Um pouco de amor – Bel e Cau

em 14 de novembro de 2009

Quando eu pensei nesta coluna nova para o blog a Bel foi uma das primeiras pessoas de quem eu lembrei. Sinto que a estória de amor dela vai ser uma poderosa dose de esperança para quem vive as dores de um amor desfeito. Este casal é a prova de que pode ser que demore, mas o amor sempre busca quem se deixa encontrar…

“Foi assim. Bem devagar.
A história da felicidade que vivo hoje só pode ser contada começando pela história de uma tristeza. E misturada com a história do meu blog. Porque eu comecei a escrever no blog com duas intenções: primeiro, desabafar, colocar pra fora o que me enchia o coração; e depois, lá no fundo, eu queria que o ex-marido lesse, já que ele não me ouvia. Bem, a primeira intenção foi plenamente atingida. Já a segunda… não funcionou como eu esperava. E depois de ver o casamento de quase vinte anos virar pó e se transformar em cinzas levadas pelo vento,  senti o que sentiria qualquer mulher que aguentou uma traição,  muito sofrimento, mentiras e um coração muito machucado.
O “tempo de luto” pela morte do casamento foi vivido antes mesmo da separação formal, e quando os papéis foram assinados, chegou o “tempo de festa”, ou ao menos o tempo de não chorar mais. Eu oscilava entre o desejo de um novo amor e o medo de me envolver emocionalmente com outra pessoa. Ficava com medo de me jogar num outro relacionamento, e ao mesmo tempo, tinha medo de, como Carolina, ficar guardando a dor nos olhos tristes, e não ver nem o tempo passar na janela. Medo. Essa palavra, tão presente, simplesmente desapareceu quando começou a segunda parte da história.
Nós já nos conhecíamos há mais de dez anos. Ele cantava no coral em que eu era a regente. Na época, ele era casado [com uma das minhas colega de trabalho] e eu também. Nem passava pela cabeça de nenhum dos dois que os casamentos acabariam, e muito menos que um dia estaríamos juntos. Mas havia, sim, uma afinidade entre nós. De minha parte, posso dizer que ele era uma pessoa que eu admirava, gostava “de graça”, educado, gentil, um gentleman, no sentido da palavra.

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(Cau, no coral, e a “coreografia” de “Pombinha voou, voou)

Um belo dia, (não tão belo, na verdade) ele disse que iria sair do coral, pois estava viajando muito, faltando aos ensaios e como a regente era exigente demais, ficava cobrando a presença, ele achou melhor deixar de vez. A partir daí nosso contato foi rareando, quando nos encontrávamos por acaso, pela rua (cidade pequena, sabe como é?) eu perguntava quando ele ia voltar ao coral, dizia que estava fazendo falta, essas coisas. Ele respondia que não dava mais, que estava muito atarefado, e ficava só nisso.


Até que em junho de 2007, no aniversário de Ilhéus, eu escrevi um post sobre a história da cidade, que foi citado e linkado num blog de notícias aqui da região, o Pimenta na Muqueca.  Ele me mandou um e-mail, falando do link elogioso no Pimenta, que normalmente só “malhava”, e inclusive, nos comentários, nesse dito cujo post, foram feitos alguns elogios a mim, e no e-mail ele falou que já tinha avisado ao “comentarista” que eu era casada. Eu respondi: “Bobo! Estou descasada há mais de um ano…”
JURO que foi sem qualquer intenção, mas ele entendeu que eu estava acenando com uma possibilidade… e que bom que ele entendeu assim! Começou a ler meu blog diariamente, e não comentava na caixinha do haloscan, mas mandava e-mails, que eu respondia educadamente, sem nem perceber que ele estava cultivando um interesse “a mais”.
Uma vez eu escrevi sobre o sonho que tinha [ainda tenho] de ter uma livraria /  espaço cultural   e ele mandou e-mail dizendo que tinha o mesmo sonho, quem sabe não seríamos sócios? Bom, aí meu interesse por ele já era palpável, mas pensando na livraria. E quando nos víamos, eu cobrava: “Quando vamos conversar sobre a NOSSA livraria?” E ele dizia que precisávamos marcar um almoço ou jantar pra conversarmos… e morria aí.
Bem, quase um ano depois desse nosso “reencontro” pelo blog, e dessa troca de e-mails mais constante, eu estava numa carência emocional bem grande, e escrevi um post usando um poema de Luiz Bello, “Os amores que quero… e os que não quero”:
"Não quero mais saber se vais cumprir Ou renegar,
As promessas que leio em teu olhar.
Também não quero mais compreender
Ou desvendar,
Os segredos que moram em teus silêncios.
Sei que há verbos de amor que conjugamos
Ou calamos
E bravuras de amor que não ousamos.

Mas sei também que o amor pede firmeza
E clareza
Em todos os tempos e modos que conjuga.

