Enquanto escrevo este post chega ao fim o julgamento em primeira instância do assassino da Eloá. Ainda não se sabe o que será dito pela juíza que preside o julgamento. E enquanto leio as notícias, lembro de um outro caso, muito pouco conhecido, que aconteceu aqui em São Joaquim da Barra há uns 5 anos atrás.
Havia uma menina que trabalhava em uma fábrica de calçados, mesma profissão que eu exerço. Cidade pequena, poucas fábricas, eu a conhecia de vista. Liliane. Ela tinha um namorado, trabalhador desempregado do corte de cana, sujeito quieto e muito ciumento. Brigavam, reatavam… até que um dia ela decidiu terminar de vez e seguir a vida. Ele passou a insistir pela volta, ela dizia a ele pra seguir o caminho dele e deixar que ela seguisse o dela.
Uma quinta-feira à noite ele bate no portão da casa dela, e de acordo com o irmão e os pais, diz a ele que ali estava pra dar uma última chance dela "criar juízo" e voltar a namorar com ele. Última chance, ele disse. Ela, muito calma, diz que não, que não o ama mais, que quer a felicidade dele mas que pra ela acabou mesmo. Ele vai embora, e ao sair repete: "Tem certeza? É sua última chance"
Na sexta-feira de manhã ela, junto com o irmão (trabalhavam na mesma fábrica) chega pra trabalhar. O dia, está apenas começando, é pouco mais de sete da manhã. A fábrica (conheço o lugar) tem um corredor comprido, e no começo do corredor tem um tanque que as meninas usam pra lavar panos de limpeza. O tanque fica a uns 20 metros do fundo da fábrica, talvez um pouco mais.
No momento a moça está sozinha lavando os panos que usou pra limpar o balcão de acabamento no qual trabalha. O ex-namorado, que passara a madrugada amolando o facão, pára a bicicleta na calçada, desce, se dirige até ela e ergue o facão de cortar cana que usava pra trabalhar. O primeiro golpe atinge os dedos da mão direita, decepados imediatamente. Ele visa o rosto, ela ergue as mãos, e novamente ele a atinge. Decepa dedos, a mão esquerda e finalmente, em menos de 30 segundos, atinge o pescoço dela. Vários golpes, e o irmão vê o ataque quando já é tarde demais. Ele corre, tenta defender a irmã, é atingido também.
O assassino sai do corredor calmamente, sobe na bicicleta e enquanto o choque domina ele ganha os poucos minutos necessários para fugir. Entra na casa de um amigo, que o ajuda, queima a camisa ensanguentada e ganha roupas novas para fugir. Recebe também a ajuda de um outro amigo, que chama um moto-taxista que o leva até uma fazenda. Lá ele é capturado rapidamente. Está preso, acusado de homicídio, tentativa de homícidio, roubo e porte de drogas.
Quem me contou a estória foi meu patrão, assustado e chocado; ela havia trabalhado para ele tempos atrás, todos gostavam dela. No dia do velório as fábricas liberam os funcionários. Ela tinha 22 anos.
Se você quiser conferir alguns jornais relataram o caso: Jornal Pequeno e O Estado de São Paulo.
Coisas assim acontecem todos os dias. Sei disso. Mas o dia que eu perder a capacidade de chorar e me indignar com coisas assim eu estarei morta. Fico pensando…
Penso em como a lei é toda errada. Ele ficará preso o que? Uns 10 anos? Sairá da cadeia muito antes de envelhecer, aos 30 e poucos anos. Quantas vezes já não vimos isso? Minha mãe tem um vizinho que matou o guarda da empresa que ele invadiu pra roubar. O assassino foi absolvido porque fugiu do flagrante e hoje desfila lindo e saudável de moto(roubada).
Se eu defendo pena de morte? Sim, em muitos casos sim. Estupradores de crianças, assassinos reincidentes, pessoas perigosas que não possuem limite algum.
Mas defendo sobretudo leis sérias, sem brechas, que trancafiem um assassino pra sempre. Do que adianta condenar Lindemberg há 98 anos de prisão (ouvi agora a sentença) se ele sairá em 5 anos porque "tem bom comportamento"? Vide Guilherme de Pádua. E centenas de outros.
Tive uma prima assassinada pelo ex-marido (contei o caso neste post aqui, há muito tempo) e hoje ele casou de novo, está bem de vida e minha prima linda, de olhos verdes e tão parecida comigo é apenas uma lembrança. E uma dor para os pais e para os dois filhinhos que deixou…
Leis mais sérias, veredictos que sejam cumpridos, sem brechas pra salvar assassinos. Este é meu sonho pra hoje… pra que não hajam tantas Lilianes, tantas Eloás, tantas Sílvias…