Conto: Um amor para sempre.

em 17 de abril de 2009

Desde a adolescência eu gosto muito de escrever. Mas nunca mostro a ninguém o que escrevo. Mas senti vontade de começar a publicar alguns contos meus. Vou tentar um por semana.Baseados em vidas. Quase sempre dos outros...



Ele sempre a via. Todos os dias, sem exceção. E por vê-la, foi ficando íntimo. De uma intimidade que não aparecia em palavras. Nunca se falaram. Nem em gestos.Mas ele era íntimo dela. Sabia quando ela estava alegre, pois aparecia com o vestido amarelo, tão iluminada ficava a rua! E quando estava triste, como quando morrera seu avô. Não, ele não conhecia o velhinho de andar lento e firme, mas a via passar com passos lentos para acompanhar o rítmo de quem já não tinha pressa...E ela vestiu cinza quando o avô morreu. E ele sabia quando ela estava apaixonada. Trazia o andar leve, as mãos delicadas às vezes carregavam flores. Presente do namorado, talvez. E ele sabia. E quando ela perdeu o ônibus naquela manhã de chuva, ele viu sua raiva. E quis abraçá-la e dizer que logo outro ônibus viria. E quando o namoro naufragava ele a via triste, por um tempo. E também gostaria de abraçá-la e dizer que logo outro viria. Nunca ele, jamais ele. Ainda que ela fosse tudo o que ele amava, tudo pelo qual ele vivia. Quando ela passava, ele sentia o coração temer, ficar na ponta dos dedos. E ela passava. Ora alegre, com o vestido inundando tudo de luz, ora triste, fazendo-o abraçá-la em pensamento...
Viu quando ela passou com o novo amor, com uma alegria nova. Viu quando ela passou com uma luz nova, com a arrogância de quem sabe que é feliz, tão bela em seu belo vestido branco. Enchendo a rua de luz! Depois de um tempo ele a viu passar com um carrinho de bebê. E passou a vê-la todas as manhãs, e viu a menininha tão semelhante a ela aprender a caminhar nos mesmos caminhos por onde ele a via passar desde sempre. E ele sempre com o coração nas pontas dos dedos, sempre amando-a. E viu quando ela passou aos prantos, com a filha nos braços, voltando. O amor acabara, o amado escolhera passar com outra. E ele viu a moça se tornar uma mulher triste, sozinha. E novamente quis abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, que ele sempre estaria ali, para ela, apenas para ela.
Mas ela passou por ele, todos os dias, sem vê-lo, sem olhar em sua direção, sem jamais saber que ele tinha o coração nas pontas dos dedos por causa dela, sem ver que não era a rua que se enchia de luz quando ela estava feliz. Quem se enchia de luz era ele. Por que ela passava.

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

9 comentários , comente também!

  1. POR FAVOR CONTINUE ESCREVENDO!!!

    Lindo lindo! *-* Parabéns.

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  2. Menina, faz assim comigo não. Começar a amanhã chorando e tendo um estagiário achado que fiquei maluca... Sugiro que faça uma coletânea de tudo que escreveu e publique, vou querer o meu livro autografado, eba! Beijos, lindo fim de semana e obrigada pelo "regalo".

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  3. Ah que lindo, comovente essa historia, esse coitado morrendo de amor secreto.Que talento hein Elaine, va em frente, e da logo um jeito de fazer competicao p Paulo Coelho, desbancar ele do pedestal, q ja esta la ha tempo demais. Oh, de um lugarzinho ai pra Elaine ,faaaaz favorrrr!!!!!!!!!!!

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  4. Bom dia!
    Belo texto, e aproveito para agradecer a visita que fizeste ao meu blog.
    continue visitando sempre e comente a vontade!
    http://evertonescrimim.wordpress.com/

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  5. Elaine, queridaaaa...
    Eu também amo escrever, mas n com esse talento todoo!!
    Parabéns menina!! Vá em frente... Publique sim sempre, mas não só aqui, coloque num livro e faça uma noite de autógrafos, todos nós blogueiros amigos, fascinados pelos contos, estaremos lá!!
    beijossssssssss

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  6. Elaine,
    muito linda a história, apesar de ser triste...Será um prazer ler os seus contos.
    Um beijo ;)

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  7. Oi,

    Em poucas horas começará a Blogagem Coletiva - Dia Nacional do Livro - Quem foi seu Monteito Lobato? Peço que , tão logo publique deixe um comentário com o link no post do dia do Fio de Ariadne. Abraço e até lá.

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  8. Se ele tivesse tomado coragem... ele seria feliz... Ao homem basta a coragem... E à mulher ver nas entrelinhas da vida... a felicidade pode estar oculta dentro delas...
    Continue escrevendo... Vc é muito boa...
    Bjs

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