Não quero mais o amor de compromisso
Tão omisso
Nas liberdades que sempre anuncia.
Também não quero o amor instituído
Do marido,
Vítima inerte da monogamia.

Eu quero o amor sinfônico dos grilos,
Que mobilizam orquestras estridentes
Para encantar e amar suas nubentes.
Quero o amor triunfal dos pirilampos

Que iluminam o seu mundo e suas vidas,
Para atrair as suas preferidas.
Eu quero o amor trivial dos namorados
Liberto ou não, secreto, proibido,
Talvez proscrito ou amaldiçoado
Pelas forças que regem, ou que oprimem
As travessuras líricas do homem.

Eu quero amar, como a palavra indica,
Com a mais completa naturalidade.
Eu quero, enfim, viver, inteiramente,
Aquilo que o amor significa. "

E na caixinha de comentários, ele colocou o seguinte:
“Anabel:
O próprio Luiz Bello escreveu outro poema que serve como resposta a este que você tanto gostou.
Veja a seguir:

Confissão
         (A Leila Miccolis)
Ansioso e submisso,
Feito as mulheres,
Molhado e umedecido
Depois de ensaboado
E ainda perfumado,
Se assim preferes,
Tudo como gostas,
Tudo como queres,
Do teu ou do meu jeito,
No teu ou no meu leito,
Quero ser teu homem,
Quando quiseres
.”


E assinou “Cau”. Fiquei sem ter nem idéia  de quem era “Cau”… até que recebi via e-mail o link de onde ele havia encontrado o poema-resposta. Hummm… “Mãe, ele tá te dando o maior mole!”, minha filha disse, quando leu. E confesso que eu gostei.

As coisas não foram de repente, foram, como falei no início, “bem devagar”. Talvez até mais devagar do que eu quisesse, e precisei mesmo dar “um empurrãozinho”, saindo do espaço digital e mandando um cartão de papel (guardado até hoje junto às nossas preciosidades) pra que o nosso jantar programado finalmente acontecesse. Só que nesse jantar, num restaurante chique (e eu de jeans, camiseta e rasteirinha) depois de muita conversa, as coisas que iam num ritmo bem devagar, desabrocharam, e como ele disse na hora, “era inevitável”.

E nossa relação ficou “séria” logo de cara. Afinal de contas, nós dois somos “pessoas sérias”, apesar de muito bem humoradas! O pedido de casamento aconteceu também no blog. JURO que não esperava que fosse assim, pois ele nem comentava os posts… só comentava “ao vivo” ou via e-mail… mas, enfim, a prova está aqui, e a resposta aqui.

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(Nós... )
Nos descobrimos semelhantes em muitas coisas e complementares nas diferenças. Mudamos em algumas coisas, e continuamos dando de testa em outras. Eu fiquei mais caseira e ele aprendeu a sair mais e a receber amigos em casa. Estamos morando juntos desde agosto, eu, ele e meu filhote. O casamento “no papel” deve acontecer em dezembro, e a lua-de-mel em Paris fica pra Maio de 2010, considerando um bocado de variantes, inclusive o clima na Europa.

Os ajustes dos primeiros seis meses de casados, segundo a Jady, são os mais complicados, e não vou posar de Cinderela que encontrou o Príncipe Encantado. Também não somos Shrek e Fiona. Somos Bel e Cau, pessoas normais  lutando para construir nossa felicidade e provando por A + B que as experiências anteriores, ainda que duras e cruéis, servem para nos fazer valorizar o presente e aprender com os erros – nossos e alheios.
Às vezes nos pegamos pensando no quanto nossa vida mudou, em tão pouco tempo. E repito aqui: E é uma conexão tão perfeita, que fica difícil imaginar que houve um tempo em que não éramos "nós".
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Hoje escrevo nossa história  a pedido da Elaine enquanto estamos separados há uma semana – e parece que é um mês. Vim acompanhar minha mãe numa cirurgia delicada em Salvador, e ele ficou em Ilhéus. Mas vai fazer a revisão e aprovar (ou não) antes que eu envie a ela. Tomara que ele “libere”… afinal, a história não é só minha, né?
PS- Ele liberou depois de muita insistência, e acabei perdendo o posto de “primeira história” a ser publicada nesta nova seção do blog. Fazer o que? Aqui é tudo “bem devagar”...”
linebuster2 Quer ver sua estória de amor contada aqui? Manda prá mim: elainegaspareto@hotmail.com  

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

22 comentários , comente também!

  1. Elaine, que história fantástica e linda!! Achei o máximo a maneira em que Cau pediu Bel em casamento:)
    Quanta emoção!
    E como o blog da Bel foi uma espécie de agente acatalizador da relação, né?
    Muito interessante!
    Bjs
    Alê

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  2. Que linda história de amor.

    Que Deus ilumine essa união, essa felicidade.

    No começo sua hitória é bem parecida com a minha, a única diferença é que não encontrei minha alma gemea, mas não vou perder as esperanças.

    beijooo.

