Conto do amor perdido

em 10 de abril de 2009

Desde a adolescência eu gosto muito de escrever. Mas nunca mostro a ninguém o que escrevo. Mas senti vontade de começar a publicar alguns contos meus. Vou tentar um por semana.
Baseados em vidas. Quase sempre dos outros...


Desceu a rua quase que automáticamente. Há muito tempo não o via. Não que o coração houvesse deixado de sentir, bem ao contrário, sentia muito, mesmo não vendo. Mas era um sentir doce, sereno quase... Mas vê-lo assim, de repente, sem aviso, foi um baque. A pulsação acelerou, o coração disparou, faltou o ar, o chão desapareceu sob seus pés. O amor nunca deixara de estar ali, como um lobo à espreita, esperando o momento certo para uivar. Como doía, como machucava vê-lo tão feliz, tão sem precisar dela, tão sem lembrar! O olhar de ambos se cruzou por um segundo, talvez menos. Um mundo de lembranças coube naquele breve olhar, um mundo de palavras não ditas, de gritos não emitidos. Ela ainda o amava. Doía a constatação de que o amor era só dela, sem reciprocidade alguma, sem chance de frutificar. Quando os olhares se cruzaram ele não desviou o dele; ela sim. Para não ver o braço enlaçando a cintura da outra, para não ver o sorriso, a cumplicidade com a outra. Mas a outra era ela agora. E ele queria que ela soubesse, queria que ela visse, que ouvisse o som do riso dos dois. Ela ouviu, ela sentiu. E viu muito mais do que ele intencionava mostrar, viu o ar de triunfo, o ar de regozijo dele. Ela nunca quis que fosse assim, jamais quis que ele soubesse da traição. Foi um erro, um momento que não valia um amor como o dela por ele. Mas ela errara, ele soube e jamais cogitou perdoar. Também por isso ela abaixou os olhos diante dele, por saber que jogara fora o que era mais caro aos dois, a confiança, a lealdade. Por vergonha de haver jogado fora o amor valioso dele por ela.

Enquanto descia a rua ela pensava, e as lágrimas desciam quentes, abundantes, sufocantes. Chorava por si, chorava por ele, por tudo o que ele chorara. E chorava por tudo o que fora seu e agora pertencia à moça sorridente cuja cintura ele enlaçava. E descia a rua...


Diz aí sua opinião. Sinceramente gentil. Gentilmente sincera.

Alguém que escreve. Especialista em si mesma. Leitora que lê muito menos do que gostaria. Blogueira por paixão e profissão. Propriedade da Princesa e da Menininha, e de um cachorrinho muito levado chamado Bloguinho. Tentando viver. Sempre.

7 comentários , comente também!

  1. Elaine, vc e uma bela de uma escritora, ja estou viciada no seu blog from here to eternity. It make me feel shame of myself for my humble chronicles I sent to you the other day. I promise you no more chronicles of a Brasuca,hehehe.The end. Take care.

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  2. Elaine, lindo esse conto do amor perdido. Ja pensou em escrever livros? Com certeza vai fazer sucesso, e ja tem pelo menos uma leitora cativa,hehehe. Podemos conversar um pouco via e-mail, posso te dar uma ideias o q realmente os leitores do outro lado gostam de ler, o que lhes agucam a curiosidade,e o q fazem voltar vezes e mais vezes a procura do q vc escreveu, segredinho... se vc quizer a minha sincera opiniao....

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  3. Será que os dois comentários vieram da mesma pessoa?
    Não me parece, pois noto diferença de "estilo"
    Mas muito obrigada pelos elogios.
    E sim, please, eu quero dicas!
    Manda! Manda!

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  4. vou ser sua agente qdo publicar livros, hein????

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  5. Profundo, faz ter vontade de ler os demais. Beijos

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  6. Sinceramente? De verdade, verdadeira?

    Doce, bem escrito e envolvente. Continuaria lendo ainda que fosse bem maior, ainda que fosse o início de um livro.

    Beijos.

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  7. The novel is quite good and honestly I have read it already twice as I like to go through those feelings again. Also I have read a great review about it at make my paper now and it just make the read easier.

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