alguns amigos que jamais levantariam a mão para quem quer que fosse. Tenho leitores homens dos quais me orgulho demais, homens inteligentes e sensíveis que acredito jamais levantaram a mão para agredir uma mulher. Ou uma criança. Então afirmo com toda a convicção que existem homens e homens.


Aqui na região da minha cidade houve recentemente um caso desses: a mãe espancou o bebê de 7 meses e ele foi internado às pressas. Com as duas perninhas quebradas. E um braço que foi quebrado e consertou sozinho. Ou seja: as agressões são antigas.Homens são maioria quando o assunto é agressão, mas há mulheres que fazem mais e pior.

Isso tudo é muito triste. Pois quem amamos jamais deveria nos ferir...40

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

26 comentários , comente também!

  1. Oi Elaine.
    Acho q já comentei uma vez com vc que meu trabalho de conclusão da pós graduação em saúde pública foi sobre violência doméstica. Foi penoso estudar sobre o assunto. Milhares de fotos, de casos reais... enfim, encarar o mundo cão, a mente doentia do agressor não é fácil, suga a energia da gente, deprime. Imagine ser a vítima então? Imagine dormir com o agressor TODOS os dias? O terror, a infelicidade, o desespero?

    A lei Maria da Penha põe um pouco de ordem na casa, mas ainda é pouco.

    ResponderExcluir
  2. Oi Elaine

    Como é triste esses casos!Como uma pessoa pode ferir tanto alguém que ama?Eu não sei...Juro que não sei.Fico pedindo a Deus que apazigue as tempestades...

    Ps: Que dizer que vc também é irmãe? Nossa como eu amo a minha irmã, ela me dá tanta força, ela é uma maizona, vc tem cara de ser assim também!

    Milhões de beijos minha flor

    ResponderExcluir
  3. É, querida
    Isso é terrível!
    Quando li o título de sua postagem pensei se tratar de algo assim mesmo porém penso que têm outras violências tão terríveis quanto e que não deixam marcas roxas... nada quebrado... por fora...
    Não sei qual a pior...
    Seja protegida de todo mal!
    Bjs

    ResponderExcluir
  4. Oi, querida

    Fiquei triste com seu post por lembrar de casos em minha família, que graças a Deus, já foram resolvidos. Mas, também fico indignada com genitores agressores.
    Acho que pessoas indefesas e mulheres que ignoram seus direitos são sofredores que precisam de nossa ajuda.

    Bjs no coração!

    Nilce

    ResponderExcluir
  5. Infelizmente isso é uma realidade, onde moro nunca presenciei e nem fiquei sabendo de caso nenhum, vejo mesmo pela tv qdo acontece da mulher cria coragem e denúncia o agressor(covarde, safado, sem-vergonha), desculpe Elaine.

    beijooo.

    ResponderExcluir
  6. Laine, nós tivemos uma vizinha que apanhava sempre do marido qdo ele voltava das viagens pois, ele era engenheiro de máquinas na marinha. Ela morria de medo dele. Grandalhao tb 2,07m de altura. meu pai a socorreu muitas vezes e ela toda ensangüentada nunca quis dar parte dele na polícia porque ele a ameacava. Eles se mudaram para um bairro famoso no RJ, Botagofo e os vizinhos lá deram parte dele muitas vezes. Ele mostrava a carteirinha de engenheiro das Marinha e a polícia o liberava. Um dia ela o matou, deu um tiro no ouvido dele enquanto dormia. Ela disse que ele a obrigou a fazer isso para deixá-la em paz. Ela pegou 6 meses de cadeia e foi liberta, pois nao faltou testemunha para o caso dela.
    Infelizmente a história é sempre a mesma só mudam os personagens.
    Meu marido gracas a Deus é amoroso comigo e com os filhos.

    Boa semana

    Bjao

    ResponderExcluir
  7. Fico muito triste com isso e todo mundo já deve ter tido um vizinho, um amigo que já passou ou passa por isso, como um ser humano pode ser tão cruel e como vc disse é homem e mulher ñ são todos são alguns que tem o mau no coração.

    ResponderExcluir
  8. Sabe não têm explicação.
    esses casos são muito tristes e queria realmente fazer algo que impedisse isso mas me sinto de mãos atadas.Pois não basta só eu querer.

    ResponderExcluir
  9. Que história tão triste e tão comum, ne?

    Graças a Deus, nunca passei por isso. ( não vamos falar de violências verbais agora, certo? rs
    Enfim, desta agua não beberei, não podemos dizer...
    Mas tenho nitido isso em minha mente, se um dia acontecer, DENUNCIO!
    ( tomara que nunca )

    Beijos.