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  3. Pois é, da série "podia virar um filme"... e é maravilhoso ter vivido tudo isso. A dor e a delícia, pois sem a dor, não poderia dar valor à delícia.

    Um beijo, querida!

    Bel

    PS- Eu perdi o aplicativo que publica o post no twitter, qunado mudei o nome de usuário. Dá pra vc mandar por e-mail as instruções pra mim??? (Vc agora é a expert!!! hehehehe)

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  4. Nossa, que história linda de viver!!! *--*

    Daria um belo romance, aqueles cheios de encontros, muito legal msmo!

    bjoka

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  5. Uma história que daria um belo film,e de amor!Linda!beijos e felicidades ao casal, SEMPRE! chica

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  6. Mas bah, Elaine.
    Que linda idéia e que linda história.
    Parabens a você pela idéia, e...
    Parabéns ao Cau e a Bel pelo amor...Desejo toda a felicidade a eles, não esqueção de trazer algumas fotos de Paris para nós.

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  7. Estas histórias dividem claramente as pessoas que vivem a vida de modo pleno, e as que passam pela vida sem sentí-la.
    Fica feliz

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  8. hoje poucas hitórias de "amor" de vida real, me prendem e me chamam realmente a atenção, acho todas repetitivas, melosas... mais essa me emocionou de verdade, e por um instante até me fez acreditar que talvez ainda seje possível o recomeçar...

    bjo
    mah

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  9. Linda história.

    Bom final de semana.

    Beijos.

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  10. E assim é o amor e seus caminhos...
    Bênçãos!

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  11. Linda história... e eu fico muito feliz quando as pessoas se dão uma segunda chance, assim como eu fiz..
    Por um descuido meu, quase minha segunda chance se perdeu, mas como eu sempre digo, quando o amor existe ele prevalece.
    Desejo muitas felicidades ao casal e bjs pra você Elaine querida.
    Marcia

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  12. Oi Elaine!
    Que história linda!
    Que bom que teve um final feliz.

    Bjs no coração

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  13. Uma linda estória de amor. Mas qual estória de amor não seria linda?
    Eu fui lendo a postagem e passeando pelo blog dela, vendo o pedido e a resposta e é realmente algo lindo. Que Deus os abençoe.

    Pra você...
    Abraço e bom final de semana.

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  14. linda história de amor! que voce tenha um abençoado fim de semana

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  15. CARAMBA!!!Que história show...Amei me emocionei com o pedido de casamento no blog, que lindo Meu Deus!

    Tô passada, dobrada e guardada na gaveta!Confesso, já tô viciada nesses posts de sábado, e esse é só o segundo, imagine o que ainda não vai rolar por aqui?

    Que venham as próximas histórias de amor please, quem sabe não me animo e escrevo a minha? rsrsrsrs

    Lindo demais ! Parabéns Bel e Cal, pela história linda.
    E parabéns Elaine por essa idéia tão romantica e e inspiradora.

    Milhões de beijos

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  16. Elaine, nossa que delícia de história...

    Quando paro pra pensar nesses assuntos do coração vejo que bem lá no fundo ainda tenho minhas esperanças rsrsrs... só tenho mesmo que não ter pressa.

    Apesar de nunca ter me casado, me identifiquei um pouco com essa história, só falta a segunda parte acontecer, mas pode ser devagar assim até prefiro, pois tudo em minha vida tem acontecido e acabado rápido demais...

    Beijos

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  17. Ai meu DEUS .... o amor.... milhoes de suspiros kkkkk. é interessante nossa capacidade de recomeçar mesmo quando a situação é diferente ou acabamos de sair de uma complicada, mas sempre depende de nós mesmas né porque o amor... ah esse amor é fogo topa tudo kkkkkk.


    bjuuu
    fica com DEUS =]

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  18. Rosario - Sao Paulo - cinza15 de novembro de 2009 00:11

    OI Elaine, como vai? E Elizabeth?
    a história de Bel e Cau, é bem linda, suave e tomara que seja eterna.

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  19. Nossa,
    que história linda! Achei o máximo a forma com que ele a pediu em casamento. Parbéns Bel e Cau por esta linda união e que Deus os abeçõe. E parabens a ti também Elaine por nos proporcionar estes momentos maravilhosos de partilha nestas emocionantes histórias de amor.
    Doce beijo aos três...

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  20. Nossa,
    que história linda! Achei o máximo a forma com que ele a pediu em casamento. Parbéns Bel e Cau por esta linda união e que Deus os abeçõe. E parabens a ti também Elaine por nos proporcionar estes momentos maravilhosos de partilha nestas emocionantes histórias de amor.
    Doce beijo aos três...

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  21. Ai ai, suspiros e mais suspiros.

    Que história linda e casal maravilhoso.

    Deus continue abençoando essa união.

    Parabéns a Bel e Cau.

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