Como lidar com o sofrimento

em 2 de maio de 2009


Acabo de ler na Veja desta semana a matéria sobre o câncer que acometeu a ministra Dilma. A chamada de capa diz : "A vergonhosa politização do drama pessoal da ministra". Lendo a reportagem, vi que a revista cita esta fala do presidente Lula, proferida durante visita à obras do Pac em Manaus: "A única coisa, Dilma, que eu te peço é que você olhe com atençao na cara desse povo. Esse povo não perde a esperança nunca. Se você não rezava toda noite, agora trate de rezar, porque esse povo vai precisar muito de você daqui para a frente. E você vai ter que fazer muita coisa por esse povo."

Fiquei triste com a postura adotada tanto por Dilma quanto pelo PT, expressa nas palavras de Lula. Para mim ficou claro a intenção eleitoreira por detrás das palavras. E lamento muito que eles queiram tirar proveito de um drama real da ministra. Quanto à ministra, ela tem um histórico de garra e força, daí que eu não compro essa de coitadinha de jeito nenhum. E creio que ela deu um passo em falso embarcando nessa de suscitar piedade. Até porque ela desfruta de um ótimo plano de saúde, está cercada de médicos muito bons e faz seu tratamento em hospitais muito bem equipados. Muito diferente, portanto, do tratamento que a maioria da população recebe nas filas do SUS. SUS que aliás o presidente diz ser quase perfeito. Ela quer mesmo criar empatia com o povo? Encare o tratamento via SUS. Talvez sentindo na pele ela entenda que o drama do câncer não é para fins eleitorais e que agindo assim ela talvez agrida quem também sofre as dores eo medo que a doença traz.

Mas isso me levou a pensar que muitas vezes nós agimos assim também. Vou explicar:

Estou falando de tentar conseguir a simpatia ,e por que não dizer, o amor das pessoas suscitando compaixão e/ou até mesmo pena. Eu pessoalmente tento de todo modo não fazer, jamais, chantagem emocional. Nem drama. Sei que tem vezes que eu incorro no erro de ir para o extremo oposto e me fechar com minhas dores e sofrimentos (físicos e emocionais) mas penso ser preferível isso do que ser aquela pessoa a quem perguntam, por educação, "tudo bem?" e a pessoa já vai desfiando um rosário de lamentações... E tem gente ainda pior, que usa as próprias desgraças para ser o centro das atenções. Deus me livre!

Sei que cada pessoa tem uma personalidade e sente as coisas com intensidade própria. Mas acho também que podemos ser mais fortes do que supomos. A questão é: Você quer ser forte ou quer ser a coitadinha? Quer dar conta e bancar sua vida e suas escolhas ou quer viver às custas da força dos outros?

Claro que todos nós temos momentos de fragilidade e nesses momentos precisamos de apoio e sim, precisamos de colo. Mas não dá para viver a vida no colo, ou nas costas, de alguém.

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

9 comentários , comente também!

  1. Essa coisa de suscitar a simpatia dos outros eu detesto tal sentimento. Prefiro que sintam raiva de mim, do q do. Se fazer de vitma tb e uma droga, nos fragiliza ainda mais, na doenca queremos sim colo, mas n devemos perder a perspectiva das coisas, nao podemos perder a nossa auto estima, pernonalidade, e deixar q o mundo nos veja como pobres coitadinhos so pq estamos doentes. E na doenca que precisamos de mais dignidade, e nao de peninha dos outros.

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  2. Elaine, mais uma coisinha: eu não tenho condições de pagar tratamento para qualquer pessoa de minha família no Hospital Sírio Libanês, você tem? Mau convênio, apesar de custar mais de 500 reais por mês, também não me dá direito de usar esse hospital. Que tal saber que estamos pagando o tratamento da ministra? ... (resposta, de minha parte, censurada). Abração!

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  3. Elaine, mais uma coisinha: eu não tenho condições de pagar tratamento para qualquer pessoa de minha família no Hospital Sírio Libanês, você tem? Mau convênio, apesar de custar mais de 500 reais por mês, também não me dá direito de usar esse hospital. Que tal saber que estamos pagando o tratamento da ministra? ... (resposta, de minha parte, censurada). Abração!

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  4. Elaine, concordo plenamente c vc. As pessoas políticas, precisam deixar de se fazer de coitadinhas p tentar enganar o povo. Já sofremos demais!!! Minha filha trabalha no banco de cordão do INCA e o q assiste todos os dias é bem triste. Talvez esse presidente! não tenha noção do q se passa por lá um hospital de referência, prefere achar q oserviço público resolve. Infelizmente é nosso governo???? Será?
    Bjks

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  5. Perfeito Elaine!

    Esses nossos políticos precisavam mesmo utilizar as mesmas coisas que o povo que eles tanto dizem objetivar utlizam. Hospitais, escolas, até supermercados, pois nem isso eles pagam. Também não tenho nenhuma pena da "coitadinha" da ministra. Com toda certeza ela está muito bem assistida. E quanto ao "povo" precisar dela? Nosso presidente precisaria traduzir essa fala... rs

    Beijos

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  6. Elaine,
    muito interessante seu comentário..ouvi hoje na CBN um repórter revoltado com essa exploração da desgraça da Ministra.
    Você está certíssima e infelizmente eu ainda não sinto peninha dela...
    beijos
    Magda

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  7. Oi passei mas uma vez aqui, para te dizer um tudo bem? ola?
    Tem selinho pc. vá pegar um em meu blog.
    Sandra

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  8. "A dor é inevitável, o sofrimento, opcional".


    ADOREI teu blog. Fiquei ontem cedo e hoje zanzando por aqui, muito bom.
    Adorei tudo.
    Gosto de gente com opinião firme.

    ps- a única coisa que não gostei são aquelas borboletinhas voando, sacolejando na página inicial, uashuahuahus....me dá gastura, sabe como?
    É um dos meus tocs, tenho nervoso de bichinhos com asa, mesmo em desenhos.:)

    beijos

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