    ResponderExcluir
  10. É forte este texto.
    Mas é realidade em muitas casas.
    Infelizmente, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

    ResponderExcluir
  11. Oi Elaine! Acho que disseste tudo: covardia. Os covardes descontam suas frustrações em cima dos mais fracos: mulheres, crianças, animais. Mulheres que agridem seus filhos não merecem ser chamadas de mães, são monstros. Beijos

    ResponderExcluir
  12. Minha amiga que texto maravilhoso , triste mais necessário e voce como sempre escrever muito bem adorei , olha a gente podia se unir e fazer selos ou um postagem coletiva sobre esse assunto , sei -la fazer alguma coisa , euvou colocar no meu blog o link da sua postagem
    bjs
    Parabéns pela postagem

    ResponderExcluir
  13. Infelizmente são histórias ainda comuns em nosso Brasil, e estão muito próximo de nós!
    Eu mesma acho covardia dá um tapa em minha filha, não consigo, essas histórias me tiram do sério!

    ResponderExcluir
  14. É isso mesmo, adorei a forma que abordou, pois na verdade, querida, há PESSOAS e PESSOAS, independente de serem homens ou mulheres.
    Bjo, bjo!

    ResponderExcluir
  15. É muito trsite mesmo e como você disse existe aos montes por aí. O triste é isso, que as crianças que são abusadas é na maioria por pessoas que estão no seu convívio, mulheres por seus maridos...

    ResponderExcluir
  16. Deve ser uma das piores coisas do mundo, apanhar do companheiro e depois se sujeitar a deitar e fazer amor com ele...
    Você descreveu muito bem o tipo de homem que bate em mulher.

    Beijos
    Mah

    ResponderExcluir
  17. Querida fiz uma postagem likando para seu blog , se voce não gostar por favor me avise que eu retiro ta , mas espero que goste rsrs
    bjs

    ResponderExcluir
  18. Te Desejo...

    Sorrisos... Quando a tristeza invadir o seu coração.
    Arco-Íris...Para você seguir as nuvens.
    Risos...Que beijem os seus lábios.
    Abraços...Quando a alegria não estiver contigo.
    Amigos...Que iluminem o seu ser e o seu dia.
    Beleza...Que teus olhos possam ver.
    Confiança...Quando a dúvida aparecer.
    Fé...Para que você acredite na sua força.
    Coragem...Para conhecer a você mesmo.
    Paciência...Para aceitar a realidade.
    Amor...

    Para você oferecer a todos em sua volta !!

    ResponderExcluir
  19. Já ouvi e presenciei cenas de violência entre vizinhos e até mesmo na família. É muito triste, deprimente e de uma covaria que não tem tamanho. Moro num prédio de 20 andares e outra noite as 2:30 da manhã os moradores bem acima do meu apto estavam brigando e quebrando todos os móveis. O meu lustre balançava, tal era a violência das batida dos móveis. A mulher,que tem uma filha pequena, gritava por socorro e ninguém do andar onde ela morava saia p/acudir, talvez por medo, não sei. Liguei para o zelador e o mesmo ligou para a polícia. Fiquei traumatizada e té hoje lembro da sua voz pedindo socorro.
    É uma grande realidade no nosso dia-a-dia.
    Beijos e uma linda semana!!

    ResponderExcluir
  20. Concordo com vc Elaine... Mas tem aqueles homens que se acham os maiores, os melhores...
    E tem tb aquelas mulheres que gostam de apanhar e tb aquelas q apanham caladas...
    Eu mesma conheço várias e de vários tipos...
    Vá entender!!!
    No dia em que tomei um tapa na cara, fui embora sozinha de táxi para casa e deixei ele me procurando até de manhã... Ele disse que até chorou de remorso...
    Me pediu desculpas com os olhos rasos d'água...
    depois disso nunca mais levantou a mão para mim!!!
    Só perdoei por isso...
    Eu li todos seus posts...
    Tive um domingo maravilhoso!!!

    bjão

    ResponderExcluir
  21. eu sei bem como é isso. Conheço "gente" que passou por isso. Ela jurou pra ela mesma que nunca mais aconteceria. E se acontecesse, que mão ia ficar barato não!

    e mãe que faz isso, não é mãe. é monstro. mãe dá carinho, protenção, alento. e usa a vara da correção (isso tá na Bíblia). mas qd usa a vara da agressão, esse ser não é mãe. é bicho. é monstro.

    ResponderExcluir
  22. Violência é coisa triste demais de se ver. Já contei que trabalho numa escola de periferia e infelizmente as pessoas acham natural o pai agredir, é a mentalidade que infelizmente não muda. Pior que outro dia me entrometi e a mulher achou ruim, deve adorar apanhar....bjs

    ResponderExcluir
  23. Concordo com a La Sorcière, que a Lei Maria da Pena ainda é pouco, apesar de ser um começo, e, como bem disse a Lydia, eu denunciaria se fosse comigo...

    é complicado falar de violência, acho que isso varia muito de lugar para lugar, de época para época e de família para família, mas não se pode negar que o mundo inteiro sempre conheceu a violência. Pouco faz a legislação quando a sociedade nada faz por si própria. Em países muçulmanos (eu já fui muçulmano e sei do que falo) por exemplo, raramente se vê leis que aprovam crimes de honra, mas eles são extremamente comuns. No Brasil, como tu bem mesma evidenciou ao fazer notar que é "conhecida", ou seja, clássica, a desculpa "Eu levei um tombo", o problema da violência contra a mulher é algo comum. Todos nós sabemos.

    Eu sou homem, e sou gay. Já sofri violência do meu primeiro parceiro, no final da nossa relação. Não foi muita, apenas no último dia. Até hoje dói lembrar.

    O silêncio dos que sofrem... alguém sabe o quanto há de injustiças sendo cometidas todos os dias e todas as noites contra quem é mais fraco? Contra quem, mesmo que possa se defender, não o faz por causa das circunstâncias de sua vida naquele momento?

    Eu mesmo já fui vítima de violência por parte de padrasto durante toda a infância. Também fui abusado por um amigo da família. Sei do que falo.

    Parabéns, amiga, pelo teu blogue. Gostei muito daqui.

    ResponderExcluir
  24. Concordo com a La Sorcière, que a Lei Maria da Pena ainda é pouco, apesar de ser um começo, e, como bem disse a Lydia, eu denunciaria se fosse comigo...

    é complicado falar de violência, acho que isso varia muito de lugar para lugar, de época para época e de família para família, mas não se pode negar que o mundo inteiro sempre conheceu a violência. Pouco faz a legislação quando a sociedade nada faz por si própria. Em países muçulmanos (eu já fui muçulmano e sei do que falo) por exemplo, raramente se vê leis que aprovam crimes de honra, mas eles são extremamente comuns. No Brasil, como tu bem mesma evidenciou ao fazer notar que é "conhecida", ou seja, clássica, a desculpa "Eu levei um tombo", o problema da violência contra a mulher é algo comum. Todos nós sabemos.

    Eu sou homem, e sou gay. Já sofri violência do meu primeiro parceiro, no final da nossa relação. Não foi muita, apenas no último dia. Até hoje dói lembrar.

    O silêncio dos que sofrem... alguém sabe o quanto há de injustiças sendo cometidas todos os dias e todas as noites contra quem é mais fraco? Contra quem, mesmo que possa se defender, não o faz por causa das circunstâncias de sua vida naquele momento?

    Eu mesmo já fui vítima de violência por parte de padrasto durante toda a infância. Também fui abusado por um amigo da família. Sei do que falo.

    Parabéns, amiga, pelo teu blogue. Gostei muito daqui.

    ResponderExcluir
  25. Pois é, isso é realmente muito ruim. Pena que seja realidade. Sabe, eu conheço uma pessoa de quem gosto muito, mas que infelizmente comete violência doméstica. Fico muito chateado de saber que uma pessoa que tenho tanto carinho cometa esse tipo de covardia. Mas fazer o quê? Essa pessoa só vai aprender quando lhe acontecer o pior.

    ResponderExcluir
  26. Em relação à violência doméstica é na verdade algo muito sério e muito triste. A mulher é um ser muito querido e doce e não sei como há homens que tem coração para as maltratarem.
    Infelizmente cada vez mais se vê violência contra mulheres e crianças e as leis continuam a proteger mais os agressores que as vítimas.

    ResponderExcluir

Olá! Muito obrigada por ler meu blog e obrigada também por se dispor a comentar meus posts. Seja muito bem-vindo(a)!

Importante!
Devido à falta de tempo hábil eu não me comprometo a responder perguntas referentes aos tutoriais postados neste blog.
Pedidos de ajuda individual serão respondidos conforme o meu tempo e disponibilidade permitirem.
Por favor, entenda: comentários sem relação alguma com o post não serão liberados e nem respondidos.

Para saber mais sobre a melhor forma de utilizar este blog leia Termos de uso do blog.



Muito obrigada, fique à vontade para interagir.
Mas lembre-se:
Gentileza, educação e boas maneiras servem também para a vida nos blogs…